Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cinema. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 24 de maio de 2011

X-Men: First Class - discussões - parte 1

Estamos a nove dias da estreia de First Class. Enquanto não sai, os elogios feitos pelo sortudos críticos que já o viram em exibições especiais, continuam a encher a bola do filme. As fotos e vídeos continuam saindo. Hoje, o Omelete divulgou um making-of de 20min., dividido em quatro vídeos.

E há algum tempo, o The Hollywood Reporter, por sua vez, publicou um artigo sobre os créditos do roteiro de First Class. Parece que houve uma polêmica. Jamie Moss fez a primeira versão do roteiro, depois de estabelecida a história desenvolvida por Sheldon Turner e Bryan Singer. Acontece que, enquanto Sheldon e Bryan têm os créditos sobre a trama, "Ashley Edward Miller & Zack Stentz", e "Jane Goldman & Matthew Vaughn", nesta ordem e desta forma, receberam os créditos do roteiro. Jamie Moss ficou de fora e foi atrás de reverter a situação através do Writers Guild of America, o sindicato de roteiristas dos EUA. Jamie teve o apoio de Bryan, mas mesmo assim não deu certo, e o WGA decidiu deixar os créditos do jeito está acima.

Eu acho uma injustiça. Se o primeiro rascunho é de Jamie, ele definiu vários elementos que serviram de base para os outros rascunhos. Por qual motivo não ter o nome dele nos créditos?

Making-of:









[ATUALIZAÇÃO - 28/05/2011, às 17h03]

Agora temos também o clipe oficial de Love Love, do Take That, para a divulgação do filme:




E tem mais:

O nosso belo diretor Matthew Vaughn deu uma entrevista um tanto quanto reveladora ao Screen Geek sobre First Class. Nela, Matthew diz que o mutante brasileiro Mancha Solar foi retirado do roteiro, também diz que ele e Jane Goldman praticamente reescreveram o roteiro, não fizeram apenas uma revisão, e usa um tom nada amigável sobre o how make de Hollywood: fala como o que ele é, um diretor visionário. Vale muito ler a entrevista.

O tempo de duração, por sua vez, foi mudado para 131min. Provavelmente é a versão do diretor que contém os nove minutos anunciados anteriormente.

E não é que a estreia está quase aí? Seis dias e contando! Enquanto o filme não sai, vale a pena fuçar o site oficial, que está sensacional.
Link

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Thor é um triunfo em proporções, digamos, "trovejantes"


Thor é um êxito que entrou na história das adaptações cinematográficas de quadrinhos da Marvel. Também é, provavelmente, seu filme mais ambicioso e de caráter mais experimental. Em termos de ambição, aparentemente perderá para um que será lançado ano que vem: The Avengers, que reunirá uma grande parcela de personagens apresentados em todos os filmes da Marvel distribuídos pela Paramount.

E o motivo pelo qual Thor pode ser classificado como um filme ambicioso e experimental é o fato de que, até então, os filmes baseados em HQs da Marvel usam como estrutura de roteiro a ciência e a tecnologia. Mesmo expandindo tais elementos para níveis fantasiosos, eles ainda têm um pé na nossa realidade, o que acaba nos aproximando das histórias. No caso de Thor, mesmo havendo ciência e tecnologia para responder por alguns acontecimentos, quase todos os segundos de filme se agarram à existência de seus personagens em outra dimensão: o reino de Asgard. Não é fácil para qualquer um engolir algo assim. Essa história em quadrinhos ou em animações é uma coisa, uma vez que nessas mídias, a liberdade de criação é bem menos limitada. Mas num filme, haha, a coisa é bem outra: haja criatividade e coragem para adaptar. Deve ter sido um processo quase cirúrgico. Antes da estreia, as notícias sobre Thor pareciam ser meio estabanadas: Kenneth Branagh na direção? Chris Hemsworth, um desconhecido, como protagonista? Isso sem mencionar o inferno que foi fazer uma adaptação cinematográfica de Thor. Há quase vinte anos esse projeto existe, passando de estúdio para estúdio, de diretor para diretor e por aí vai. E mesmo que aparentando estar na corda bamba, o projeto foi concretizado e a resposta está aí: conseguiram fazer uma beleza de filme. Mesmo sendo fantasioso em níveis (perdão pelo trocadilho) trovejantes, é magnético, convincente e tem um coração que bate com entusiasmo.

Stan Lee (cuja ponta é mais uma vez sensacional) sempre disse que Thor deveria ter ressonâncias shakespearianas. Então, a contratação de Kenneth Branagh para dirigir fez sentido. Sua experiência em Shakespeare no cinema é sólida. Muita gente andou criticando os ângulos holandeses, mas eles são bem encaixados, não exagerados. Até contribuem para firmar a história como algo grandioso. As atuações são bem eficientes, e Tom Hiddleston (Loki) e Natalie Portman (Jane Foster) são os que mais chamam atenção, em performances brilhantes. Hiddleston é um charme e este filme deve funcionar para ele como uma abertura de portas. Natalie agracia seus fãs com sua exigente flexibilidade e curiosidade. Uma atriz que fez filmes underground como Cisne Negro, retorna a um papel coadjuvante marcante num blockbuster. O mesmo sobre Stellan Skarsgård (Erik Selvig), um ator de filmes alternativos (e brutais, como Dogville e Ondas do Destino, de Lars von Trier), mostra a cara neste projeto tão diferente de outros que têm seu nome nos créditos. Mas a grande surpresa é Chris Hemsworth. Ator até então desconhecido pelo público mundial, demonstrou grande sensibilidade e paixão como o personagem título. Conseguiu ir além dos músculos definidos, o que é um triunfo, já que aparentemente músculos definidos e boas atuações nem sempre se encaixam com sucesso.

Fora esses elementos, Thor é dono de um bom 3D. Vale a pena usar os irritantes óculos para desfrutar dos efeitos especiais que, por sua vez, são assombrosamente vertiginosos. O roteiro (escrito por Don Payne em parceria os mesmos roteiristas de X-Men: First Class, Ashley Edward Miller e Zack Stentz), é afiado, sólido e usa as oportunidades que tem para deixar claro, de forma cômica, como não sabemos lidar com o que não entendemos. Também não demonstra ter pressa para se desenrolar, assim como a história da própria produção do filme. Nada de passos largos e paciência rasa. O que há de épico e milkshakespeariano é uma mera consequência da ideia, não o combustível dela. Well done. Agora o negócio é esperar pelo próximo aperitivo de The Avengers: o filme do Capitão América, cuja estreia no Brasil está programa para 29 de julho.

E não se atreva a deixar a poltrona antes do fim dos créditos finais de Thor. Quem avisa amigo é.


Essa resenha foi publicada no Under Thunder também.

sábado, 7 de maio de 2011

Flecha no alvo

The Hunger Games mostra que há futuro na literatura de jovens adultos depois de Harry Potter


[Post atualizado dia 22/03, às 9h40. Texto completamente reescrito]

(Divulgação/Scholastic Press)

Quando eu acordo, o outro lado da cama está frio. É com esta frase que se inicia o livro The Hunger Games (lançado no Brasil pela Rocco Jovens Leitores como Jogos Vorazes), primeiro volume da trilogia homônima de Suzanne Collins, publicada pela Scholastic Press. Uma mistura de sci-fic, suspense e aventura ambientada em futuro de distopia e destruição.

Onde era a América do Norte, se encontra uma nação chamada Panem, que é dividida em 12 distritos e uma capital que os comanda. Uma vez por ano, um reality show chamado Hunger Games acontece. Cada distrito envia dois participantes sorteados: um menino e uma menina que tenham entre 12 e 18 anos, são obrigados a entrarem na arena onde eles têm que lutar até a morte. O ganhador é o único sobrevivente, que levará uma grande quantidade de dinheiro. A história é narrada por Katnis Everdeen, adolescente de 16 anos que se voluntaria a substituir sua irmã mais nova nesse jogo.

Se hoje não é de todo incomum ter uma garota dessa idade como narradora de um romance, vale dizer que ela definitivamente não é um link entre o público e uma autora que pensa se comunicar com os jovens usando gírias e consequentemente fazendo papel de idiota (caso do tenebroso Formaturas Infernais). Katniss é madura e complexa demais para servir disso. Ela é a personificação dos desdobramentos que um governo totalitário promove. Vive no distrito mais pobre de Panem, desde criança é obrigada a caçar para ter carne na mesa e é praticamente o homem da casa. Sua mãe está numa difusa depressão por causa da morte de seu marido, pai das meninas, e Katniss se vê na obrigação de cuidar dela e de sua irmã mais nova. Com o passar dos anos, a protagonista consolida sua visão imediatista da vida – da sociedade, de seus vizinhos quase miseráveis e o descaso do governo para com seu distrito. A brutalidade ao seu redor e seu dever dentro de casa não dão a ela tempo para ter a idade que tem. Ao ingressar na arena do reality show, não hesita em puxar seu arco e flecha para garantir sua sobrevivência entre seus companheiros de mesma faixa etária, que também se jogarão num turbilhão de tentativas de sobreviver matando uns aos outros. Todos querem sobreviver. Alguns receberam treinamento antes, outros não tiveram dinheiro para isso; mas na arena, todos sujam as mãos com o sangue do outro, apesar de serem desiguais em preparo.

Katniss é uma personagem composta por muitas partes. Tem maturidade para abraçar suas responsabilidades, pois sabe que mais ninguém pode estar no seu lugar. Tem consciência do estado em que vive o Distrito 12. Observa as atitudes das outras pessoas com humanidade, mas ela deve proteger sua família antes de si mesma, então sempre tem conclusões matemáticas sobre seus conviventes. Tudo isso ao mesmo passo em que um posicionamento político é exigido dos personagens e não há tempo para futilidades. Essa complexidade, essa carga dramática, definitivamente são difíceis de encontrar em histórias do gênero young adult, ao qual The Hunger Games pertence. Se antes veio Harry Potter, que não foi tão diferente em termos de complexidade, depois surgiram as sagas de Percy Jackson e Crepúsculo, que definitivamente fazem um sucesso estrondoso (principalmente a última), mas deixam a desejar tanto na criatividade da prosa quanto no conteúdo.


A autora de The Hunger Games, Suzanne Collins, leva sua história num jogo de palavras incisivas e objetivas, fazendo a leitura ser magnética e cada vez mais tensa ou chocante. Seus personagens são tão bem construídos em seus cenários que fica difícil de não ter uma visão exata deles dentro da história. Com mestrado em escrita dramática pela Universidade de Nova York, Collins, de 47 anos, antes trabalhava como roteirista para programas da Nickelodeon. É autora da saga de fantasia The Underland Chronicles, mais três títulos avulsos e da trilogia The Hunger Games. O primeiro livro foi lançado em 2008; Catching Fire, o segundo (lançado no Brasil como Em Chamas), em 2009; o terceiro, Mockingjay (aqui como A Esperança), em 2010. Collins diz ter tido a ideia desta saga enquanto assistia TV. Ao trocar de canais, se deparou com cenas de guerra e de reality shows. Grande fã de mitologia e principalmente do mito de Teseu, Collins misturou esses três elementos para criar sua história. Os componentes aparentam ser bem diferentes um do outro, mas o resultado é coeso e impressionante: uma história não vista até então, contada por uma escritora com uma forte marca autoral.

Evidentemente, o fenômeno de vendas que a saga protagoniza pelo mundo culminou em adaptação cinematográfica. O diretor escolhido para o trabalho foi o cultuado Gary Ross, de Pleasantville e Seabiscuit. O roteiro foi escrito pela própria Suzanne Collins, junto de Ross e Billy Ray (de O Preço de uma Verdade). A ótima atriz Jennifer Lawrence, que bem entende de papéis de garotas duronas (como em Inverno da Alma e X-Men: Primeira Classe), foi escolhida entre várias outras concorrentes para o papel de Katniss Everdeen. O filme já está pronto e estreia na sexta-feira dessa semana, dia 23. Catching Fire nem teve sua pré-produção iniciada, mas sua estreia já foi agendada pela distribuidora Lionsgate para ano que vem. Simon Beaufoy (de Quem Quer Ser um Milionário? e 127 Horas) foi contratado para escrever o roteiro adaptado ao lado de Michael Ardnt (Pequena Miss Sunshine e Toy Story 3). Francis Lawrence (Constantine) é o diretor.

Sobre a adaptação, James Rocchi, jornalista do site Box Office Magazine, disse que se trata do melhor filme americano de ficção científica desde Matrix, e que se os próximos filmes forem feitos seguindo os mesmos moldes do primeiro, estaremos diante da raridade que é uma franquia blockbuster valer o dinheiro do ingresso “pela habilidade, emoção e execução”, não meramente por marketing e efeitos visuais. Já sobre o romance de Suzanne Collins, vale dizer que se trata de um daqueles casos em que a excelência da qualidade supera qualquer fenômeno de vendas ou febre entre leitores. É uma peça única.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Além de 'Crespúsculo'



Catherine Hardwicke é boa diretora, mas é perseguida por um fantasma: Crepúsculo. Antes de ser execrada por esse quase-filme de quase-vampiros, ela tinha boa fama por Aos Treze e Os Reis de Dogtown. Seu terceiro filme, Jesus – A História do Nascimento, ao contrário dos anteriores, passou completamente despercebido, e também foi dilacerado pela crítica. Agora, ela lançou A Garota da Capa Vermelha, que também anda levando arranhões, mas apenas por ser tão difícil de satisfazer a todos, ao mesmo tempo em que é, definitivamente, um filme digno de atenção.

