quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Melhores filmes que vi em 2014

Prepare-se para anotar alguns títulos na sua lista de “preciso ver” (ou discordar de mim e atirar frutas podres). Boa leitura!


Homer e Barney assistindo à Guardiões da Galáxia (ou não) (Imagem: reprodução internet)

Seguindo a tradição, aqui está a lista de melhores filmes que vi no já-perto-de-acabar 2014. Trata-se da terceira seleção publicada pelo blogueiro que vos escreve e torra a paciência (aqui está a lista de 2013 e a de 2012).

Os critérios são simples: todos os filmes citados eram inéditos para mim, ou seja, não são necessariamente estreias deste ano; data e gênero não são empecilhos; a lista segue a ordem em que os filmes foram vistos; a intenção é levantar conversas (amigáveis, per favore) e troca de sugestões de títulos.

Tcharã:

À Procura do Amor (Enough Said, 2013; de Nicole Holofcener)
O Amor Não Tem Sexo (Prick Up Your Ears, 1987; de Stephen Frears)
Blue Jasmine (2013; de Woody Allen)
Razão e Sensibilidade (Sense and Sensibility, 1995; de Ang Lee)
Cova Rasa (Shallow Grave, 1994; de Danny Boyle)
12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, 2013; de Steve McQueen)
Nebraska (2013; de Alexander Payne)
Philomena (2013; de Stephen Frears)
O Dia que Durou 21 Anos (2012; de Camilo Tavares)
Capitão América 2: O Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier, 2014; de Anthony Russo e Joe Russo)
O Homem Duplicado (Enemy, 2013; de Denis Villeneuve)
Refém da Paixão (Labor Day, 2013; de Jason Reitman)
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (X-Men: Days of Future Past, 2014; de Bryan Singer)
Segredos e Mentiras (Secrets & Lies, 1996; de Mike Leigh)
Fim de Caso (End of the Affair, 1999; de Neil Jordan)
This Is England (2006; de Shane Meadows)
Chumbo Grosso (Hot Fuzz, 2007; de Edgar Wright)
Heróis de Ressaca (The World’s End, 2013; de Edgar Wright)
Filhos da Esperança (Children of Men, 2006; de Alfonso Cuarón)
Persona: Quando Duas Mulheres Pecam (Persona, 1966; de Ingmar Bergman)
Crumb (1994; de Terry Zwigoff)
Sob a Pele (Under the Skin, 2013; de Jonathan Glazer)
O Romance de Morvern Callar (Morvern Callar, 2002; de Lynne Ramsay)
Nu (Naked, 1993; de Mike Leigh)           
Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan (Star Trek II: The Wrath of Khan, 1982; de Nicholas Meyer)         
Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road, 2008; de Sam Mendes)
Últimas Palavras (Divorcing Jack, 1998; de David Caffrey)         
Rede de Intrigas (Network, 1976; de Sidney Lumet)      
Um Peixe Chamado Wanda (A Fish Called Wanda, 1988; de Charles Crichton e John Cleese)
Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, 2014; de James Gunn)
Ônibus 174 (2002; de José Padilha e Felipe Lacerda)      
Garotos de Programa (My Own Private Idaho, 1991; de Gus Van Sant)              
Origem Secreta: A História da DC Comics (Secret Origin: The Story of DC Comics, 2010; de Mac Carter)
Marcas da Violência (A History of Violence, 2005; de David Cronenberg)            
Ladrão de Casaca (To Catch a Thief, 1955; de Alfred Hitchcock)
Garota Exemplar (Gone Girl, 2014; de David Fincher)   
Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot, 1959; de Billy Wilder)  
Precisamos Falar sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin, 2011; de Lynne Ramsay)            
O Pequeno Fugitivo (Little Fugitive, 1953; de Ray Ashley, Morris Engel e Ruth Orkin)
Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 (The Hunger Games: Mockingjay – Part 1, 2014; de Frances Lawrence)
Azul É a Cor Mais Quente (La vie d’Adèle, 2012; de Abdellatif Kechiche)              
Boyhood – Da Infância à Juventude (Boyhood, 2014; de Richard Linklater)       
Frank (2014; de Lenny Abrahamson)  
Monty Python – O Sentido da Vida (The Meaning of Life, 1983; de Terry Jones e Terry Gilliam) (Atualização: dia 28/12, às 20h49)


Vale destacar:

