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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Melhores filmes que vi em 2014

Prepare-se para anotar alguns títulos na sua lista de “preciso ver” (ou discordar de mim e atirar frutas podres). Boa leitura!


Homer e Barney assistindo à Guardiões da Galáxia (ou não) (Imagem: reprodução internet)

Seguindo a tradição, aqui está a lista de melhores filmes que vi no já-perto-de-acabar 2014. Trata-se da terceira seleção publicada pelo blogueiro que vos escreve e torra a paciência (aqui está a lista de 2013 e a de 2012).

Os critérios são simples: todos os filmes citados eram inéditos para mim, ou seja, não são necessariamente estreias deste ano; data e gênero não são empecilhos; a lista segue a ordem em que os filmes foram vistos; a intenção é levantar conversas (amigáveis, per favore) e troca de sugestões de títulos.

Tcharã:

À Procura do Amor (Enough Said, 2013; de Nicole Holofcener)
O Amor Não Tem Sexo (Prick Up Your Ears, 1987; de Stephen Frears)
Blue Jasmine (2013; de Woody Allen)
Razão e Sensibilidade (Sense and Sensibility, 1995; de Ang Lee)
Cova Rasa (Shallow Grave, 1994; de Danny Boyle)
12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave, 2013; de Steve McQueen)
Nebraska (2013; de Alexander Payne)
Philomena (2013; de Stephen Frears)
O Dia que Durou 21 Anos (2012; de Camilo Tavares)
Capitão América 2: O Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier, 2014; de Anthony Russo e Joe Russo)
O Homem Duplicado (Enemy, 2013; de Denis Villeneuve)
Refém da Paixão (Labor Day, 2013; de Jason Reitman)
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (X-Men: Days of Future Past, 2014; de Bryan Singer)
Segredos e Mentiras (Secrets & Lies, 1996; de Mike Leigh)
Fim de Caso (End of the Affair, 1999; de Neil Jordan)
This Is England (2006; de Shane Meadows)
Chumbo Grosso (Hot Fuzz, 2007; de Edgar Wright)
Heróis de Ressaca (The World’s End, 2013; de Edgar Wright)
Filhos da Esperança (Children of Men, 2006; de Alfonso Cuarón)
Persona: Quando Duas Mulheres Pecam (Persona, 1966; de Ingmar Bergman)
Crumb (1994; de Terry Zwigoff)
Sob a Pele (Under the Skin, 2013; de Jonathan Glazer)
O Romance de Morvern Callar (Morvern Callar, 2002; de Lynne Ramsay)
Nu (Naked, 1993; de Mike Leigh)           
Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan (Star Trek II: The Wrath of Khan, 1982; de Nicholas Meyer)         
Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road, 2008; de Sam Mendes)
Últimas Palavras (Divorcing Jack, 1998; de David Caffrey)         
Rede de Intrigas (Network, 1976; de Sidney Lumet)      
Um Peixe Chamado Wanda (A Fish Called Wanda, 1988; de Charles Crichton e John Cleese)
Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, 2014; de James Gunn)
Ônibus 174 (2002; de José Padilha e Felipe Lacerda)      
Garotos de Programa (My Own Private Idaho, 1991; de Gus Van Sant)              
Origem Secreta: A História da DC Comics (Secret Origin: The Story of DC Comics, 2010; de Mac Carter)
Marcas da Violência (A History of Violence, 2005; de David Cronenberg)            
Ladrão de Casaca (To Catch a Thief, 1955; de Alfred Hitchcock)
Garota Exemplar (Gone Girl, 2014; de David Fincher)   
Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot, 1959; de Billy Wilder)  
Precisamos Falar sobre o Kevin (We Need to Talk About Kevin, 2011; de Lynne Ramsay)            
O Pequeno Fugitivo (Little Fugitive, 1953; de Ray Ashley, Morris Engel e Ruth Orkin)
Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1 (The Hunger Games: Mockingjay – Part 1, 2014; de Frances Lawrence)
Azul É a Cor Mais Quente (La vie d’Adèle, 2012; de Abdellatif Kechiche)              
Boyhood – Da Infância à Juventude (Boyhood, 2014; de Richard Linklater)       
Frank (2014; de Lenny Abrahamson)  
Monty Python – O Sentido da Vida (The Meaning of Life, 1983; de Terry Jones e Terry Gilliam) (Atualização: dia 28/12, às 20h49)


Vale destacar:

Boyhood


Patricia Arquette e Ellar Coltrane em cena (Imagem: Divulgação)

Em tempos de superioridade da tevê em criatividade e conteúdo, este drama independente reafirma as características únicas do cinema como mídia sem-igual para contar histórias.
Diretor e roteirista, Richard Linklater retrata aqui o crescimento do garoto Mason (vivido por Ellar Coltrane) ao longo de 12 anos, mesmo período de tempo em que o longa foi rodado. Um curta-metragem de dez a 15 minutos foi feito por ano. Cada peça relata um ano na vida de Mason e sua família, composta pelos pais divorciados (Patricia Arquette, em linda atuação, e Ethan Hawke, ótimo) e a irmã mais velha (Lorelei Linklater, filha do diretor).

A edição dos curtas num único filme rendeu um dos títulos mais peculiares dos últimos anos – e impulsionou Linklater a seu ápice. Filhote do cinema indie norte-americano, o prolífico diretor tem sido um de seus principais representantes. Desde sua ascensão com Jovens, Loucos e Rebeldes (1993), até a ótima trilogia composta por Antes do Amanhecer (1995), Antes do Pôr-do-Sol (2004) e Antes do Anoitecer (2013). A semelhança da trilogia com Boyhood: cada filme retrata um dia na vida de um casal (Julie Delpy e Hawke, frequentes colaboradores do cineasta) ao longo de duas décadas. As mudanças trazidas pelo tempo, elemento sempre implacável e fundamental nas narrativas, dão diversas texturas aos personagens e às situações vividas por eles.

O sigilo da produção de Boyhood foi quebrado apenas quando o filme começou sua maratona de festivais. A surpresa foi geral. O drama é simples e conciso para mostrar a família Evans em suas diversas fases: mudança de casa, ida à faculdade, o término dos casamentos da mãe etc. Outra característica notável do longa é dar indícios temporais através de referências à cultura pop: “Yellow”, do Coldplay toca no início, complementando o lindo plano de um céu azul. Mason assiste à Dragon Ball Z em outro momento. A família vai à livraria comprar Harry Potter e o Enigma do Príncipe numa cena. Arcade Fire, The Hives e Wilco, entre outros, aparecem na extensa (e ótima) trilha sonora.

Crítica e público estão em polvorosa com Boyhood. No site Metacritic, que agrega conceitos do mundo todo, ele é o primeiro filme do século 21 a obter cem, o consenso máximo. Depois ter ganho vários prêmios no Festival de Berlim de 2014, incluindo o de melhor diretor, Boyhood é título frequente em diversas categorias de premiações, como Globo de Ouro, Screen Actors Guild e Independent Spirit. Até agora, parece ser um dos competidores de mais peso. Muito provavelmente dará as caras no Oscar e no Bafta.

No entanto, com ou sem prêmios debaixo do braço, Boyhood está propício a entrar para a história do cinema. Seria uma pena se não o fizesse – trata-se de um de seus momentos mais radiantes.


Garota Exemplar

Ao ver este brilhante thriller, tive aquela rara sensação de ter meu “chão de espectador” tirado de mim. Isso se deve à engenhosidade de Gillian Flynn, autora do livro homônimo que rendeu o filme e roteirista responsável pela adaptação. Embora eu ainda não tenha lido o romance (que chegará aqui em casa em breve, pois o comprei esses dias), só de ver Garota Exemplar ficou perceptível para mim como Flynn sabe atravessar a ponte entre a escrita em prosa e a escrita de roteiros de cinema – ou seja, aquela que serve à narrativa audiovisual. Pelo simples motivo de o roteiro ser enxuto e funcional.

Reviravoltas, absurdos e humor ácido estão muito bem embalados pelo diretor David Fincher – aquele mesmo sujeito que fez seu cérebro ter curtos-circuitos com Clube da Luta (1999) e A Rede Social (2010), por exemplo.

Veja Garota Exemplar, mas evite ler sinopses e críticas antes. Você vai se surpreender. Confie em mim. Observe bem a interpretação nuançada de Rosamund Pike. E caso já tenha lido o livro, fique tranquilo, pois a autora mudou o fim na adaptação. Desta forma, cada um tem sua identidade. Assim, você pode se surpreender duas vezes, graças à tal engenhosidade de Gillian Flynn.


Nu

Hilário, dramático e, por vezes, chocante. Eu já conhecia o diretor e roteirista Mike Leigh, figuraça do cinema indie britânico, pelo tocante e otimista Simplesmente Feliz (2008). Mas em Nu, Leigh se põe no outro extremo: o do pessimismo e do humor negro. Na interpretação masculina mais marcante que vi neste ano, David Thewlis é um sujeito que: 1) foge da polícia após estuprar uma mulher; 2) carrega consigo um leque de teorias apocalípticas e sobre a existência humana; 3) invade a casa de uma conhecida e destrói a rotina compartilhada pelas personagens que vivem ali. Thewlis transita entre diferentes matizes de humor, tragédia e esquisitice com eficiência. Merecidos prêmios de melhor ator e diretor no Festival de Cannes de 1993.

Assisti também ao estupendo Segredos e Mentiras, trabalho de Leigh seguido de Nu, lançado três anos depois. Me surpreendi novamente com Thewlis na comédia Últimas Palavras, de David Caffrey.

Leigh segue na minha lista de diretores a serem explorados; Thewlis é meu ator do ano.