Trata-se de uma versão dark da clássica história da Chapéuzinho Vermelho. Aqui, o roteiro de David Leslie Johnson, baseado numa ideia do produtor Leonardo Di Caprio, se aprofunda no que a história original oferece de intrigante e inconcebível para o entendimento de crianças. Em A Garota da Capa Vermelha, há tensão sexual, atmosfera de mistério, imprevisibilidade e toda cultura folclórica típica de aldeias, já que é numa delas em que a história se desenrola, centenas de anos atrás. Fora a conexão entre do que há de dark no roteiro e na belíssima concepção visual do filme (repare nas árvores com espinhos anormalmente grandes), ele usa como estrutura aquela ideia de que gente não presta. Numa aldeiazinha no meio do nada e cercada de neve e árvores, em que os conhecidos se casam, têm filhos, morrem por ali mesmo, e os filhos seguem o exemplo, os habitantes criam laços de amizade e confiança. “O Lobo” é um lobisomem que está descontrolado e faz com que as pessoas se tranquem em suas cabanas. O que acontece é que há um certo jogo de interesse na morte do Lobo. Ela é conveniente para quem? Como o Lobo está conectado ao passado daquelas pessoas? E, a grande questão: quem é ele? O clima de mistério acontece magistralmente. As respostas enfraquecem os joelhos.

Mas o que faz muita gente torcer o nariz para este filme, é o fato de que Hardwicke dirigiu o primeiro filme da saga Crepúsculo. Por aí, andam dizendo que A Garota da Capa Vermelha é uma versão “crepusculada” sobre lobisomens e a fábula original dos irmãos Grimm (que foi adocicada pelas adaptações para outras mídias). Ledo engano. Ao contrário do que acontece na saga da escritora Stephenie Meyer, ou nos filmes feitos a partir de seus livros, o romance, aqui, neste filme, faz sentido. Ele ajuda a história funcionar e passa longe de ter aquele tom pastel.

E é difícil imaginar que um filme que reúne no elenco atores como Gary Oldman, Julie Christie e Virginia Madsen seja ruim. Não dá para esquecer de Amanda Seyfried, que foi perfeita para o papel da garota branquela que anda por aí de vermelho. Ela é uma atriz competente, que anda protagonizando muitos filmes e não está longe do momento em que vai surpreender a todos com um desempenho estupendo num filme ideal para tal feito. Em A Garota da Capa Vermelha, ver o elenco caminhando pela neve e lançando olhares de desconfiança às pessoas ao redor é impagável. Os segredos escondidos pelos personagens faz com que sangue seja derramado. E enquanto isso, a câmera sempre ágil de Hardwicke vai deslizando pelo cenário fantasmagórico em ângulos holandeses, belos planos da natureza e aquela típica tremedeira de câmera na mão, coisa que a tal diretora nunca dispensa. A trilha sonora, por sua vez, é um dos pontos altos do filme. Deixar tudo isso passar batido por causa de preconceito para com Crepúsculo é um grande desperdício.

Catherine Hardwicke provavelmente será tida, a partir desta ocasião de estreia de A Garota da Capa Vermelha, como uma artista julgada pelos seus deslizes. Futuramente, talvez isso seja arrumado. Mas ela aparenta nem se importar com isso. Entrega seus filmes e ponto. E enquanto isso não acontece, vale a pena deixar os preconceitos cinematográficos de lado e ver o que ela tem para oferecer. As surpresas podem ser bem agradáveis.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Preciosidade desconhecida


Heathers (que saiu no Brasil como Atração Mortal), é uma agradável surpresa. É um filme marginal, meio que perdido no meio de tantos outros títulos, mesmo recebendo a etiqueta de cult following. Na época em que estreou nos cinemas, em 1989, recebeu elogios, mas foi um fracasso nas bilheterias. Winona Ryder e Christian Slater, os protagonistas, ainda eram recém-tirados do forno da indústria cinematográfica dos Estados Unidos. E o que poucos sabem, é que Heathers é um dos fundadores do gênero de comédias de colegial. Se não fosse por este filme, nem teríamos chegado perto de Meninas Malvadas, por exemplo, que aparentemente é um must see da lista de comédias adolescentes atuais.

Mesmo tendo a sua importância por ter influenciado muitos filmmakers, Heathers ainda continua invisível para muita gente. O roteirista responsável por este triunfo, Daniel Waters, é autor do roteiro de Batman – O Retorno, seu trabalho mais conhecido. Se você apreciou a proposta desse filme, saiba que Heathers não se encontra muito distante dele: é dark, repleto de piadinhas ásperas, e segue um caminho inimaginável. Trata-se da jornada de Veronica Sawyer (Ryder), que tenta fazer parte de um trio de meninas encapetadas e populares. Todas se chamam Heather. Veronica conhece o outsider J.D. (Slater) e iniciam um romance. Ao mesmo tempo, uma série de assassinatos e suicídios envolve a escola em que todos eles estudam. Essa sinopse tem seus efeitos repercutindo até hoje no cinema. Meninas Malvadas já foi citado, e podemos incluir nessa lista qualquer escrito de Diablo Cody, Ginger Snaps, uma comédia de horror canadense escrita por Karen Walton, e Kick-Ass, a comédia de aventura dirigida por Matthew Vaughn e escrita por ele em parceria com Jane Goldman. Todos esses filmes aproveitam o que suas épocas oferecem para se criarem e deixarem suas impressões sobre a realidade.

Veronica Sawyer e as Heathers. Malvadeza com absorventes.

Waters diz que Heathers é uma tentativa de mostrar a verdadeira natureza dos adolescentes e como funciona a sociedade no colegial. Bull’s eye! Se você se lembra dos tempos de escola, impossível não associá-lo à essência do filme. Todo mundo pode ser simpático e acrescentar boas coisas na sua vida, mas no fundo, no fundo, está todo mundo sozinho ou em grupos distintos, esperando pela oportunidade de usar o próximo como degrau. Pelo seu trabalho, Waters ganhou o Edgar Award de melhor roteiro em 1990, e o diretor Michael Lehmann e a produtora Denise Di Novi (produtora de vários filmes de Tim Burton), ganharam o prêmio do Independent Spirit na categoria de melhor primeiro filme. Winona Ryder ganhou o “Special Mention” do Torino International Festival of Young Cinema. Heathers vende muito bem em outras mídias, o que reforça seu status de cult.