Boyhood


Patricia Arquette e Ellar Coltrane em cena (Imagem: Divulgação)

Em tempos de superioridade da tevê em criatividade e conteúdo, este drama independente reafirma as características únicas do cinema como mídia sem-igual para contar histórias.
Diretor e roteirista, Richard Linklater retrata aqui o crescimento do garoto Mason (vivido por Ellar Coltrane) ao longo de 12 anos, mesmo período de tempo em que o longa foi rodado. Um curta-metragem de dez a 15 minutos foi feito por ano. Cada peça relata um ano na vida de Mason e sua família, composta pelos pais divorciados (Patricia Arquette, em linda atuação, e Ethan Hawke, ótimo) e a irmã mais velha (Lorelei Linklater, filha do diretor).

A edição dos curtas num único filme rendeu um dos títulos mais peculiares dos últimos anos – e impulsionou Linklater a seu ápice. Filhote do cinema indie norte-americano, o prolífico diretor tem sido um de seus principais representantes. Desde sua ascensão com Jovens, Loucos e Rebeldes (1993), até a ótima trilogia composta por Antes do Amanhecer (1995), Antes do Pôr-do-Sol (2004) e Antes do Anoitecer (2013). A semelhança da trilogia com Boyhood: cada filme retrata um dia na vida de um casal (Julie Delpy e Hawke, frequentes colaboradores do cineasta) ao longo de duas décadas. As mudanças trazidas pelo tempo, elemento sempre implacável e fundamental nas narrativas, dão diversas texturas aos personagens e às situações vividas por eles.

O sigilo da produção de Boyhood foi quebrado apenas quando o filme começou sua maratona de festivais. A surpresa foi geral. O drama é simples e conciso para mostrar a família Evans em suas diversas fases: mudança de casa, ida à faculdade, o término dos casamentos da mãe etc. Outra característica notável do longa é dar indícios temporais através de referências à cultura pop: “Yellow”, do Coldplay toca no início, complementando o lindo plano de um céu azul. Mason assiste à Dragon Ball Z em outro momento. A família vai à livraria comprar Harry Potter e o Enigma do Príncipe numa cena. Arcade Fire, The Hives e Wilco, entre outros, aparecem na extensa (e ótima) trilha sonora.

Crítica e público estão em polvorosa com Boyhood. No site Metacritic, que agrega conceitos do mundo todo, ele é o primeiro filme do século 21 a obter cem, o consenso máximo. Depois ter ganho vários prêmios no Festival de Berlim de 2014, incluindo o de melhor diretor, Boyhood é título frequente em diversas categorias de premiações, como Globo de Ouro, Screen Actors Guild e Independent Spirit. Até agora, parece ser um dos competidores de mais peso. Muito provavelmente dará as caras no Oscar e no Bafta.

No entanto, com ou sem prêmios debaixo do braço, Boyhood está propício a entrar para a história do cinema. Seria uma pena se não o fizesse – trata-se de um de seus momentos mais radiantes.


Garota Exemplar

Ao ver este brilhante thriller, tive aquela rara sensação de ter meu “chão de espectador” tirado de mim. Isso se deve à engenhosidade de Gillian Flynn, autora do livro homônimo que rendeu o filme e roteirista responsável pela adaptação. Embora eu ainda não tenha lido o romance (que chegará aqui em casa em breve, pois o comprei esses dias), só de ver Garota Exemplar ficou perceptível para mim como Flynn sabe atravessar a ponte entre a escrita em prosa e a escrita de roteiros de cinema – ou seja, aquela que serve à narrativa audiovisual. Pelo simples motivo de o roteiro ser enxuto e funcional.

Reviravoltas, absurdos e humor ácido estão muito bem embalados pelo diretor David Fincher – aquele mesmo sujeito que fez seu cérebro ter curtos-circuitos com Clube da Luta (1999) e A Rede Social (2010), por exemplo.

Veja Garota Exemplar, mas evite ler sinopses e críticas antes. Você vai se surpreender. Confie em mim. Observe bem a interpretação nuançada de Rosamund Pike. E caso já tenha lido o livro, fique tranquilo, pois a autora mudou o fim na adaptação. Desta forma, cada um tem sua identidade. Assim, você pode se surpreender duas vezes, graças à tal engenhosidade de Gillian Flynn.