À Procura do Amor

Eu já havia colocado dois filmes de Nicole Holofcener na lista do ano passado: Sentimento de Culpa (2010) e Walking and Talking (1996). Me pareceu natural continuar a conhecer a filmografia desta sensível e bem humorada cineasta (que também é um dos expoentes do cinema indie dos Estados Unidos). O perspicaz À Procura do Amor tem os elementos frequentes nas tramas de Holofcener: envelhecimento, relacionamentos, dúvidas sobre o futuro. (Isso não significa que ela cai no óbvio, pois a diretora sempre entrega histórias que esbanjam frescor.) A sempre ótima Julia Louis-Dreyfus aqui interpreta uma mãe solteira de meia-idade que se envolve com um homem idem, interpretado lindamente pelo já falecido James Gandolfini. Algumas coincidências tecem uma cama-de-gato que rende boas risadas e reflexões. É Nicole Holofcener em sua melhor forma. As sempre competentes Catherine Keener e Toni Collette também estão no elenco.


X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

Ainda sou do time de X-Men: Primeira Classe (2011), que para mim, é o melhor filme dos mutantes da Marvel, um dos melhores baseados em quadrinhos de super-heróis, e líder das ótimas ficções científicas que Hollywood tem entregado nos últimos anos.

No entanto, é inegável que em Dias de um Futuro Esquecido, os personagens e suas histórias têm outro ótimo momento no cinema. Bryan Singer voltou ao posto de diretor para mostrar quem manda na bagaça – e fez isso muito bem. Singer é especialista em tramas sustentadas por vários personagens, drama, ação e efeitos especiais. Tudo isso está em alta no novo X-Men.

Ainda lamento que Matthew Vaughn, diretor de Primeira Classe, não tenha permanecido no posto para realizar uma sequência ao lado de Jane Goldman, roteirista e braço-direito dele. Mas a (minha adorada) dupla dinâmica permaneceu para elaborar a história ao lado de Singer (não creditado) e do roteirista Simon Kinberg, num complemento à visão de Singer. O resultado é, mais uma vez, um blockbuster dos bons. Mais pontos positivos para a ótima passagem dos X-Men pelas telonas.


Guardiões da Galáxia


Uma bola curva e tanto. Desde a iniciativa da Marvel Studios de levar para o cinema um de seus títulos marginais, até a escolha de James Gunn para tomar frente do projeto. Gunn começou sua carreira trabalhando em filmes B da Troma Entertainment, e depois continuou com realizações peculiares e de baixo orçamento, como Super (2010) e Seres Rastejantes (2006). Um diretor bastante esquisito e underground para um blockbuster da Marvel. Mas Gunn concebeu uma ficção científica visualmente impecável, divertida e empolgante. É o ápice do universo Marvel no cinema.



A lista deste ano não é tão extensa quanto as anteriores, pois séries, minisséries e filmes de tevê foram meu foco em 2014. Foi difícil fugir desse universo.

Para ano que vem, há incontáveis estreias no meu radar. Os novos Star Wars e Vingadores, e lançamentos pendentes no Brasil como Grandes Olhos, de Tim Burton, e Sr. Turner, de Mike Leigh, são alguns exemplos. Aí vão os trailers.



  

Então é isso. Feliz ano novo! Nos esbarramos por aí. E bons filmes!

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Melhores filmes que vi em 2013

Cinéfilo que é cinéfilo e tem mania de organização gosta de fazer listas também

Decidi dar continuidade a minha ideia de elencar os melhores filmes que vejo no decorrer de cada ano. A primeira lista foi lançada em dezembro passado (você pode baixá-la aqui) e a de 2013 acaba de sair do forno.

Os filmes estão listados de acordo com a ordem cronológica em que eu os assisti. Eles são de diferentes épocas e gêneros, o que mostra bastante do meu gosto cinematográfico pessoal. Além de suas qualidades num todo, os títulos que entraram na lista têm pelo menos um aspecto que me pareceu ser excepcional. E assim como na de 2012, há filmes que vão fazer algumas pessoas pensar “Nossa, você nunca tinha visto esse aqui antes?!”. Às vezes isso faz eu me sentir um cinéfilo incompetente, mas minha resposta é a mesma: antes tarde do que nunca!

Pronto? Aí vai:

