quarta-feira, 10 de novembro de 2010

What the fuck have you done lately?


Wanted (O Procurado, na adaptação brasileira) lembra muito Clube da Luta. Não só pela violência e outros aspectos, mas mais pela “força” tão criticada por esses dois filmes. Uma espécie de força que deixa a humanidade inteira cabisbaixa, presa na rotina e entorpecida por ela. E Wanted é realmente radical para mostrar isso. Seus personagens são pessoas extremamente comuns, ou assassinos ultra-habilidosos que conseguem dar tiros curvos para atingir o inimigo – e isso faz parte da filosofia de vida deles. Os assassinos treinados matam alguns para poupar a vida de milhões. São eles que seguram, dessa forma, o encontro do nosso planeta com o verdadeiro caos. Todos eles são trazidos de cá, da nossa realidade chata, cheia de poluição e comidas industrializadas. E é no treinamento que eles aprendem a lição que diz que a vida vai além de tudo isso aqui.

Então, Wanted é um filme que tem como estrutura para sua trama uma teoria conspiratória. E fala, acima de tudo, da manipulação sob vários aspectos, que pode vir tanto dos bonzinhos quanto dos malvadinhos de qualquer história. Vários filmes falam sobre manipulação etc., mas este aqui tem uma abordagem diferente, assim como tudo nele é diferente de outros filmes de ação. Sabe aquela cena em câmera lenta? Ela vem no momento inesperado. Sabe aquela cena de tiroteio? É filmada nos ângulos mais imprevisíveis. O diretor Timur Bekmambetov diversas vezes usa as cenas mais clichês da forma mais incomum, e é por isso que esse filme foi dito como um daqueles que tem cenas de ação de “tirar o fôlego”: o cidadão, todo inocente, vai ver o filme pensando que é uma coisa, e quando o filme acaba, ele percebe que foi bem outra. Ele definitivamente tem sua bunda chutada.

James McAvoy, mesmo não precisando, já tem meu apoio para interpretar o Prof. X em X-Men: First Class ou qualquer personagem em qualquer filme.

Mas de qualquer forma, com ou sem violência, teorias conspiratórias e cenas de ação bem incomuns, o filme vale bastante para qualquer um que tenha interesse em conhecer o ator James McAvoy, que é o protagonista. O filme é dele. James é um ator assombrosamente talentoso. Ele interpreta Wesley Gibson, um sujeito todo cheio de probleminhas e problemões, que é execrado pela sua chefe, sua namorada o trai com seu “melhor amigo” e, ao digitar seu nome no Google, não obtém resultados. Um belo dia, Fox, interpretada pela Angelina Jolie, aparece na sua vida, o salva da morte e tudo começa a fazer mais sentido (afinal de contas, Angelina Jolie é Angelina Jolie). A participação dela foi muito questionada. Muita gente diz que ela praticamente não abre a boca no decorrer do filme. Ledo engano: a personagem de Angelina fala somente quando necessário e somente o que é necessário. Suas frases não são longas, mas fazem todo sentido e sua personagem é de uma importância que define muitos acontecimentos. O que acontece é que Fox leva Wesley para conhecer Sloan (Morgan Freeman), que lhe diz que seu pai, que o deixou na infância, foi assassinado por um membro rebelde do grupo de extermínio “A Fraternidade”, que Sloan, Fox e o pai de Wesley fazem parte. Esse grupo foi formado por tecelões há aproximadamente mil anos, e em tecidos fabricados por eles, constam códigos binários que entregam nomes de pessoas a serem executadas. Dessa forma, há um equilíbrio no mundo: como foi dito acima, matam um para poupar milhões. As vítimas são perigosas para humanidade. Agora Wesley é treinado por Fox para matar o tal agente rebelde, e esse é o seu destino. Cansado da mesmice, Wesley o aceita. Agora você diz: what the fuck? Com essa história maluca e cenas de ação mirabolantes, o filme fala sobre muitas coisas que estão debaixo do nosso nariz, e não percebemos.


Wanted é baseado na HQ homônima de Mark Millar (escritor e co-criador de Kick-Ass) e J. G. Jones, e é muitíssimo diferente do filme. Na HQ, “A Fraternidade” é um grupo gigante de vilões dos mais variados tipos. Não há nada de tecelagem. Em 1986, eles se organizam para exterminar todos os super-heróis e o conseguem. Wesley Gibson e Fox tem traços de Eminem e Halle Berry, e o pai de Wesley, de Tommy Lee Jones. Assim como no filme, há muita violência e teorias conspiratórias. A HQ é repleta de nuances do mundo underground, onde as pessoas usam drogas e fazem coisas de objetivo duvidoso apenas entre quatro paredes. No filme, os personagens seguem destinos diferentes e até personalidades diferentes eles têm. A estrutura da trama é a mesma, mas há um grande vão entre a HQ e o filme – ideia bem boa, pois a HQ é repleta de elementos que não funcionariam num filme para satisfazer pessoas que não precisam conhecer ou gostar de HQs. O filme e a HQ, cada um de sua forma, é cativante e surpreendente. Vale ver o filme e ler a HQ, não necessariamente nessa ordem: incluam-nos na sua lista de downloads. São espetaculares.

Um comentário:

Caio Delcolli disse...

Esqueci de dizer aqui que a Angelina Jolie é "uma atriz curiosa". Shit.