Os papéis de Veronica e J.D. chegaram perto de pertencer a Jennifer Connelly e Brad Pitt. Connelly recusou e Pitt foi considerado “muito simpático” para o papel. Winona Ryder implorou a Waters para ter o papel de Veronica. O agente dela disse que fazer parte desse filme jogaria sua carreira no lixo. Os pais de Heather Graham preferiram que ela não participasse do filme por conta de seu conteúdo obscuro. A integrante do elenco Kim Walker, a Heather Chandler, morreu de tumor cerebral há alguns anos. Ironicamente, em uma cena do filme, ela pergunta a outra Heather: “did you have a brain tumor for breakfast?”. Parece que o esse filme tem de dark, se expandiu para a atmosfera em volta dele. Entre outros gols, Heathers vale pela frase da antológica cena de abertura no refeitório: “fuck me gently with a chainsaw!”, e, é claro, por ser esse poço de ácido. Só que cair nele pode ser finger-lickin’ good.



---

Essa resenha também está no Under Thunder, a convite do meu amigo Emílio (e ela é MINHA, não copie. Se copiar, será despedaçado).

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

'X-Men: First Class' - discussões - parte XVII

[SEM SPOILERS, AMICOS]

Continuo achando demais saber que Kevin Bacon estará em First Class. E interpretando um vilão!

X-Men: First Class | Kevin Bacon dá informação interessante sobre o vilão do filme
Será que veremos Sebastian Shaw no meio da ação?
por Marcelo Hessel
20 de Dezembro de 2010
Em entrevista à revista Philadelphia Style, o ator Kevin Bacon, o Sebastian Shaw de X-Men: First Class, deu uma declaração interessante sobre o novo filme da franquia X-Men. Talvez você julgue ser um spoiler, então não prossiga se não quiser correr o risco.

Líder da sociedade secreta Clube do Inferno, que ambiciona dominar o mundo, Shaw vive como um homem de negócios, mas esconde do público sua habilidade mutante: absorver e transformar em força toda energia dirigida contra ele. Não espere de Sebastian Shaw no filme, porém, muitas demonstrações de poder.
Segundo Bacon, o papel não exigirá esforços físicos: "Vou deixar os atores mais jovens cuidarem dessa parte. Eu sou mais um desses caras que tentam destruir o mundo sem levantar da cadeira". Se Shaw não terá cenas de ação, será que o filme ainda esconde uma ameaça maior? Sentinelas? Amageddon?
--

Sebastian Shaw é um excelente lutador. Mesmo que não lute o filme todo, assim como Frank D'Amico (vilão de Kick-Ass), quando lutar, pode ser do caralho.

E só para constar: Jane Goldman e Matthew Vaughn (roteirista e diretor), ganharam, respectivamente, os prêmios de Hottest Writer e Hottest Director pela Total Film. Kick-Ass e First Class foram citados. Kick-Ass apareceu competindo em outras categorias também.

Sebastian Shaw ao centro; Emma Frost, a Rainha Branca, à esquerda; cara desconhecido de óculos acima dela; Magneto à direita de Shaw (Magneto?); e finalmente, Selene, a Rainha Negra.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Primeiras impressões sobre 'Scott Pilgrim vs. the World'



Vale muito a pena ver Scott Pilgrim vs. the World. Não só pela barulheira que fizeram por causa da quase-não-estreia aqui no Brasil, mas mais ainda por ser um filme absolutamente incomum. Parece mais uma junção de “filmes de luta” (como aqueles do Mortal Kombat) com vários tipos de games em várias plataformas. Levando em consideração outros belos elementos, este filme é uma homenagem aos games, ao indie rock, aos quadrinhos e toda cultura geek em geral.

Scott Pilgrim (Michael Cera) tem uma via-crucis a ser enfrentada: ele se apaixona por Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead) e para ficar com ela, tem que quebrar a cara de todos os ex-namorados e da ex-namorada dela (de sua fase “bicuriosa”, como a própria Ramona diz). Entre uma luta e outra, Scott toca com sua banda. E sim, as lutas são espetaculares, tiram o fôlego e são bem diferentes uma das outras. Fora o humor nonsense, uma lição para quem acha que saber fazer filmes de comédia. O roteiro é do diretor, Edgar Wright, e Michael Bacall, baseado na HQ homônima de Bryan Lee O'Malley. Não li a HQ, então não sei se é fiel, mas não deixa de ser um roteiro maravilhoso. Há muito caos, fantasia e emoções das mais humanas. A trilha sonora é ótima, e tem a música Scott Pilgrim, da banda Plumtree. O'Malley deu esse nome ao protagonista por adorar a banda.

A estética do filme é delirante. As poucas pessoas que tiveram e terão a oportunidade única de ver Scott Pilgrim na telona, são privilegiadas. A história é muito bem contada: sem pressa, mas com certeza de olho no seu apoio. O elenco é surpreendentemente competente. Adoro o Johnny Simmons e a Mary Elizabeth Winstead. Michael Cera é bom ator. Ele faz todo mundo rir e se emocionar de várias formas, mas eu gostaria de vê-lo num papel diferente. É impressão minha ou os personagens dele são parecidíssimos? É impressão minha ou Michael Cera é parecido com seus personagens?

Agora, eu vejo que o maior “pecado” deste filme é justamente o acerto dele (contraditório, não?): o extremismo. A equipe responsável pela feitura do filme teve muita coragem de levar essa mistura barulhenta e colorida para os cinemas – é o tipo de coisa que agrada a poucos. Parece que nem se preocupou com a bilheteria (o orçamento não foi superado), que foi, sem dúvida onde o filme decepcionou a todos, e dificultou muito sua vinda para o Brasil e outros países. O filme estreou aqui quando já estava disponível em DVD e blu-ray nos EUA. Então, agradeçamos os responsáveis pelas campanhas na web, que pediam para a Paramount lançar o filme por aqui.

Embora seja em parte (a menos importante, por sinal) um desastre, na parte restante é um acerto em cheio. Scott Pilgrim era o que faltava para mostrar que sim, um dia, nós, nerds, dominaremos o mundo.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

What the fuck have you done lately?


Wanted (O Procurado, na adaptação brasileira) lembra muito Clube da Luta. Não só pela violência e outros aspectos, mas mais pela “força” tão criticada por esses dois filmes. Uma espécie de força que deixa a humanidade inteira cabisbaixa, presa na rotina e entorpecida por ela. E Wanted é realmente radical para mostrar isso. Seus personagens são pessoas extremamente comuns, ou assassinos ultra-habilidosos que conseguem dar tiros curvos para atingir o inimigo – e isso faz parte da filosofia de vida deles. Os assassinos treinados matam alguns para poupar a vida de milhões. São eles que seguram, dessa forma, o encontro do nosso planeta com o verdadeiro caos. Todos eles são trazidos de cá, da nossa realidade chata, cheia de poluição e comidas industrializadas. E é no treinamento que eles aprendem a lição que diz que a vida vai além de tudo isso aqui.