Chuck & Buck (2000; de Miguel Arteta)
Martha Marcy May Marlene (2011; de Sean Durkin)
Negócio Arriscado (Risky Business, 1983; de Paul Brickman)
Sentimento de Culpa (Please Give, 2010; de Nicole Holofcener)
Indiana Jones e a Última Cruzada (Indiana Jones and the Last Crusade, 1989; de Steven Spielberg)
Fuga no Século 23 (Logan’s Run, 1976; de Michael Anderson)
Laços de Ternura (Terms of Endearment, 1983; de James L. Brooks)
A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no kamikakushi, 2001; de Hayao Miyazaki)
Amor (Amour, 2012; de Michael Haneke)
Mobília Mínima (Tiny Furniture, 2010; de Lena Dunham)
A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty, 2012; de Kathryn Bigelow)
O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook, 2012; de David O. Russell)
Comic-Con Episode IV: A Fan’s Hope (2011; de Morgan Spurlock)
007: Operação Skyfall (Skyfall, 2012; de Sam Mendes)
Argo (2012; de Ben Affleck)
O Mestre (The Master, 2012; de Paul Thomas Anderson)
O Impossível (Lo imposible, 2012; de J.A. Bayona)
O Piano (The Piano, 1993; de Jane Campion)
As Sessões (The Sessions, 2012; de Ben Lewin)
Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos (1999; de Marcelo Masagão)
Procurando Encrenca (Flirting with Disaster, 1996; de David O. Russell)
Disque M para Matar (Dial M for Murder, 1954; de Alfred Hitchcock)
Janela Indiscreta (Rear Window, 1954; de Alfred Hitchcock)
Amor pra Cachorro (Year of the Dog, 2007; de Mike White)
A Morte do Demônio (Evil Dead, 2013; de Fede Alvarez)
Distrito 9 (District 9, 2009; de Neill Blomkamp)
Primavera para Hitler (The Producers, 1967; de Mel Brooks)
O Jovem Frankenstein (The Young Frankenstein, 1974; de Mel Brooks)
Além da Escuridão – Star Trek (Star Trek Into Darkness, 2013; de J.J. Abrams)
Meu Irmão Quer se Matar (Wilbur Wants to Kill Himself, 2002; de Lone Scherfig)
Sherrybaby (2006; de Laurie Collyer)
Akira (1988; de Katsuhiro Ohtomo) (Atualização: dia 07/01/2014, às 15h38)
Três é Demais (Rushmore, 1998; de Wes Anderson)
Vivendo no Abandono (Living in Oblivion, 1995; de Tom DiCillo)
O Grande Lebowski (The Big Lebowski, 1998; de Joel & Ethan Cohen)
Byzantium (2012; de Neil Jordan)
Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo’s Nest, 1975; de Miloš Forman)
Gravidade (Gravity, 2013; de Alfonso Cuarón)
Segredos de Sangue (Stoker, 2013; de Chan-wook Park)
Laura: a Voz de uma Estrela (Little Voice, 1998; de Mark Herman)
Walking and Talking (1996; de Nicole Holofcener)
Frances Ha (2012; de Noah Baumbach)
Antes da Meia-Noite (Before Midnight, 2013; de Richard Linklater)
Os Suspeitos (Prisoners, 2013; de Dennis Villeneuve)
Em Transe (Trance, 2013; de Danny Boyle)
Monty Python em Buscar do Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail, 1975; de Terry Gilliam e Terry Jones)
Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire, 2013; de Francis Lawrence) (Atualização: dia 28/12/2014, às 20h59)
O Lugar Onde Tudo Termina (The Place Beyond the Pines, 2012; de Derek Ciafrance)
Minha Vida de Cachorro (Mitt liv som hund, 1985; de Lasse Hallström)
Silkwood – O Retrato de uma Coragem (Silkwood, 1983; de Mike Nichols)
Italiano para Principiantes (Italiensk for begyndere, 2000; de Lone Scherfig)
Jane Eyre (2011; de Cary Fukunaga) (Atualização: dia 02/01/2014, às 0h23)

Menções honrosas:

Frances Ha. Sem dúvida, o filme que mais me agradou em 2013. Posso me acabar em elogios aqui, mas me parece que nenhum vai fazer jus ao que quero dizer sobre ele. É por essas e outras razões que Noah Baumbach continua sendo um dos meus diretores prediletos. Ele já havia me fisgado quando vi A Lula e a Baleia (2005) pela primeira vez e depois em Margot e o Casamento (2007). Vi outros filmes dele, mas só Frances Ha aqueceu mi corazón como esses outros dois fizeram. Espero que Greta Gerwig, protagonista e corroteirista ao lado de Baumbach, continue seu ótimo trabalho tanto na frente das câmeras quanto atrás delas. E que não se torne uma segunda Zooey Deschanel: sem versatilidade, presa a papéis sempre semelhantes, atuações idem e um gasto título de “musa indie”.

Mickey Sumner e Greta Gerwig em cena de Frances Ha (Imagem: divulgação)

Sentimento de Culpa e Walking and Talking, sem dúvida, são dignos de uma textura própria nesta lista. Ambos têm aquela simplicidade e honestidade de filmes independentes, mas o diferencial deles é o nome da Nicole Holofcener, uma das figuras mais relevantes do cinema indie dos Estados Unidos, nos créditos de roteiro e direção. Com muito bom humor e sensibilidade, Holofcener aborda temas como envelhecimento, relacionamentos e opiniões sobre a vida. E sempre com Catherine Keener no elenco também, é claro.

A ótima atuação de Catherine Keener é um dos pontos altos de Sentimento de Culpa. Na foto, ela e Oliver Platt (Imagem: divulgação)

O Piano merece ser citado. Poucos filmes que vi são tão impactantes e poéticos como esse. Jane Campion acerta em cada aspecto da obra, até hoje encarada como a mais importante de sua filmografia. O roteiro aparenta ter sido escrito meticulosamente, enquanto a ótima Holly Hunter entra com delicadeza e precisão na personagem principal. Michael Nyman compôs para ela uma das mais belas trilhas que já ouvi. O crítico Roger Ebert acertou também ao escrever em sua resenha que O Piano “[é] um daqueles raros filmes que não se embasam apenas na trama ou em alguns personagens, mas em todo um universo de sentimentos”.

