terça-feira, 9 de junho de 2009

O retorno do Trombadinha e a morte de David Carradine

Há um tempo eu tive um encontro nada produtivo com um trombadinha. Foi tudo muito rápido, ele não levou nada de mim, e ainda me disse antes de ir embora: "Deus te abençoe". Não houve nada de Deus. Fiquei furioso como se um demônio tivesse me possuído, papo sério. Ele não chegou com o discurso de "isso aqui é um assalto, porra!", então eu levei um tempo para entender o que estava acontecendo. "Você quer me assaltar, é isso?". Silêncio. Ele queria me assaltar. Mas não levou nada.

Então tá.

Ontem, quem eu vejo andando de bicicleta (de bicicleta mesmo) na mesma calçada que eu estava enquanto ia para escola? O Trombadinha. Ele me reconheceu. Eu o reconheci, e parei de andar. Ele olhou para mim. E conversou comigo como se eu fosse um coleguinha dele, na maior cara de pau. E veio me perguntando o que eu tinha para dar para ele. Eu respondi: "Nada". Mentira! Nas duas ocasiões eu poderia muito bem dar meu celular e mais alguns trocados para ele comprar algo tipo drogas, sabe? Mas eu não cedi. E assim foi. Ele insistia, e eu também. Pedindo e eu negando. E ele de bicicleta. E me pediu para "olhar na bolinha do olho, alemão". Eu podia morrer à toa. E eu não devia contar para ninguém que eu o vi de novo. Minha resposta, entre risadas sinceras: "Tá bom" (aí está a vantagem de se irônico com gente ignorante). Então ele foi embora porque precisava ir para casa. "Deus te abençoe". E ele foi embora. Reagi com risadas e a frase "não acredito, mas que zica!". Cheguei a pensar que dessa vez ele ia agir feito um assaltante de verdade: pular no meu pescoço, rolar comigo naquela calçada e ainda me deixar descalço. Mas nããão, as ameaças com a mão debaixo da camiseta foram o suficiente. Mas ah, contra ele eu me garantia. Menor que eu e magro feito um palito. Nunca fui do tipo brigão, mas nada como aproveitar essas oportunidades para através de chutes deixar claro como vale a pena ser bonzinho e pagar todas as contas.

Depois fiz o que deveria ser feito: denunciei o Trombadinha na base dos policiais ali na praça, praticamente vizinha do lugar onde o Trombadinha veio tentar me assaltar. Ele não levou nada de mim, repito, mas de um garoto do segundo ano, bem em frente a escola, ele levou um desses cartões usados para pagar passagem de ônibus.

Na hora da saída, a ronda escolar estava rondando (é, eu sei) as ruas daquela região.

Consciência tranqüila, mais experiência com os manos e sem sensação de culpa.

Mas esse não é o ápice desse post, não mesmo. David Carradine morreu. Como assim? Tá, as pessoas morrem, mas observe:

A polícia que investiga o caso acredita que Carradine morreu por uma asfixia acidental depois de praticar uma forma perigosa de masturbação, chamada de "asfixia auto-erótica" (um jogo sexual em que os jogadores sentem prazer ao serem estrangulados parcialmente). (Fonte.)

Poucos morrem com tanta dignidade e ironia. Da última vez foi o grande Heath Ledger. A minha ficha não caiu até agora, para os dois casos.

Tsc, grande Carradine. Eterno Bill, de Kill Bill. Estou muito triste. Mas assim vai a vida, né? Com gente morrendo tentando ter orgasmos.

Aqui ele:


Aos 72 anos. Não era muito jovem, eu sei, mas sempre tinha coisas legais para compartilhar com os cinéfilos.

Conclusão desse post e dos anteriores: a vida é maluca, e nós vamos enlouquecendo junto, mas todas as escolhas difíceis que nós tomamos no nosso cotidiano podem nos ajudar a deixar com os pés no chão.

Pensei em encerrar isso aqui com Crazy, cover do Seal que a Alanis Morissette fez, mas essa loucura da cidade grande me força a deixar isso aqui:

"Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais."
Elis Regina (R.I.P. Zé Rodrix) - "Casa no Campo"

10 comentários:

Jenny disse...

'Mas assim vai a vida, né? Com gente morrendo tentando ter orgasmos.'

Droga, ri alto dessa. ^^

Pior que essa história de campo tranquilo e tudo mais, esta ficando só pra letra de musica e tudo. :(

Eu quero ir para Strawberry fields forever.

Um beijão

Amanda Bono disse...

Ah vá...!!! Trombadinha, Bill e casa no campo no mesmo post?

rs.
Gostei do blog Caio!
dica da Jenny Kelly...

Bjsssssssssssssss

Ferdi disse...

COMOASSIM? Foi com essa dignidade que ele morreu?
Fiquei meio depressed, sério.
Eu só tinha lido até a parte que ele morreu e que não revelariam o motivo da morte por consideração a família.
Eu odeio jornalistas, desgraçados, podiam ter tido consideração com a família, eu realmente não precisava ficar imaginando essa coisa e tudo, minha imaginação é doentia e ela já inventou um monte de coisas e, que horror.

Enfim..

Trombadinhas, eu, mataria um por um, porque sou macha, cruel e a favor da pena de morte.
Tudo por um mundo com menos gente.

Eeeee, casinha no campo, vender geleias e tocar piano até morrer, é mazomenos isso meu plano B de vida..

13 beijos, brownie.

Anônimo disse...

Fiquei bem decepcionado quando soube que o David Carradine morreu. De verdade. A morte sempre dá um jeito de nos surpreender.

Sim, Jenny, a cidades continuam invadindo os lugares mais verdes, isso é terrível. Acho que o mais próximo de uma casa no campo que haverá um dia vai ser essa música da Elis. Concordo contigo, mas ainda acredito que isso pode mudar. (R)

Trombadinhas deserve uma porrada, sou contra pena de morte.

Obrigado, Amanda! Volte sempre, hehe! E obrigado por recomendar, Jenny.

Caio Viana disse...

Só um blog com trombadinhas e Carradine pra alegrar meu dia. Por sinal, ele tava quase a cara de Pai Mei nessa foto, que por sinal, também morreu!

Caio Viana disse...

Só um blog com trombadinhas e Carradine pra alegrar meu dia. Por sinal, ele tava quase a cara de Pai Mei nessa foto, que por sinal, também morreu!

Anônimo disse...

HUAHUAHAUHAUHAUAHUA! :(

Jeferson Gota Cotrim disse...

Pior que um trombasinha sarcastico como no seu caso, são dois trombadinhas armados, inseguros e se achando donos do mundo, como foi no meu caso. Se vc batia no seu trambadinha, eu batia nos dois que me assaltaram e levaram meu carro. Mas diante de uma arma, vendo sua vida passar rápido pelos olhos, vc prefere não fazer nada...

Pouts, imagina se o "Bill" morreu se masturbando pensando na Uma Thurman...Que situação constrangedora.

Anônimo disse...

Criminosos armados são outro papo. Eu tive sorte. Mas não gostei da situação. ô_o

Anônimo disse...

ler todo o blog, muito bom