Nu

Hilário, dramático e, por vezes, chocante. Eu já conhecia o diretor e roteirista Mike Leigh, figuraça do cinema indie britânico, pelo tocante e otimista Simplesmente Feliz (2008). Mas em Nu, Leigh se põe no outro extremo: o do pessimismo e do humor negro. Na interpretação masculina mais marcante que vi neste ano, David Thewlis é um sujeito que: 1) foge da polícia após estuprar uma mulher; 2) carrega consigo um leque de teorias apocalípticas e sobre a existência humana; 3) invade a casa de uma conhecida e destrói a rotina compartilhada pelas personagens que vivem ali. Thewlis transita entre diferentes matizes de humor, tragédia e esquisitice com eficiência. Merecidos prêmios de melhor ator e diretor no Festival de Cannes de 1993.

Assisti também ao estupendo Segredos e Mentiras, trabalho de Leigh seguido de Nu, lançado três anos depois. Me surpreendi novamente com Thewlis na comédia Últimas Palavras, de David Caffrey.

Leigh segue na minha lista de diretores a serem explorados; Thewlis é meu ator do ano.


À Procura do Amor

Eu já havia colocado dois filmes de Nicole Holofcener na lista do ano passado: Sentimento de Culpa (2010) e Walking and Talking (1996). Me pareceu natural continuar a conhecer a filmografia desta sensível e bem humorada cineasta (que também é um dos expoentes do cinema indie dos Estados Unidos). O perspicaz À Procura do Amor tem os elementos frequentes nas tramas de Holofcener: envelhecimento, relacionamentos, dúvidas sobre o futuro. (Isso não significa que ela cai no óbvio, pois a diretora sempre entrega histórias que esbanjam frescor.) A sempre ótima Julia Louis-Dreyfus aqui interpreta uma mãe solteira de meia-idade que se envolve com um homem idem, interpretado lindamente pelo já falecido James Gandolfini. Algumas coincidências tecem uma cama-de-gato que rende boas risadas e reflexões. É Nicole Holofcener em sua melhor forma. As sempre competentes Catherine Keener e Toni Collette também estão no elenco.


X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

Ainda sou do time de X-Men: Primeira Classe (2011), que para mim, é o melhor filme dos mutantes da Marvel, um dos melhores baseados em quadrinhos de super-heróis, e líder das ótimas ficções científicas que Hollywood tem entregado nos últimos anos.

No entanto, é inegável que em Dias de um Futuro Esquecido, os personagens e suas histórias têm outro ótimo momento no cinema. Bryan Singer voltou ao posto de diretor para mostrar quem manda na bagaça – e fez isso muito bem. Singer é especialista em tramas sustentadas por vários personagens, drama, ação e efeitos especiais. Tudo isso está em alta no novo X-Men.

Ainda lamento que Matthew Vaughn, diretor de Primeira Classe, não tenha permanecido no posto para realizar uma sequência ao lado de Jane Goldman, roteirista e braço-direito dele. Mas a (minha adorada) dupla dinâmica permaneceu para elaborar a história ao lado de Singer (não creditado) e do roteirista Simon Kinberg, num complemento à visão de Singer. O resultado é, mais uma vez, um blockbuster dos bons. Mais pontos positivos para a ótima passagem dos X-Men pelas telonas.


Guardiões da Galáxia


Uma bola curva e tanto. Desde a iniciativa da Marvel Studios de levar para o cinema um de seus títulos marginais, até a escolha de James Gunn para tomar frente do projeto. Gunn começou sua carreira trabalhando em filmes B da Troma Entertainment, e depois continuou com realizações peculiares e de baixo orçamento, como Super (2010) e Seres Rastejantes (2006). Um diretor bastante esquisito e underground para um blockbuster da Marvel. Mas Gunn concebeu uma ficção científica visualmente impecável, divertida e empolgante. É o ápice do universo Marvel no cinema.



A lista deste ano não é tão extensa quanto as anteriores, pois séries, minisséries e filmes de tevê foram meu foco em 2014. Foi difícil fugir desse universo.

Para ano que vem, há incontáveis estreias no meu radar. Os novos Star Wars e Vingadores, e lançamentos pendentes no Brasil como Grandes Olhos, de Tim Burton, e Sr. Turner, de Mike Leigh, são alguns exemplos. Aí vão os trailers.



  

Então é isso. Feliz ano novo! Nos esbarramos por aí. E bons filmes!

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