Holly Hunter e Anna Paquin em O Piano. No Oscar de 1994, as duas ganharam o prêmio de melhor atriz e melhor atriz coadjuvante, respectivamente. Paquin tinha apenas 11 anos e se tornou a segunda ganhadora mais jovem do Oscar. Jane Campion levou a estatueta de melhor roteiro original (Imagem: divulgação)

Além da Escuridão – Star Trek, de J.J. Abrams, também merece ganhar um parágrafo só para si. Além de ser um ótimo filme de ficção científica e um ótimo filme em geral, ele dispõe de uma qualidade que infelizmente pouco vemos no cinema. No caso, a de excepcional capricho na escrita de filmes de aventura e fantasia. Bons exemplos disso são Stardust – O Mistério da Estrela (2007), de Matthew Vaughn, e a série Indiana Jones (1981-2008), de Steven Spielberg (embora o quarto filme não seja lá essas coisas). Os dois Star Trek atuais têm vocação de sobra para entrar nesse rol e no de blockbusters que fogem do comum e se estabelecem como notáveis realizações cinematográficas. Sem dúvida, Abrams está fazendo jus às suas brincadeiras de infância com câmeras Super 8.

Além de ser o rei do Tumblr, o inglês bonitão Benedict Cumberbatch mostra que é ótimo ator e vive um dos vilões mais marcantes do cinema recente no novo Star Trek (Imagem: divulgação)

E é isso. Já sobre 2014...

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido segue firme e forte no topo da minha watchlist. E os seus filmes? Comente aí e me dê sugestões de títulos, eu sempre aceito.

Até o próximo post e feliz ano novo!

domingo, 21 de julho de 2013

X-Men: Days of Future Past – o que sabemos até agora (parte 2)

(Divulgação) 

Novidades e mais novidades sobre X-Men: Days of Future Past continuam pipocando. O diretor Bryan Singer continua publicando frequentemente em seu Twitter fotos dos bastidores. Vez por outra, algum paparazzi consegue clicar os atores e a equipe filmando em locais abertos. Em uma dessas ocasiões, conseguimos ver Singer dirigindo a cena de luta entre Fera (Nicholas Hoult) e Magneto (Michael Fassbender) em uma fonte. Ontem, o painel que o filme ganhou na Comic-Con em San Diego foi esclarecedor apenas em alguns aspectos, o que mostra como ele está sendo realizado com bastante sigilo. O público vibrou e aplaudiu de pé a grande reunião do diretor com um dos roteiristas (Simon Kinberg), os produtores e a maior parte do elenco.

Mas vamos continuar com as novidades sobre o filme seguindo as deixas do post anterior, de seis meses atrás. De lá para cá, muita, muita coisa nova surgiu.

Trama, direção, roteiro e produção    
  
Já sabíamos que a história do filme tem origem no famoso arco Dias de um Futuro Esquecido (1981), escrito pelo lendário roteirista Chris Laremont e desenhado por John Byrne, o também lendário desenhista da Marvel Comics.

No quadrinho, os mutantes vivem em um futuro distópico e apocalíptico que pertence a uma realidade alternativa. Eles são perseguidos pelos robôs Sentinelas e presos em campos de concentração. A mente de Kitty Pride (ou Lince Negra) é mandada ao passado a fim de alertar os X-Men sobre o futuro que os aguarda. A partir daí, o grupo de heróis vai atrás de impedir o acontecimento que desencadeia no tal futuro sombrio.

Foi esclarecido que Wolverine (Hugh Jackman) será o personagem que terá sua mente mandada ao passado, em vez de Kitty Pride. A trama se passará em 1973 (onze anos após os acontecimentos de Primeira Classe), com a Guerra do Vietnam como contexto histórico e político escolhido. Sabe-se também que Richard Nixon, presidente dos EUA naquele tempo, será um personagem, embora o ator que o viverá seja desconhecido. Os atores da primeira trilogia estarão no futuro enquanto os da nova habitarão o passado, apontam as especulações. O diretor enfatizou que o aspecto de ficção científica está sendo explorado com mais vigor que nos filmes anteriores. Ele inclusive conversou com James Cameron sobre viagens no tempo e teorias sobre o tema.

Jennifer Lawrence (acima) disse na Comic-Con que, mesmo ainda emocionalmente ligada a Xavier, Mística segue em sua escolha de lutar ao lado de Magneto (Foto: Twitter)

Singer, por sua vez, assumiu a direção de Days of Future Past quando Matthew Vaughn teve de deixá-la para se dedicar a The Secret Service, previsto para ser lançado ano que vem. Ele ficou como produtor e roteirista. Jane Goldman também é roteirista aqui, repetindo a parceria com Vaughn de X-Men: Primeira Classe (2011) e Kick-Ass (2010). Simon Kinberg também tem seu nome no texto. Ele foi produtor em Primeira Classe e é a metade competente da dupla de roteiristas de X-Men 3 (2006).

O que não sabíamos antes é que, segundo o portal IMDb, Bryan Singer elaborou a trama do filme, além de ser diretor e produtor. Já sabíamos também que o casal Lauren Shuler e Richard Donner está produzindo com Singer, Vaughn e Kinberg. Agora, Todd Hallowell, Stan “the man” Lee, Kathleen McGill, Josh McLaglen e Hutch Parker também são produtores.


Equipe com maquete de um cenário do filme (Foto: Twitter)

John Ottman, frequente colaborador de Singer, foi contratado para compor a trilha sonora e cuidar da edição. Ottman cuidou dos dois cargos em X-Men 2 (2003). Os efeitos especiais ficam por conta da Moving Picture Company e da Digital Domain. Ambos os estúdios trabalharam juntos em Primeira Classe. (Clique nos links para conhecer mais trabalhos deles.)

Elenco


Em sentido horário: Charles Xavier (Patric Stewart), Magneto (Ian McKellen), Colossus (Daniel Cudmore) e Bishop (Omar Sy) (Foto: X-Men Films)

Nomes foram adicionados e rumores foram esclarecidos. Seis meses atrás, já sabíamos que James McAvoy (Charles Xavier), Michael Fassbender (Magneto), Jennifer Lawrence (Mística), Nicholas Hoult (Fera), Hugh Jackman (Wolverine), Ellen Page (Kitty Pride), Anna Paquin (Vampira), Shawn Ashmore (Homem de Gelo), Patrick Stewart (Charles Xavier) e Ian McKellen (Magneto) estavam no elenco. Agora, o grupo está ainda maior. Halle Berry, Lucas Till e Daniel Cudmore retornam como Tempestade, Destrutor e Colossus, respectivamente. Fan Bingbing será Blink, a mutante rosa que tem o dom de conjurar portais para viajar no tempo. Após rumores, foi confirmado que Peter Dinklage (Game of Thrones) será Bolivar Trask, cabeça por trás do programa Sentinela e antagonista do filme. Também foi esclarecido que o francês Omar Sy (Os Intocáveis) é Bishop. Josh Helman teve seu misterioso papel desvendado também: ele será William Stryker quando jovem (o personagem foi interpretado por Brian Cox em X-Men 2, por Danny Huston em X-Men Origens: Wolverine e uma versão sênior dele foi brevemente vivida por Don Creech em Primeira Classe). Ainda seguem os rumores de que Booboo Stewart e Adan Canto são Apache e Mancha Solar, respectivamente.

Peter Dinklage e Bryan Singer lendo juntos um trecho do roteiro (Foto: Twitter)

A adição de Evan Peters (American Horror Story) ao elenco como Mercúrio, o filho de Magneto, foi motivo de alguma controvérsia. Antes de Bryan Singer ter anunciado a chegada de Peters, o diretor e roteirista Joss Whedon havia dito que o personagem e sua irmã Feiticeira Escarlate estariam em Avengers: Age of Ultron, a sequência de Os Vingadores (2012) agendada para 2015. Mesmo após o anúncio de Singer, Whedon manteu sua palavra. Agora, Mercúrio estará em ambos os filmes. Ele pertence tanto ao universo dos X-Men quanto ao dos Vingadores, em um “limbo de direitos”. Os estúdios por trás de cada franquia têm o poder de usá-lo, mas sem um fazer alusão ao universo de outro. A dúvida fica no ar: como a será a abordagem de Mercúrio em ambos os filmes? Pelo menos em Age of Ultron, especula-se que Aaron Taylor-Johnson viverá o papel, e que em Days of Future Past, o filho de Magneto viverá nos anos 70. O engraçado é que Peters e Taylor-Johnson atuaram juntos em Kick-Ass, dirigido por Matthew Vaughn.

Foi confirmada a ausência de Caleb Landry Jones, o Banshee. Aparentemente, January Jones (Emma Frost) e Rose Byrne (Moira MacTaggert) não retornam também. Os três estiveram em Primeira Classe, apenas.

James McAvoy (Xavier) em seu figurino anos 70 – o ator adorou (Foto: Twitter)

Comic-Con

Nos dias 18 (quinta-feira) e 20 (sábado) deste mês de julho, X-Men: Days of Future Past teve destaque na Comic-Con, em San Diego.

Cabeça de uma Sentinela no estande da Trask Industries (Foto: X-Men Films)

Dia 18: a cabeça de uma Sentinela foi exposta ao público em um estande da Trask Industries, como se a empresa fosse real, com direito a funcionários uniformizados e tudo. Cartazes como os das fotos ressaltaram, indiretamente, a superioridade da raça humana diante dos mutantes (“Junte-se a nós para celebrar os 50 anos do progresso humano”). Aí vai o sombrio site viral da fábrica de Sentinelas: www.trask-industries.com


Dia 20: O painel do filme durou aproximadamente 40 minutos e teve até a exibição de breves cenas do filme. Diretor, roteirista e produtores participaram do painel junto do enorme elenco. Todos foram aplaudidos de pé pelos fãs, emocionados.