Então, Wanted é um filme que tem como estrutura para sua trama uma teoria conspiratória. E fala, acima de tudo, da manipulação sob vários aspectos, que pode vir tanto dos bonzinhos quanto dos malvadinhos de qualquer história. Vários filmes falam sobre manipulação etc., mas este aqui tem uma abordagem diferente, assim como tudo nele é diferente de outros filmes de ação. Sabe aquela cena em câmera lenta? Ela vem no momento inesperado. Sabe aquela cena de tiroteio? É filmada nos ângulos mais imprevisíveis. O diretor Timur Bekmambetov diversas vezes usa as cenas mais clichês da forma mais incomum, e é por isso que esse filme foi dito como um daqueles que tem cenas de ação de “tirar o fôlego”: o cidadão, todo inocente, vai ver o filme pensando que é uma coisa, e quando o filme acaba, ele percebe que foi bem outra. Ele definitivamente tem sua bunda chutada.

James McAvoy, mesmo não precisando, já tem meu apoio para interpretar o Prof. X em X-Men: First Class ou qualquer personagem em qualquer filme.

Mas de qualquer forma, com ou sem violência, teorias conspiratórias e cenas de ação bem incomuns, o filme vale bastante para qualquer um que tenha interesse em conhecer o ator James McAvoy, que é o protagonista. O filme é dele. James é um ator assombrosamente talentoso. Ele interpreta Wesley Gibson, um sujeito todo cheio de probleminhas e problemões, que é execrado pela sua chefe, sua namorada o trai com seu “melhor amigo” e, ao digitar seu nome no Google, não obtém resultados. Um belo dia, Fox, interpretada pela Angelina Jolie, aparece na sua vida, o salva da morte e tudo começa a fazer mais sentido (afinal de contas, Angelina Jolie é Angelina Jolie). A participação dela foi muito questionada. Muita gente diz que ela praticamente não abre a boca no decorrer do filme. Ledo engano: a personagem de Angelina fala somente quando necessário e somente o que é necessário. Suas frases não são longas, mas fazem todo sentido e sua personagem é de uma importância que define muitos acontecimentos. O que acontece é que Fox leva Wesley para conhecer Sloan (Morgan Freeman), que lhe diz que seu pai, que o deixou na infância, foi assassinado por um membro rebelde do grupo de extermínio “A Fraternidade”, que Sloan, Fox e o pai de Wesley fazem parte. Esse grupo foi formado por tecelões há aproximadamente mil anos, e em tecidos fabricados por eles, constam códigos binários que entregam nomes de pessoas a serem executadas. Dessa forma, há um equilíbrio no mundo: como foi dito acima, matam um para poupar milhões. As vítimas são perigosas para humanidade. Agora Wesley é treinado por Fox para matar o tal agente rebelde, e esse é o seu destino. Cansado da mesmice, Wesley o aceita. Agora você diz: what the fuck? Com essa história maluca e cenas de ação mirabolantes, o filme fala sobre muitas coisas que estão debaixo do nosso nariz, e não percebemos.


Wanted é baseado na HQ homônima de Mark Millar (escritor e co-criador de Kick-Ass) e J. G. Jones, e é muitíssimo diferente do filme. Na HQ, “A Fraternidade” é um grupo gigante de vilões dos mais variados tipos. Não há nada de tecelagem. Em 1986, eles se organizam para exterminar todos os super-heróis e o conseguem. Wesley Gibson e Fox tem traços de Eminem e Halle Berry, e o pai de Wesley, de Tommy Lee Jones. Assim como no filme, há muita violência e teorias conspiratórias. A HQ é repleta de nuances do mundo underground, onde as pessoas usam drogas e fazem coisas de objetivo duvidoso apenas entre quatro paredes. No filme, os personagens seguem destinos diferentes e até personalidades diferentes eles têm. A estrutura da trama é a mesma, mas há um grande vão entre a HQ e o filme – ideia bem boa, pois a HQ é repleta de elementos que não funcionariam num filme para satisfazer pessoas que não precisam conhecer ou gostar de HQs. O filme e a HQ, cada um de sua forma, é cativante e surpreendente. Vale ver o filme e ler a HQ, não necessariamente nessa ordem: incluam-nos na sua lista de downloads. São espetaculares.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

'Breathers: A Zombie's Lament' - discussões - parte I

Esse post marca o início da tag de discussões sobre o filme Breathers: A Zombie's Lament, baseado no romance homônimo de S. G. Browne, publicado em 2009 (no Brasil não, é claro). Os direitos foram comprados pelo "braço-indie" da Fox, a Fox Searchlight. Os produtores são os aventureiros Mason Novick e Diablo Cody, responsáveis por Juno e Garota Infernal. São praticamente Batman & Robin.


Mason Novick e Diablo Cody.

Breathers é sobre um cara que morre num acidente de carro daqueles bem fodidos. Nesse acidente, sua esposa morre, sua filha fica orfã, e ele quase morre: torna-se um zumbi. E por ser um zumbi, encontra problemas em viver em sociedade, obviamente. Mais tarde ele conhece amiguinhos-zumbis que o apresentam a outros zumbis, onde ele passa a aprender mais sobre o grupo ao qual pertence e até mesmo sobre seus direitos. Já deve ter percebido que é uma sátira de horror com humor negro. Parece que o gênero está voltando do sub-sub-submundo, o que é ótimo. Só torço para que não vire algo nos "moldes-Twilight". Não é o tipo de coisa que a Fox Searchlight faria, eu acho.

Sobre a adaptação do livro para roteiro, segundo o Omelete, em fevereiro de 2009, o roteiro ficaria por conta de Geoff LaTulippe (roteirista do elogiado Amor À Distância, com Drew Barrymore). Porém, há uma pequena confusão agora. Dia 1 de setembro de 2009, o Pipoca Combo disse que o roteiro é de autoria de Geoff e Diablo. No dia seguinte, o CineClick disse que Diablo Cody assumiu o roteiro mesmo, sem citar Geoff. Enfim, sobre o roteiro em si, o jeito é aguardar, para termos mais notícias de fontes mais oficiais, de sites com nome de mais peso, como o Blooding Disgusting, por exemplo.

