quarta-feira, 9 de julho de 2014

'O Teorema Zero': drama futurista com Christoph Waltz estreia nesta quinta-feira; veja crítica

Ator ganhador de dois Oscar vive hacker angustiado em novo filme de Terry Gilliam


Christoph Waltz (à direita) e David Thewlis em cena (Foto: Divulgação/Imagem Filmes)

Em O Teorema Zero (The Zero Theorem, 2013), o cineasta inglês Terry Gilliam – mais conhecido por integrar a trupe de comédia Monty Python e ter dirigido Os 12 Macacos (1995) e Brazil (1985) – retoma o encontro de drama e ficção científica.

Numa Londres futurista, Christoph Waltz é Qoen Leth, um tipo neurótico e solitário afogando-se em dúvidas existenciais, à espera de um telefonema que lhe explicaria o motivo da vida. Hacker dos bons, ele é chamado para resolver o “teorema zero”, a serviço de uma corporação vigilante e obscura representada por Matt Damon. O cálculo matemático é complexo, mas pode terminar a dúvida do protagonista, que topa fazer o trabalho. O roteiro original é de Pat Rushin.

Embora esteja em boa atuação, Waltz é ofuscado pelos coadjuvantes, que possuem mais textura. Mélanie Thierry, David Thewlis e Lucas Hedges iluminam a tela quando aparecem. Tilda Swinton, Ben Whishaw e Gwendoline Christie também são marcantes em suas participações.

O bom figurino é colorido e espalhafatoso: parece sugerir que os personagens saíram de um videoclipe dos B-52’s, mas a certeza é que eles perambulam em cenários caprichados. O futuro excêntrico e ultra colorido – turbinado por uma publicidade invasiva – anda de mãos dadas com o passado decadente e abandonado.

A atriz francesa Mélanie Thierry: sua atuação é um dos pontos altos de O Teorema Zero (Foto: Divulgação/Imagem Filmes)

A excentricidade, a fisicalidade empregada a esta e o humor vindo de lugares inusitados são recorrentes nos filmes de Gilliam. Aqui, ele trabalha mais uma vez com a cinematógrafa italiana Nicola Pecorini, responsável por uma fotografia lindíssima e com identidade em relevo: quase mais um coadjuvante carismático em cena.

“Quando fiz Brazil em 1984, estava tentando pintar um retrato do mundo em que vivíamos então. O Teorema Zero é um vislumbre do mundo em que acho que vivemos agora”, explica o diretor em sua declaração. O comentário é pertinente, uma vez que personagens sacam seus celulares para fotografar o sofrimento e constrangimento alheio. Quem está em redes sociais hoje vê algo próximo disso todo dia. O hacker vivido por Waltz mostra que dúvidas existenciais não evaporam mesmo com as possibilidades oferecidas por uma rede de conhecidos em constante expansão.

Uma curiosidade interessante sobre Teorema Zero é o formato escolhido por Gilliam para filmá-lo: 35mm com as proporções de tela 1.85:1 e 16:9, o que permite qualquer tela 16:9 abranger tudo que é exibido, independente de ser cinema, tevê ou iPhone. Para Gilliam, o efeito acaba sendo vintage, por causa das bordas levemente arredondadas que ficaram nos cantos. (O diretor explica isso neste vídeo, a partir do oitavo minuto.)

O diretor Terry Gilliam nos bastidores (Foto: Divulgação)

“É o primeiro filme que se encaixa em todos os quadros, full frame e ‘semi-vinil’”, diz Gilliam.

O Teorema Zero foi exibido no Festival de Veneza do ano passado. Não levou para casa o Leão de Ouro, prêmio principal do evento, mas ganhou lá uma menção especial do Future Film Festival, por Gilliam ser o primeiro famoso a dar as caras neste segundo festival.

Boa opção para quem quer conferir ficção científica fora do circuito de blockbusters.


Estreia quinta-feira (10/7). Classificação indicativa: 14 anos. Duração: 106 minutos. Países de origem: Estados Unidos, Romênia, Reino Unido e França. Distribuição: Imagem Filmes.

Nenhum comentário: