domingo, 24 de fevereiro de 2013

Literatura e escrita no cinema – dicas de filmes!

A literatura não se transforma em audiovisual apenas em adaptações. Cheque este post e veja dicas de filmes que tem a escrita e a literatura como quase personagens, como elementos-chave para suas tramas.

As Horas (The Hours, 2002)


Neste filme de Stephen Daldry, três mulheres que vivem em diferentes lugares e épocas têm suas vidas conectadas pela literatura. Em 1923, a escritora inglesa Virginia Woolf (Nicole Kidman) escreve o primeiro esboço de seu aclamado romance Mrs. Dalloway, que é tido como um dos inauguradores do fluxo de consciência em prosa. Em 1951, Laura (Julianne Moore) é uma dona de casa que lê o romance de Virginia e se sente motivada a fazer mudanças em sua vida. Em 2001, Clarissa (Meryl Streep) literalmente vive o romance.

Contando com excelentes atuações de seu trio protagonista e de coadjuvantes como Ed Harris, Toni Collette e Jeff Daniels, As Horas é um tocante, belíssimo e ambicioso filme. Baseado no romance homônimo e ganhador do Pulitzer de Michael Cunningham, não há obra cinematográfica como esta. Com uma narrativa habilidosa e um ótimo roteiro de David Hare, o filme vai visitando sem medo o universo das três protagonistas para contar suas histórias e amarrá-las em um surpreendente final. A ótima trilha sonora assinada por Philip Glass costura tudo isso.


Mais Estranho que a Ficção (Stranger Than Fiction, 2006)


Harold (Will Ferrell) é um melancólico fiscal do imposto de renda. Só trabalha, não se diverte. Isso muda bruscamente quando ele ouve em sua cabeça a voz de Karen Eifell (Emma Thompson) narrando tudo o que ele faz. Karen é uma famosa romancista que está passando por um grave bloqueio do escritor enquanto trabalha em seu novo livro. Ela nem imagina que Harold, seu personagem principal, realmente existe. Suas ideias, quando incluídas no romance, acontecem de fato. Só há um problema: ela tem a tradição de matar seus protagonistas.

Dirigida por Marc Forster (A Última Ceia) e brilhantemente escrita por Zach Helm, esta mistura de comédia, drama, fantasia e romance é um dos títulos mais peculiares que o cinema independente dos Estados Unidos pariu nos últimos anos. Dustin Hoffman e Maggie Gyllenhaal estão ótimos como um especialista em literatura consultado por Harold e uma confeiteira descolada, respectivamente. A rapper Queen Latifah também está no elenco.

 

A Lula e a Baleia (The Squid and the Whale, 2005)


Aqui, Bernard (Jeff Daniels) e Joan (Laura Linney) são um casal que vai se divorciar. Seus filhos Walt (Jesse Eisenberg) e Frank (Owen Kline) têm séria dificuldade de lidar com isso. Entre os pais, que são escritores, uma fagulha de competição ameaça se tornar uma fogueira. Os filhos, assim como os próprios pais, caminham aos tropeços para uma vida diferente e não esperada.

Este filme independente, escrito e dirigido com gusto por Noah Baumbach, é baseado em sua própria história de vida. Comédia e drama se misturam em diálogos e situações que variam entre o desconcertante e o doloroso. O mundo dos relacionamentos, da literatura e dos filmes artísticos molduram A Lula e a Baleia. A Nova York dos anos 1980 serve como pano de fundo para a família que ameaça se dissolver. Anna Paquin e William Baldwin completam o eficiente elenco.


Jovens Adultos (Young Adult, 2011)


É uma das raras oportunidades que Charlize Theron teve de mostrar seu ótimo timing cômico. Aqui, Jason Reitman e Diablo Cody repetem a parceria de Juno na direção e no roteiro, respectivamente. Theron interpreta Mavis Gary, uma ghost writer do gênero que dá título ao filme. Ela decide retornar à cidade em que vivia quando jovem com o objetivo de reatar o namoro com Buddy (Patrick Wilson), seu namorado dos tempos de colegial. Oscilando entre extremos de humor e sempre com o etanol à mão, ela se depara com sua própria dificuldade de seguir em frente.

Enquanto causa o caos por onde passa em sua cidadezinha natal, Mavis escreve o episódio derradeiro de sua série de livros. Com a voz rouca e grave de Charlize Theron narrando o que Mavis redige, percebe-se como sua história reflete seu intenso sofrimento.