De qualquer forma, o Pipoca Combo, o CineClick e o Empire, entre vários outros, disseram que estão de olho em Joseph Gordon-Levitt e Scarlett Johansson para serem os protagonistas do filme. Na minha opinião seria ótimo ter os dois: ambos são talentosíssimos, e basta olhar para a capa do livro para vê-los num pôster. Nenhum deles foi confirmado e estão atrás de candidatos para a vaga de diretor. E só para ser realista: vale lembrar que a agenda dos dois vive lotada, são atores disputados entre estúdios. Caso eles realmente queiram participar do filme, provavelmente só sairá daqui um tempo. Scarlett, por exemplo, está escalada para o filme dos Vingadores, cujas filmagens nem começaram, apesar do roteiro de Joss Whedon e Zak Penn estar pronto. Joseph está envolvido em outros projetos e provavelmente será escalado para o terceiro filme do Batman pelas mãos de Christopher Nolan. O roteiro já está pronto e as filmagens agendadas. Se a Fox Searchlight tiver pressa para filmar Breathers, precisará de atores desconhecidos - o que seria bom ao mesmo tempo em que seria arriscado para a bilheteria. Sabemos que Maomés vão até o cinema ver uma ou duas montanhas.

Joseph Gordon-Levitt.

Scarlett Johansson.
É isso aí, então. Mais um filme para fazermos vigília junto com X-Men: First Class.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Who the fuck is Jane Goldman?

[Atualização: 12/6/2014, às 21h28 – texto revisado]

(Foto: The Times Magazine/Reprodução)

Não se pode negar que Jane Goldman também é conhecida por ser esposa de um dos nerds mais respeitados deste planeta: o apresentador de talk-show Jonathan Ross. Ela tem também suas marcas registradas: um volumoso par de seios e cabelo vermelho numa tonalidade de lápis-de-cor da Faber-Castell, que sempre chamam atenção nas aparições do casal em eventos. Mas seria injusto reduzir Jane a esses rótulos, o que acontece frequentemente na internet. Porque além do marido, dos seios e do cabelo, ela é roteirista e produtora de filmes, e escritora, além de já ter trabalho como jornalista (e ex-apresentadora de tevê e ex-modelo de sutiãs para a Fantasie, diga-se de passagem).

Jane é londrina e nasceu em 1970. Ela vive na cidade até hoje, em um casarão com vários animais de estimação exóticos, seu marido e os três filhos que teve com ele. Ela sempre quis escrever e por isso foi enviada, aos 13 anos de idade e por vontade própria, à uma universidade para tirar suas "O levels" em jornalismo. Conheceu Ross aos dezesseis, enquanto trabalhava como colunista para o tabloide Daily Star. Eles iniciaram um namoro e casaram-se dois anos mais tarde.

 Jane Goldman e Jonathan Ross na première de Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte, em 2011. (Foto: Aceshowbiz/Reprodução)

Colunista, escritora e apresentadora

Jane deixou o tabloide quando percebeu a incoerência que havia em trabalhar lá. Fotos com seu marido eram roubadas de sua mesa e colocadas na primeira página do jornal. Na década de 1990, ela escreveu para revistas de games como Zero, Sega Zone e Game Zone.

Em 93, veio o primeiro livro, Thirteen-Something, que também é o primeiro de uma série do gênero young adult ("jovens adultos", traduzindo) repleta de dicas e sábios conselhos para adolescentes. Três anos depois (ao mesmo tempo em que participava junto de seu marido no conto The Facts in the Case of the Departure of Miss Finch, de Neil Gaiman, amigo dos dois), veio Streetsmarts: A Teenagers Safety Guide. Já em 97, três livros de Jane foram publicados: o terceiro YA, Sussed and Streetwise, e os dois volumes de The X-Files Books of the Unexplained, sobre o seriado Arquivo-X. Esses dois tornaram-se best-sellers e permaneceram um bom tempo em listas de livros mais vendidos. O livro seguinte foi publicado três anos mais tarde: Dreamworld (foto), romance de suspense sobre uma jovem policial que investiga um assassinato que acontece num parque de diversões. A ideia veio quando Jane e Jonathan, numa visita à Disneylândia, foram levados aos túneis subterrâneos do parque por um funcionário. O livro foi elogiado e hoje tem status de cult following.


O momento em que Jane começou a ser mais conhecida pelo público é uma das curiosidades mais intrigantes sobre sua carreira. Ela apresentou, entre 2003 e 2004, no canal Sky Living, um programa sobre investigação paranormal que levava seu próprio nome: Jane Goldman Investigates (foto acima). Casos de possessão, poltergeists, conversas com mortos, rituais de bruxaria – interesses assumidos da apresentadora – eram objetos de investigação dela. Jane também já disse que é mais reconhecida pelo seu programa do que pelos seus livros.

Em 2007, ela publicou outro livro. Do The Right Thing é o mais recente da série de guias para adolescentes. Desde então, a autora vem trabalhado com roteiros.

Roteirista

 Jane no set de Stardust com o ator Mark Strong. (Foto: Neil Gaiman's Journal)

Da escrita de livros, Jane pulou para a escrita de roteiros. Foi uma das roteiristas da sit-com de curta duração Baddiel’s Syndrome, em 99. Mas sua grande oportunidade veio alguns anos mais tarde, quando o cineasta Matthew Vaughn conseguiu os direitos de adaptação do romance Stardust, de Neil Gaiman. Vaughn precisava de alguém para trabalhar junto dele no roteiro. Foi quando Gaiman lhe apresentou Jane. O diretor e a escritora se tornaram amigos. Juntos, escreveram a adaptação de Stardust, que estreou em 2007. O filme se saiu bem nas bilheterias, na crítica e no público. Jane e Matthew levaram para casa o Hugo Award na categoria de “Best Dramatic Presentation, Long Form”.

A parceria já estava formada, mas só o projeto seguinte levou os dois para o reconhecimento universal: Kick-Ass, adaptação da HQ homônima de Mark Millar e John Romita Jr. O processo de produção e distribuição foram bem difíceis (mesmo com o nome de Brad Pitt na lista de produtores) devido à violência no filme. Mesmo com dificuldades, como orçamento limitado e diversas portas fechadas, Kick-Ass saiu em 2010, teve um desempenho morno nas bilheterias e recebeu elogios rasgados da crítica. A qualidade da obra trouxe à tona de uma vez por todas a competência da dupla. Vieram indicações ao British Independent Film Awards nas categorias de melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro adaptado, entre indicações a outros prêmios. Tornaram-se o novo alvo dos produtores da indústria cinematográfica. Kick-Ass tornou-se um novo clássico cult mesmo antes de seu blu-ray chegar às lojas. Jane foi co-produtora do filme.

Uma curiosidade: em entrevista de divulgação do filme, ela falou sobre a parceria com Vaughn que “ele é o arquiteto” e ela faz o “trabalho de construção e de decoração interna”.

