sábado, 24 de julho de 2010

Cores berrantes, violência e destruição

Filme de produção difícil, Kick-Ass é anárquico ao mesmo tempo em que é apaixonante

 (Foto: Lionsgate Films)

Não é sempre que o cinema expele por sua uretra pérolas como Kick-Ass – Quebrando Tudo (Kick-Ass, EUA, 2010). Dirigido por Matthew Vaughn, que escreveu o roteiro junto de seu braço-direito Jane Goldman, baseando-se na HQ homônima de Mark Millar e John Romita Jr., Kick-Ass é o tipo de filme adaptado dos quadrinhos que se encontra na mesma linhagem de Watchmen, Sin City, Batman – O Cavaleiro das Trevas etc. Engajado em si mesmo, desinteressado em moralismo, extremamente violento, uma bomba atômica de emoções. Quem assiste ao trailer pode pensar que o filme é bem menos que isso.

 Em boa atuação, Aaron Johnson é o herói atrapalhado mas de grande coração. (Foto: divulgação)

Mas para começar de um bom ponto, vamos à sinopse: o adolescente Dave Lizewski (interpretado muito bem por Aaron Johnson, o John Lennon de Nowhere Boy) quer achar um meio de expressar sua insatisfação por seu banal cotidiano. Fã de histórias em quadrinhos, perfeito nerd, decide comprar pela internet uma roupa de mergulho no mínimo ridícula para se tornar o herói “Kick-Ass”. Dave toma muitas surras, mas se torna uma celebridade da Internet. Esse fator liga o filme à nossa realidade de forma bem adorável: o que você acharia de ver no YouTube o vídeo de um cara que quer bancar o super-herói? O que você faria se visse alguém sendo assaltado? Ligaria para a polícia? Impediria? Este filme trabalha com isso: o altruísmo do ser humano é genuíno o suficiente para haver nele, mesmo que bem escondidinho, um super-herói? Mais tarde, Dave conhece os verdadeiros vigilantes: os brilhantes Big Daddy (Nicolas Cage) e sua filhinha Hit-Girl (Chloë Grace Moretz, ótima). Os três acabam se envolvendo num grande esquema do mafioso Frank D’Amico (Mark Strong). O único ator que não funciona é Christopher Mintz-Plasse, que faz papel do Red Mist, filho de D’Amico. É um desperdício de personagem, pois Mintz-Plasse não dá conta do recado.

 Nicolas Cage e Chloë Grace Moretz são Big Daddy e Hit-Girl, respectivamente. Duas das grandes surpresas do filme. (Foto: divulgação)

Antes mesmo da aguardada estreia de Kick-Ass, muita polêmica já envolvia a produção do filme. Matthew Vaughn quis ser fiel à HQ. Foi isso o que ele fez – e é exatamente esse o motivo pelo qual o filme foi desenvolvido de forma independente. Mais difícil ainda foi conseguir uma distribuidora. Nem o nome do Brad Pitt na lista de produtores ajudou muito. As distribuidoras, segundo o que Vaughn disse em entrevista ao Omelete, queriam “podar o filme”. Uma chegou a pedir para o diretor retirar todas as cenas da Hit-Girl e refilmá-las, fazendo dela uma garota de 16 anos, já que a retratada original tem aproximadamente 12 anos, é uma assassina impiedosa e fala palavrão. O entrevistador Érico Borgo perguntou: “Você foi rejeitado por alguns programas de financiamento. Tem algum conselho quanto a isso?”. Vaughn respondeu: “Acredite no seu roteiro e mande todos se foderem.” (sic) Não é à toa que ele e Jane Goldman ganharam carta branca da 20th Century Fox para fazerem X-Men: First Class, que estreia ano que vem. Será a terceira vez que Vaughn e Goldman trabalham juntos. A primeira vez foi com o bem sucedido Stardust - O Mistério da Estrela, baseado no romance de Neil Gaiman.

Atualmente Mark Millar e John Romita Jr. trabalham no segundo volume da HQ: Kick-Ass – Balls to the Wall, cuja adaptação para o cinema, é claro, já foi confirmada, e com o envolvimento de Matthew Vaughn. E isso é ótimo.


2 comentários:

Caio Viana disse...

tô doido pra ver esse filme...
sei que deve ser muito bom mesmo...

Luke disse...

Do caralho e da uretra! :D