Tanto Mavis quanto a maior parte dos outros personagens estão próximos de seus 40 anos de idade – eles foram adolescentes nos anos 1990. A trilha sonora têm nomes do grunge como Veruca Salt, The Lemonheads e Dinosaur Jr. Um dos vários momentos em que o filme esbanja brilhantismo é quanto toca “What’s Up?”, da extinta banda 4 Non Blondes, na fita cassete que a protagonista tem em seu carro.

Com um roteiro afiadíssimo e absolutamente imprevisível, Jovens Adultos, como disse Peter Travers, crítico da Rolling Stone, provoca risadas que deixam feridas. Junto de Mais Estranho que a Ficção, comentado acima, é um dos filmes mais interessantes saídos do forno independente dos EUA de uns tempos para cá.



A jornalista e escritora Elizabeth Wurtzel esteve severamente deprimida em sua juventude. Tendo ao fundo a vida acadêmica, o rock alternativo dos anos 80 e muitas drogas, Wurtzel contou sua história na memória de 1994 que tem o mesmo título do filme.

Christina Ricci, ótima, interpreta a escritora no filme dirigido pelo norueguês Erik Skjoldbjærg. Trechos do livro são lidos em off pela atriz, incrementando o que a tela mostra. Fica perceptível que a escrita foi um fator-chave para a recuperação de Wurtzel, que chegou a ter a ideia de suicídio martelando em sua cabeça. O filme consegue ser claustrofóbico em alguns momentos. Não surpreende, mas é funcional e aponta as dificuldades de se viver em uma sociedade tão problemática.

Michelle Williams, Jessica Lange e Lou Reed também estão no elenco. Infelizmente, Geração Prozac é um tanto quanto negligenciado. Foi exibido no Festival de Toronto de 2001 e no país de origem do diretor, dois anos depois. Saiu direto em DVD nos Estados Unidos. Segundo o IMDb, a distribuidora Miramax teve receio de lançar o filme por conta da figura não muito carismática de Elizabeth Wurtzel, entre outras razões. Carismática ou não, ela merece ser lida. O filme, assistido.


Desejo e Reparação (Atonement, 2007)


Inglaterra, 1935 – Briony tem 13 anos e é uma aspirante à escritora cheia de imaginação. Talvez cheia até demais, pois confunde realidade com fantasia (ou não?) ao acusar alguém inocente de cometer um grave crime. Isso causa uma reação em cadeia de acontecimentos que pesarão em sua consciência e afetará várias vidas para sempre. Baseado no excelente romance Reparação, de Ian McEwan, Desejo e Reparação é um filme de romance, drama e guerra como não víamos no cinema há décadas. É incisivo, visualmente espetacular e colossal. O diretor Joe Wright e o roteirista Christopher Hampton (Ligações Perigosas) acharam uma voz única para contar essa história que tem vários personagens, acontece em diferentes lugares, começa em 1935 e atravessa décadas.

Briony, quando criança, é interpretada por Saoirse Ronan; quando jovem, por Romola Garai; e quando idosa, por Vanessa Redgrave. As três atrizes estão ótimas no papel e o mesmo sobre Keira Knightley e James McAvoy, que também estão no extenso elenco ao lado de Juno Temple, Benedict Cumberbatch e outros. A trilha sonora assinada por Dario Marianelli tem uma excentricidade: o som de teclas de máquina de escrever.


E não termina por aqui. Outras dicas são Orgulho e Preconceito (2005), também de Wright, baseado no romance homônimo de Jane Austen, onde o casal protagonista é tão apaixonado por literatura quanto um pelo outro. Amor e Inocência (2007) mostra os bastidores da escrita deste romance. Dirigido por Julian Jarrold, o filme tem o roteiro baseado em cartas de Austen, que é muito bem interpretada por Anne Hathaway. James McAvoy, Maggie Smith e Julie Walters também estão no elenco. Já O Leitor (2008) é uma nova parceria do diretor e do roteirista de As Horas, citado acima. Kate Winslet é uma mulher cujo amante lê para ela quando se encontram. Crimes nazistas, segredos sombrios e muitas reviravoltas temperam o filme baseado no livro homônimo de Bernhard Schlink.

Alguma recomendação de filme nesses moldes? Basta deixar um comentário.

Um comentário:

Priscila M. disse...

Desejo e Reparação, um dos meus filmes prediletos, só não li o livro ainda porque não encontrei haha
e Orgulho e Preconceito tanto o filme quanto o livro são excelentes e também amei a mini-série da BBC, e também adoro Amor e Inocência, sou suspeita pois amo Jane Austen...