sábado, 7 de maio de 2011

The Hunger Games deixa claro que há futuro para a literatura young adult depois de Harry Potter


“Quando eu acordo, o outro lado da cama está frio”. Essa é a frase que inicia o livro The Hunger Games (que aqui no Brasil saiu como Jogos Vorazes, pela Rocco), primeiro volume da trilogia homônima de Suzanne Collins, publicado pela Scholastic Press. Uma mistura de sci-fic, suspense e aventura, que apresenta uma carga dramática que serve como estrutura para a trama, impulso para o seu desabrochamento e a definição de sua identidade, que, por sinal, vai denunciar se você tem ou não um coração batendo no seu peito. Se as palavras de Suzanne não mexerem com você, melhor ir ao médico verificar se você tem esse órgão aí dentro.

Trata-se de um best-seller young adult que vai fazer mais sucesso ainda ano que vem, quando o filme estrear. Será a próxima mania entre os leitores adolescentes e provavelmente terá fãs de todas as idades também. Mas desde que J. K. Rowling encerrou a série Harry Potter, todo best-seller de ficção young adult é comparado a ele, por causa das vendagens e das adaptações cinematográficas. Crepúsculo e Percy Jackson podem ter dado bastante dinheiro aos seus autores, mas todos eles são ausentes da verve que Harry Potter tem. Por isso que todas as outras sagas são comparadas a esta: ela estabeleceu padrões. Agora (finalmente!) temos uma saga literária que, além de ser êxito nas vendas, é dotada de um conteúdo que vai além de qualquer mania entre fãs ou gritaria em filas de cinema.

Sua história é protagonizada por uma adolescente de dezesseis anos e, apesar de tal coisa não ser incomum, a protagonista não é uma espécie de canal entre o público e uma autora que acha que está se comunicando com jovens só porque usa gírias ao mesmo tempo em que faz papel de idiota (caso da coleção de contos Formaturas Infernais). A autora de The Hunger Games tem o tal do talento. Sua narrativa é incisiva, magnética e faz jus à brutalidade do mundo em que seus personagens vivem. A história acontece no futuro. Depois de o nosso planeta ter sido destruído por nós mesmos e pelas catástrofes naturais, onde era a América do Norte, se encontra uma nação chamada Panem, que é dividida em doze distritos e uma capital que os comanda. Uma vez por ano, um reality show chamado Hunger Games acontece. Cada distrito envia dois participantes sorteados: um menino e uma menina que tenham entre doze e dezoito anos. Na arena, eles tem que lutar até a morte. O ganhador é o único sobrevivente. Katniss Everdeen, a protagonista, tem uma irmã de doze anos que é sorteada. Katniss não aceita tal acontecimento e se voluntaria a ir no lugar de sua irmã. Seu pedido é aceito.

A autora.

A roteirista de programas infantis e escritora Suzanne Collins, de 47 anos, formada em escrita dramática pela New York University, disse que teve a primeira ideia sobre The Hunger Games enquanto assistia televisão. Num canal, passava um reality show. Em outro, cenas da Guerra do Iraque. Transformou o contexto de cada programa numa mistura incomum. E tornou-se mais incomum ainda quando Suzanne adicionou a essa ideia traços de mitologia grega (principalmente no que se refere ao mito de Teseu) e as suas noções pessoais de efeitos de guerra, uma vez que seu pai teve uma carreira na Força Aérea dos EUA e serviu na Guerra do Vietnã. Todos esses elementos estão condensados na narrativa vertiginosa de Suzanne. Essas junções e alusões acabam funcionando.

Depois de sua arrebatadora atuação em Inverno da Alma, Jennifer Lawrence se envolve com outra saga cinematográfica além de X-Men: First Class.

Os outros dois títulos que fecham a trilogia The Hunger Games são Catching Fire (que já está disponível no Brasil como Em Chamas) e Mockingjay. O filme que adapta o primeiro livro já está em estágio de pré-produção. Será distribuído pela Lions Gate e produzido pela Colour Force, produtora de Nina Jacobson. O roteiro foi escrito pela própria Suzanne Collins e revisado pelo roteirista Billy Ray. O que mais impressiona é o fato de Jennifer Lawrence ter sido escalada como protagonista (depois de enfrentar uma lista um tanto quanto longa de concorrentes. Entre elas, outras agraciadas com uma indicação ao Oscar). A direção ficará por conta de ninguém menos que Gary Ross, cultuado filmmaker de Pleasantville e Seabiscuit. A estreia foi programada para 23 de março do ano que vem. Aparentemente, o filme está seguindo os mesmo passos do livro: o lucro será uma mera consequencia da qualidade do que está sendo oferecido.

Finalmente, depois de Harry Potter, veio uma saga literária young adult que não subestima a inteligência de seus leitores.

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Essa resenha está no Under Thunder também!

2 bombas atômicas aqui:

Mariana disse...

the hunger games é demais *-* e omg tu viu que o woody harrelson vai interpretar o haymitch??? :D

"a protagonista não é uma espécie de canal entre o público e uma autora que acha que está se comunicando com jovens só porque usa gírias ao mesmo tempo em que faz papel de idiota" = THE HOUSE OF NIGHT UGH

Caio McFearless disse...

Vi sim! O Woody é perfeito pro papel! Pãtcha ator foda!

E eu estou passando longe dos livros da série The House of Night. Nunca os li, mas nem sinto a curiosidade. Acho que é meu amor pelo meu tempo falando mais alto.