O painel de Days of Future Past começa assim que o de Wolverine – Imortal se encerra. No início do vídeo, vemos James Mangold, diretor de Wolverine, deixando o palco

Mas, na prática, foi mais tiategem do que novidades. O que teve de mais quente foi a exibição das cenas. O vídeo não está disponível na internet, mas segundo o jornalista Matt Goldberg, do portal Collider, consistia nisso aqui (traduzido):

Há muitos mutantes, mas o principal é que podemos ver Xavier, Magneto, Tempestade e Wolverine no futuro. Xavier diz que eles precisam mandar a mente de Logan para seu corpo mais jovem [no passado] e convencer os jovens Xavier e Magneto de impedir o futuro desastroso. No futuro, nós vemos membros do elenco da primeira trilogia em roupas escuras e futuristas, mas não cafonas. São austeras, assim como a paisagem, que não está destruída e pós-apocalíptica como no quadrinho.

Quando Wolverine volta no tempo, nós vemos os personagens de Primeira Classe, e o jovem Xavier aparenta estar absolutamente abatido e cansado. Então nós vemos uma grande montagem de todos os personagens. Os momentos memoráveis incluem Fera tentando afogar o jovem Magneto, e este usando seus poderes para arrastar uma Mística em perigo para perto de si. O trailer termina com o jovem Xavier gritando “Eu não quero seu futuro!”. Então nós vemos o Xavier idoso e jovem se encarando. O idoso diz a sua versão jovem “Por favor. Nós precisamos ter esperança de novo”.


Equipe reunida na Comic-Con de ontem, da esquerda para a direita: Hutch Parker, Patrick Stewart, Halle Berry, Lauren Shuler Donner, Simon Kinberg, Omar Sy, James McAvoy, Ellen Page, Shawn Ashmore, Bryan Singer, Anna Paquin, Ian McKellen, Jennifer Lawrence, Peter Dinklage, Michael Fassbender, Evan Peters e Nicholas Hoult (Foto: Twitter)

Adendos

O que vale ser dito também, é que, recentemente, a Fox anunciou um filme da X-Force. Assim, vai ser engrossado o caldo de filmes produzidos a partir do universo dos X-Men. A X-Force estreou nos quadrinhos no início da década de 1990 e muitos X-Men passaram por ela. Jeff Wadlow, diretor e roteirista de Kick-Ass 2 (a ser lançado ainda neste ano), foi contratado para escrever o roteiro. Ele é um dos prediletos a assumir o cargo de diretor também, o que nos leva a crer que a sequência de Kick-Ass deve ser no mínimo boa para render este trabalho a Wadlow. Lauren Shuler Donner, produtora em todos os filmes dos mutantes, trabalhará neste filme. Resta saber como será pavimentado o caminho para a empreitada. Será que haverá uma deixa em Days of Future Past para a aventura cinematográfica da X-Force?

Dica: fique até o fim dos créditos do segundo filme do Wolverine (Foto: Divulgação)

O que se sabe até agora, é que Wolverine – Imortal, que estreia nesta sexta-feira (26/07), tem uma cena pós-créditos que serve de deixa para Days of Future Past. Por ora, deve servir como aperitivo. Diga-se de passagem, também, que o segundo filme solo do Wolverine vem sido elogiado.

Mark Millar, roteirista de quadrinhos por trás de títulos como Kick-Ass, Superior e Wanted, foi contratado pela Fox há algum tempo para servir de consultor criativo. É ele quem está trabalhando junto do estúdio na expansão do universo X nos cinemas. Muito provavelmente, tem dedo dele na escolha de Matthew Vaughn como produtor no reboot que o Quarteto Fantástico vai ganhar nos cinemas e na escolha de Wadlow para escrever o roteiro para X-Force.

Bryan Singer do lado de fora do Cérebro, máquina que amplia os poderes de Xavier e o permite localizar mutantes pelo planeta inteiro (Foto: Twitter)

Conclusão até agora: se a Marvel Studios deu uma festa no cinema com seus Vingadores, chegou a hora da Fox se estabilizar também, tirando a poeira dos inúmeros personagens sobre os quais ela tem direitos de adaptação. Que venham mais X-filmes!

As filmagens de X-Men: Days of Future Past se encerrarão em setembro. A estreia foi adiantada para 23 de maio de 2014, e o filme estará disponível em 3D e 2D.

*Imagens sem crédito: reprodução Twitter e X-Men Films, respectivamente

[ATUALIZAÇÃO - 22/07, às 21h40]

Os primeiros pôsteres oficiais foram divulgados!



domingo, 24 de fevereiro de 2013

Literatura e escrita no cinema – dicas de filmes!

A literatura não se transforma em audiovisual apenas em adaptações. Cheque este post e veja dicas de filmes que tem a escrita e a literatura como quase personagens, como elementos-chave para suas tramas.

As Horas (The Hours, 2002)


Neste filme de Stephen Daldry, três mulheres que vivem em diferentes lugares e épocas têm suas vidas conectadas pela literatura. Em 1923, a escritora inglesa Virginia Woolf (Nicole Kidman) escreve o primeiro esboço de seu aclamado romance Mrs. Dalloway, que é tido como um dos inauguradores do fluxo de consciência em prosa. Em 1951, Laura (Julianne Moore) é uma dona de casa que lê o romance de Virginia e se sente motivada a fazer mudanças em sua vida. Em 2001, Clarissa (Meryl Streep) literalmente vive o romance.