A fama pós-Kick-Ass

Jane Goldman e Matthew Vaughn no Empire Awards de 2010. (Foto: blog What's On the Media/Reprodução)

Depois deste feito, a dupla começou a colher seus frutos. Eles trabalharam novamente com uma adaptação. Junto de Peter Straughan, levaram para a língua inglesa o filme iraniano HaHov: The Debt foi lançado em 2011 e teve bom recebimento da crítica (chegou no Brasil direto em DVD como A Grande Mentira, só no ano seguinte).

Em seguida, veio X-Men: Primeira Classe. Vaughn aceitou ser diretor no projeto e levou Jane junto dele para a nova empreitada. Ambos escreveram a versão final do roteiro que já havia sido feito por Ashley Edward Miller e Zack Stentz (de Thor). A estreia foi em 2011, com direito a bom desempenho na bilheteria e mais elogios da crítica. Hoje, ele é considerado um dos melhores "X-filmes". A dupla ajudou o roteirista Simon Kinberg a elaborar a trama da sequência, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, lançada em 2014.

Em 2012, veio a primeira experiência solo de Jane como roteirista: A Mulher de Preto é uma adaptação do romance de mesmo nome de Susan Hill. A produção é da Hammer Film, casa de clássicos do horror inglês, que recentemente reabriu suas portas e retomou as atividades. Mais uma vez, vieram elogios da crítica e bom faturamento na bilheteria.

Em outubro de 2014, estreia mais uma parceria de Jane e Vaughn: O Serviço Secreto (Kingsman: The Secret Service), baseado no quadrinho do trio Mark Millar, Dave Gibbons e do próprio Vaughn.

Um dos projetos engatilhados de Jane é Dan Leno and the Limehouse Golem, baseado no romance de Peter Ackroyd. A produção é da Number 9 Films, com a Film4 e a UK Film Council. Conversando com fãs pelo Twitter, Jane comentou que está muito feliz, pois o livro é "maravilhoso" e ela "sempre quis adaptá-lo, mas alguém tinha os direitos" antes dessa oportunidade. Disse também que Dan Leno é um de seus livros prediletos e que ele é "magnético e atmosférico". Outro filme interessante é a adaptação do quadrinho de ficção científica Nonplayer, escrito e desenhado por Nate Simpson. Aqui, a produção fica por conta da Warner Bros.

Hoje

Ao contrário dos filmes, os livros que Jane Goldman escreveu tiveram mais sucesso em sua casa, na Inglaterra. Foram traduzidos para alguns países, mas nunca para o Brasil. O que a carreira como roteirista de Jane pode fazer é mudar essa situação. Seus livros poderiam ganhar novas edições. Ou ela poderia escrever outros. Uma vez que seus roteiros são tão intrigantes e bem amarrados, talvez seus livros sejam tão bons quanto. (No caso de Dreamworld, lido pelo blogueiro que vos escreve, esses pontos são marcados.)

O fato é que Jane está alcançando cada vez mais a fama que merece Suas obras não são simplesmente fábricas de fãs-que-aparentam-ter-algum-tipo-de-retardamento-mental (estou falando de vocês, fanáticos pela saga Crepúsculo). Elas sempre têm uma estrutura, um desenvolvimento e um significado firmes. Roteiristas não recebem tanta atenção da mídia, mas pelo menos entre quem trabalha na indústria, eles sempre são caçados e observados. Se seguirmos essa linha de raciocínio, Jane já pode ser considerada uma roteirista em alta.

E que venha mais livros e roteiros da mulher de cabelo incrivelmente vermelho. Quem aprecia seu talento está no aguardo.

sábado, 24 de julho de 2010

Cores berrantes, violência e destruição

Filme de produção difícil, Kick-Ass é anárquico ao mesmo tempo em que é apaixonante

 (Foto: Lionsgate Films)

Não é sempre que o cinema expele por sua uretra pérolas como Kick-Ass – Quebrando Tudo (Kick-Ass, EUA, 2010). Dirigido por Matthew Vaughn, que escreveu o roteiro junto de seu braço-direito Jane Goldman, baseando-se na HQ homônima de Mark Millar e John Romita Jr., Kick-Ass é o tipo de filme adaptado dos quadrinhos que se encontra na mesma linhagem de Watchmen, Sin City, Batman – O Cavaleiro das Trevas etc. Engajado em si mesmo, desinteressado em moralismo, extremamente violento, uma bomba atômica de emoções. Quem assiste ao trailer pode pensar que o filme é bem menos que isso.

 Em boa atuação, Aaron Johnson é o herói atrapalhado mas de grande coração. (Foto: divulgação)

Mas para começar de um bom ponto, vamos à sinopse: o adolescente Dave Lizewski (interpretado muito bem por Aaron Johnson, o John Lennon de Nowhere Boy) quer achar um meio de expressar sua insatisfação por seu banal cotidiano. Fã de histórias em quadrinhos, perfeito nerd, decide comprar pela internet uma roupa de mergulho no mínimo ridícula para se tornar o herói “Kick-Ass”. Dave toma muitas surras, mas se torna uma celebridade da Internet. Esse fator liga o filme à nossa realidade de forma bem adorável: o que você acharia de ver no YouTube o vídeo de um cara que quer bancar o super-herói? O que você faria se visse alguém sendo assaltado? Ligaria para a polícia? Impediria? Este filme trabalha com isso: o altruísmo do ser humano é genuíno o suficiente para haver nele, mesmo que bem escondidinho, um super-herói? Mais tarde, Dave conhece os verdadeiros vigilantes: os brilhantes Big Daddy (Nicolas Cage) e sua filhinha Hit-Girl (Chloë Grace Moretz, ótima). Os três acabam se envolvendo num grande esquema do mafioso Frank D’Amico (Mark Strong). O único ator que não funciona é Christopher Mintz-Plasse, que faz papel do Red Mist, filho de D’Amico. É um desperdício de personagem, pois Mintz-Plasse não dá conta do recado.

