sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Resenha: 'Minha Vida Dava um Filme', de Shari Springer Berman e Robert Pulcini

Produção peca na falta de engenhosidade e não faz jus ao talento dos protagonistas

(Imagem: Divulgação)

A extensa cartela de comédias hollywoodianas que chega aos cinemas anualmente nem sempre entrega bons títulos. Algumas surpresas acabam surgindo, agradam o público e ainda conseguem alguns elogios da crítica, como Se Beber, Não Case (2009). Mas esse definitivamente não é o caso do supérfluo Minha Vida Dava um Filme, que estreia hoje, 08/11.

Na obra, Kristen Wiig vive Imogene, uma dramaturga fracassada. Ela é demitida da revista em que trabalha, abandonada pelo namorado, ignorada pelas amigas da high society de Nova York e, após uma falsa tentativa de suicídio, é obrigada a ficar sob os cuidados de sua excêntrica mãe (Annette Bening). Ao voltar para a casa da família, Imogene reencontra seu também excêntrico irmão (Christopher Fitzgerald), conhece um rapaz que aluga o antigo quarto dela (Darren Criss), e o novo namorado de sua mãe (Matt Dillon). Fragilizada pela série de perdas e frustrada por ter de reatar laços familiares – tem bastante roupa suja a ser lavada –, a protagonista ainda inventa de localizar seu pai biológico após descobrir que ele está vivo.

A dinâmica entre os cinco personagens e seus conteúdos é tão mal explorada quanto o talento do trio formado por Wiig, Dillon e, principalmente, Bening. Bem menos engraçado do que poderia ser, cada passo que o filme dá adiante se sustenta em um clichê ou uma situação sem graça. Desinteressante e preguiçoso, peca em não ser engenhoso, do jeito que boas comédias geralmente são. É até possível sentir alguma vergonha alheia dos atores, dada a grande quantidade de momentos patéticos que eles têm. A mesma coisa sobre a dupla de diretores: Shari Springer Berman e Robert Pulcini, do cultuado Anti-Herói Americano (2003), entregam um trabalho sem sabor. Difícil de entender como a promissora dupla – indicada ao Oscar e ganhadora de prêmios em Cannes e Sundance – aceitou participar de um projeto que já mostra deslizes no roteiro (assinado por Michelle Morgan), um dos primeiros estágios de feitura de qualquer filme.


Kristen Wiig e Annette Bening em cena (Imagem: Divulgação)

Os poucos momentos em que Minha Vida Dava um Filme agrada são quando toca músicas da banda new wave Blondie no início e no fim, e no cameo de Whit Stillman, grande nome do cinema independente dos Estados Unidos. Fora isso, a obra não vale o ingresso e o tempo investido. É capaz de passar despercebida nos cinemas brasileiros, assim como aconteceu em seu país de origem. Para quem quiser ver Kristen Wiig demonstrando seu talento, a dica é ver Missão Madrinha de Casamento (2011), escrito e protagonizado por ela, ou seus sketches dos tempos de Saturday Night Live. Annette Bening mostra a que veio em Minhas Mães e Meu Pai (2010) e Matt Dillon em Crash – No Limite (2004). Os dois primeiros títulos são comédias bem mais interessantes. Passe longe do objeto desta resenha.

Título: Minha Vida Dava um Filme (Girl Most Likely); País de origem: Estados Unidos; Ano: 2013; Direção: Shari Springer Berman e Robert Pulcini; Roteiro: Michelle Morgan; Elenco: Kristen Wiig, Annette Bening, Matt Dillon, Christopher Fitzgerald, Darren Criss, June Diane Raphael, Bob Balaban, Brian Petsos, Mickey Sumner; Produção: Maven Pictures, Anonymous Content, Ambush Entertainment, Foggy Bottom Pictures, 10th Hole Productions; Distribuição: Paris Filmes; Duração: 103min.; Classificação indicativa: 12 anos; Estreia: nesta sexta-feira, 08/11.

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