domingo, 28 de julho de 2013

Primeiras impressões sobre 'Wolverine: Imortal'


Meu veredito até agora sobre Wolverine: Imortal (ainda estou digerindo): é bom, mas tinha tudo para ser muito bom. 

A escolha de James Mangold como diretor foi bem interessante e bem sucedida. Mangold é versátil. Já dirigiu filmes de drama bem incisivos como Garota, Interrompida (1999) e Johnny & June (2005), assim como uma comédia romântica, um suspense, um western, e até uma comédia de ação – todos elogiados. Em Wolverine: Imortal, ele é eficiente. Soube dirigir ótimas e inusitadas cenas de ação sem esquecer o drama da história e dos personagens. Mas parece que faltou a ele a devida autonomia para realizar um filme mais sombrio, mais próximo da raiz do Wolverine dos quadrinhos sem desrespeitar a abordagem deste nos cinemas.

Fica evidente a influência dos executivos da Fox no conteúdo do filme, repetindo o erro de X-Men Origens: Wolverine (2009). Nesse caso, um elogiado roteiro escrito por David Benioff (Game of Thrones) foi revisado por outro roteirista até virar o que virou: uma simples máquina caça-níquel sem foco narrativo e sem importância injetada nas propostas, levada às telas por um diretor dos bons (Gavin Hood), mas sem autonomia, vigiado por produtores e executivos que se esqueceram do impacto que Batman – O Cavaleiro das Trevas havia feito no ano anterior. A Fox ainda insiste em podar os diretores de seus blockbusters. Exceções são casos como X-Men: Primeira Classe e Planeta dos Macacos: A Origem (ambos de 2011). O estúdio mostra que ainda está atrás da Warner Bros. e da Paramount dentro desse tema.

Hugh Jackman e James Mangold no set de filmagens

Em Wolverine: Imortal, o roteiro escrito primeiramente por Christopher McQuarrie (ganhador do Oscar por Os Suspeitos) e depois por Scott Frank (indicado ao Oscar por Irresistível Paixão), foi revisado por Mark Bomback, sujeito que coleciona críticas mornas, mas que sabe escrever um roteiro de filme de ação para se ver no domingo. O problema está aí. Wolverine merece mais que isso.

Os traços de McQuarrie estão evidentes no filme, e ficarão mais claros se você pesquisar os comentários feitos Hugh Jackman e Mangold sobre o texto do roteirista que nem chegou a ser creditado. O resultado é um bom roteiro que repara os erros do último, mas que infelizmente peca em, por exemplo: 1) dar mais importância às motivações dos coadjuvantes do que às do protagonista; 2) incluir piadas em momentos nada estratégicos; 3) não desenvolver com competência uma vilã bem interessante (Viper, interpretada pela eficiente Svetlana Khodchenkova); 4) ser preguiçoso, às vezes, para armar bons meios de fazer a história ir para frente. Considerando o quadrinho no qual o filme se baseia (Eu, Wolverine, de Christopher Claremont e Frank Miller, duas lendas), fica visível que a flecha iria bem no alvo caso existisse uma preocupação maior em ser fiel ao ótimo material de origem.

Mas calma: Wolverine: Imortal é bom de verdade. Vale a pena ver sim. Vale o ingresso do 3D, vale o tempo investido, vale tudo. Os atores são eficazes, efeitos e trilha sonora idem, e os sentimentos e motivações dos personagens são genuínos. O entretenimento é garantido. A obra é carismática e até mesmo diferente do que andamos vendo dos outros super-heróis nas telas ultimamente. Em suma, tem uma identidade própria e consistente, e serve bem como ponte para X-Men: Days of Future Past, que veremos ano que vem (fique para ver a excelente cena no meio dos créditos). Mas há algo de evidente: a Fox não vai fazer o mesmo golaço que fez com Primeira Classe se não passar a seus diretores, integralmente, a batuta de seus filmes. Passou da hora de aprender com outros estúdios.

(Pretendo rever o filme na próxima sexta-feira.)

Sinopse: Baseado no célebre comic book, esta aventura épica leva Wolverine (Hugh Jackman) - o personagem mais icônico do Universo Marvel - ao Japão. Fora de seu ambiente, neste mundo desconhecido, ele deverá enfrentar oponentes inesperados em batalhas de vida ou morte, que o marcarão para sempre. Vulnerável, pela primeira vez ele supera seus limites físicos e emocionais, e enfrenta não apenas samurais, mas seus demônios internos, lutando contra sua própria imortalidade. (Fox Film do Brasil)

*Fotos: Divulgação

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