 Nicolas Cage e Chloë Grace Moretz são Big Daddy e Hit-Girl, respectivamente. Duas das grandes surpresas do filme. (Foto: divulgação)

Antes mesmo da aguardada estreia de Kick-Ass, muita polêmica já envolvia a produção do filme. Matthew Vaughn quis ser fiel à HQ. Foi isso o que ele fez – e é exatamente esse o motivo pelo qual o filme foi desenvolvido de forma independente. Mais difícil ainda foi conseguir uma distribuidora. Nem o nome do Brad Pitt na lista de produtores ajudou muito. As distribuidoras, segundo o que Vaughn disse em entrevista ao Omelete, queriam “podar o filme”. Uma chegou a pedir para o diretor retirar todas as cenas da Hit-Girl e refilmá-las, fazendo dela uma garota de 16 anos, já que a retratada original tem aproximadamente 12 anos, é uma assassina impiedosa e fala palavrão. O entrevistador Érico Borgo perguntou: “Você foi rejeitado por alguns programas de financiamento. Tem algum conselho quanto a isso?”. Vaughn respondeu: “Acredite no seu roteiro e mande todos se foderem.” (sic) Não é à toa que ele e Jane Goldman ganharam carta branca da 20th Century Fox para fazerem X-Men: First Class, que estreia ano que vem. Será a terceira vez que Vaughn e Goldman trabalham juntos. A primeira vez foi com o bem sucedido Stardust - O Mistério da Estrela, baseado no romance de Neil Gaiman.

Atualmente Mark Millar e John Romita Jr. trabalham no segundo volume da HQ: Kick-Ass – Balls to the Wall, cuja adaptação para o cinema, é claro, já foi confirmada, e com o envolvimento de Matthew Vaughn. E isso é ótimo.


sábado, 17 de abril de 2010

Horror é para poucos

Roteirista de Juno conseguiu a proeza de decepcionar mídia com um filme realmente bom


Diablo Cody é a ex-stripper que ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original em 2008 por Juno, que na época foi a grande sensação entre os cinéfilos de plantão. O que ninguém esperava é que em seu segundo filme, Diablo usaria de forma diferente as mesmas ferramentas para criar Jennifer’s Body (Garota Infernal, na adaptação brasileira), um longa-metragem que mistura horror com humor negro.

Sobre a roteirista, seria de ímpar importância dizer que ela por si só é talentosa e realmente excêntrica (assim como sua obra) e sua história de vida é bem intrigante: o verdadeiro nome dela é Brook Busey, e ela não gosta nem um pouco disso. Cansada da mesmice, Brook, que trabalhava numa empresa como secretária (emprego que lhe garantiu visitas a sites pornôs quando surgia oportunidade), rasgou a saia e decidiu ser stripper: aí que ela adotou o pseudônimo “Diablo Cody”.

O tal livro. Publicado no Brasil pela Nova Fronteira.

Diablo, que é uma boa nerd, interessada em filmes, música, livros e quadrinhos, sempre gostou de escrever. Ela tinha um blog sobre a indústria do sexo chamado Pussy Ranch, e foi através desse blog que o produtor de filmes Mason Novick a conheceu e lhe enviou um e-mail perguntando se já havia pensado em escrever algum roteiro. Diablo achou que Mason era algum cara maluco e não deu tanta atenção a ele no começo. Quando Diablo enviou a Mason o livro que ela havia escrito sobre suas experiências como stripper, Candy Girl: A Year In The Life Of An Unlikely Stripper, Mason tratou de arranjar para ela um editor, que lhe garantiu o lançamento do livro, que acabou se tornando bem recebido pela crítica, que acabou fazendo Diablo sentar-se para uma entrevista no sofá de David Letterman. Simples assim. E não houve escapatória. Mason Novick recebeu o roteiro de Juno e não descansou enquanto não o viu nas telonas. A partir daí você já sabe.

Diablo e seu Oscar: primeiro carinho, depois porrada da mídia mundial.

Jason Reitman, o diretor de Juno, Mason Novick e Diablo tornaram-se algum tipo de “trio parada dura”, realmente interessados em fazer filmes malucos. Numa conversa que pode ser vista no YouTube com Brendon Urie, o vocalista da banda Panic! At The Disco, que está na trilha sonora de Jennifer’s Body, Diablo disse que uma vez sabendo que poderia escrever roteiros, poderia escrever um filme de horror, gênero que sempre amou. Aí entra Jennifer’s Body, dessa vez com a diretora de Aeon Flux e Girlfight, Karyn Kusama, no comando. Muita gente ficou na espera pelo filme, isso é fato. A estreia nos EUA foi no dia 18 de setembro e não foi todo mundo que gostou. A crítica, obviamente decepcionada, não contribuiu com suas estrelas e entre a garotada, nem todos viram o que esperavam ver. Bilheteria? Fracasso. Aqui no Brasil, nem um mês em cartaz nos cinemas.

É a saudade de Juno. Pois em Jennifer’s Body, Diablo Cody fez um trabalho sombrio, sangrento, visual, “atmosférico” (como ela própria define) e com humor negro rude o suficiente para ofender os ouvidos mais sensíveis. Karyn Kusama segura a câmera com muita firmeza, algumas vezes fazendo enquadramentos um tanto quanto estranhos, o que contribui para a consistência do filme. Lembrem-se de que existe um grande vão entre o gênero terror e o gênero horror. Esse segundo não explora nenhuma relação sólida com um padrão de qualidade. Por outro lado, essa história é antiga. O gênero do horror sempre foi socialmente esculhambado.

O interessante de Jennifer’s Body é o feminismo colegial, considerando a adolescência como tema preferido de Diablo Cody. Esse seu segundo filme fala sobre uma líder de torcida interpretada por Megan Fox, que consegue nada mais, nada menos que um demônio em seu corpo que lhe dá fome de garotos. Então ela sai por aí os devorando. Sua melhor amiga, Needy, vai atrás dela, tentando impedir o massacre. Entre as duas, uma relação um tanto complexa e quase sexual é dissecada e encerrada com chave de ouro.

Jennifer com o capeta no corpo: em ‘Transformers’, Megan Fox não convence tão bem como aqui.

Com diálogos memoráveis, Jennifer’s Body vai deixar muitos fãs da não-mais extinta banda Hole com a pulga atrás de orelha, por esse ser um filme cujo título é uma menção à música homônima da banda, e por uma cena em especial de lamber os beiços. Detalhe: esse filme é repleto delas.

O papel de Jennifer cai como uma luva em Megan Fox. O restante do elenco é composto pela excelente Amanda Seyfried, o curioso Johnny Simmons, e J. K. Simmons, que também está em Juno, e aqui em um papel um tanto quanto instigante. A trilha sonora é bem definida, aproxima ao filme os adolescentes de hoje através das músicas escolhidas por pessoas que um dia foram adolescentes e fizeram um filme usando nós, a nova geração, como pano de fundo.

Passada a breve maré de inquietação, o DVD e o Blu-ray de Jennifer’s Body saíram nos EUA dia 29 de dezembro e já estão nas locadoras do Brasil. Esse ano foi oficializada uma nova produção com roteiro original de Diablo Cody: o Young Adult. Tornou-se prioridade da Mandate Pictures. Vamos ver no que vai dar.

---

O trailer mais legal é o restrito:



---

Essa resenha é MINHA. Não copie. Se copiar, sofrerá as conseqüências. E com trema.