Algum problema sobre eu chorar vendo um filme? Hmmm. Não. Está mais para algo inesperado do que para um problema.
Quem me conhece sabe que, geralmente, eu não choro vendo filmes. Geralmente, nem na vida real eu choro. Isso não faz de mim uma vadia fria, é que eu sou difícil mesmo. Vendo alguns filmes, eu já quase chorei, mas só fiquei no quase, no aperto no peito, no nó na garganta. Nem precisa ser cinéfilo para ter uma reação dessas vendo um filme. Quem nunca se emocionou vendo um?
Eu tive um aperto no peito vendo a Natalie Portman andando na rua enquanto tocava The Blower’s Daughter, do Damien Rice, em Closer. Quase chorei quando o Bill Murray e a Scarlett Johansson se abraçaram e tocou Just Like Honey, no The Jesus and Mary Chain, em Encontros e Desencontros. Também senti meus olhos marejaram na cena em que Julianne Moore, em As Horas, está em seu banheiro chorando ouvindo seu marido chamá-la para se deitar na cama ao seu lado. Fiquei indignado e morrendo de dó da Hilary Swank em Menina de Ouro, e me emocionei bastante com a Uma Thurman nos dois volumes de Kill Bill, épico neoclássico do Tarantino. Como já está bem “impresso” neste blog, X-Men: Primeira Classe me deu apertos no peito também, em suas cenas de cunho mais dramático. X-Men 2 também me fez ver embaçado na cena final, quando Famke Janssen (Jean Grey) contém aquela onda enorme usando seu dom, salvando seus amiguinhos mutantes. Mas mesmo passando por todas essas ocasiões em que eu quase chorei (entre outras que não citei, pois não me lembro agora), eu só fui chorar mesmo vendo Pleasantville. Não foi chorar de soluçar e babar e gritar. Acho que, no total, três discretas lágrimas acabaram vazando pelos meus olhos enquanto eu via o filme. Passar por essa experiência, me guiou ao trabalho de seu criador: Gary Ross.
Como eu fui descobrir esse filme? Bem, isso começa com a Fiona Apple, uma das minhas cantoras prediletas. Numa época em que eu coletava loucamente material dela em mp3 na internet, acabei trombando com duas músicas que ela fez para a trilha de Pleasantville. Uma delas um cover dos Beatles: Across The Universe. Viciante. Desde essa época eu queria ver esse filme, mas eu apenas o incluí na minha lista de downloads e o esqueci por lá. Só fui me lembrar dele algum tempo depois, quando soube que Gary Ross tomou as rédeas da direção de The Hunger Games, baseado no romance homônimo que eu adoro, escrito pela Suzanne Collins. Na minha ânsia de conhecer a visão do diretor e satisfazendo a curiosidade antiga, baixei e assisti Pleasantville.
E que surpresa maravilhosa. Além de ter me passado firmeza em seu estilo, e consequentemente confiança para fazer algo realmente bom com The Hunger Games, o diretor me surpreendeu. Foi muito além das minhas expectativas. Pleasantville tem uma das tramas mais lindas que eu já vi nessa vida. É uma história muitíssimo bem contada, e absolutamente magnética. Um daqueles casos em que você pensa que o cara seguiu a profissão certa, pois enquanto alguns se esborracham achando que fazem ótimos filmes, esse aqui os faz aparentemente sem muito esforço. Acho que está na estrutura óssea de Gary Ross ser tão bom assim.
Pleasantville é incrível. O cover que a Fiona Apple fez de Across The Universe fica tocando dentro de você, como se seu peito fosse um rádio. Agora planejo ver o outro filme que ele dirigiu (que também tem Tobey Maguire no papel principal): Seabiscuit. Ross trabalhou mais com roteiros do que com roteiro e direção no mesmo projeto. Também vou atrás desses seus trabalhos só de caneta. Gary Ross me deixou curiosíssimo sobre o que ele pode oferecer ao cinema e ao público. Algo me diz que sempre será válido esperar por projetos dele.
Mal posso esperar por The Hunger Games.

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