Contando com excelentes atuações de seu trio protagonista e de coadjuvantes como Ed Harris, Toni Collette e Jeff Daniels, As Horas é um tocante, belíssimo e ambicioso filme. Baseado no romance homônimo e ganhador do Pulitzer de Michael Cunningham, não há obra cinematográfica como esta. Com uma narrativa habilidosa e um ótimo roteiro de David Hare, o filme vai visitando sem medo o universo das três protagonistas para contar suas histórias e amarrá-las em um surpreendente final. A ótima trilha sonora assinada por Philip Glass costura tudo isso.


Mais Estranho que a Ficção (Stranger Than Fiction, 2006)


Harold (Will Ferrell) é um melancólico fiscal do imposto de renda. Só trabalha, não se diverte. Isso muda bruscamente quando ele ouve em sua cabeça a voz de Karen Eifell (Emma Thompson) narrando tudo o que ele faz. Karen é uma famosa romancista que está passando por um grave bloqueio do escritor enquanto trabalha em seu novo livro. Ela nem imagina que Harold, seu personagem principal, realmente existe. Suas ideias, quando incluídas no romance, acontecem de fato. Só há um problema: ela tem a tradição de matar seus protagonistas.

Dirigida por Marc Forster (A Última Ceia) e brilhantemente escrita por Zach Helm, esta mistura de comédia, drama, fantasia e romance é um dos títulos mais peculiares que o cinema independente dos Estados Unidos pariu nos últimos anos. Dustin Hoffman e Maggie Gyllenhaal estão ótimos como um especialista em literatura consultado por Harold e uma confeiteira descolada, respectivamente. A rapper Queen Latifah também está no elenco.

 

A Lula e a Baleia (The Squid and the Whale, 2005)


Aqui, Bernard (Jeff Daniels) e Joan (Laura Linney) são um casal que vai se divorciar. Seus filhos Walt (Jesse Eisenberg) e Frank (Owen Kline) têm séria dificuldade de lidar com isso. Entre os pais, que são escritores, uma fagulha de competição ameaça se tornar uma fogueira. Os filhos, assim como os próprios pais, caminham aos tropeços para uma vida diferente e não esperada.

Este filme independente, escrito e dirigido com gusto por Noah Baumbach, é baseado em sua própria história de vida. Comédia e drama se misturam em diálogos e situações que variam entre o desconcertante e o doloroso. O mundo dos relacionamentos, da literatura e dos filmes artísticos molduram A Lula e a Baleia. A Nova York dos anos 1980 serve como pano de fundo para a família que ameaça se dissolver. Anna Paquin e William Baldwin completam o eficiente elenco.


Jovens Adultos (Young Adult, 2011)


É uma das raras oportunidades que Charlize Theron teve de mostrar seu ótimo timing cômico. Aqui, Jason Reitman e Diablo Cody repetem a parceria de Juno na direção e no roteiro, respectivamente. Theron interpreta Mavis Gary, uma ghost writer do gênero que dá título ao filme. Ela decide retornar à cidade em que vivia quando jovem com o objetivo de reatar o namoro com Buddy (Patrick Wilson), seu namorado dos tempos de colegial. Oscilando entre extremos de humor e sempre com o etanol à mão, ela se depara com sua própria dificuldade de seguir em frente.

Enquanto causa o caos por onde passa em sua cidadezinha natal, Mavis escreve o episódio derradeiro de sua série de livros. Com a voz rouca e grave de Charlize Theron narrando o que Mavis redige, percebe-se como sua história reflete seu intenso sofrimento.

Tanto Mavis quanto a maior parte dos outros personagens estão próximos de seus 40 anos de idade – eles foram adolescentes nos anos 1990. A trilha sonora têm nomes do grunge como Veruca Salt, The Lemonheads e Dinosaur Jr. Um dos vários momentos em que o filme esbanja brilhantismo é quanto toca “What’s Up?”, da extinta banda 4 Non Blondes, na fita cassete que a protagonista tem em seu carro.

Com um roteiro afiadíssimo e absolutamente imprevisível, Jovens Adultos, como disse Peter Travers, crítico da Rolling Stone, provoca risadas que deixam feridas. Junto de Mais Estranho que a Ficção, comentado acima, é um dos filmes mais interessantes saídos do forno independente dos EUA de uns tempos para cá.



A jornalista e escritora Elizabeth Wurtzel esteve severamente deprimida em sua juventude. Tendo ao fundo a vida acadêmica, o rock alternativo dos anos 80 e muitas drogas, Wurtzel contou sua história na memória de 1994 que tem o mesmo título do filme.

Christina Ricci, ótima, interpreta a escritora no filme dirigido pelo norueguês Erik Skjoldbjærg. Trechos do livro são lidos em off pela atriz, incrementando o que a tela mostra. Fica perceptível que a escrita foi um fator-chave para a recuperação de Wurtzel, que chegou a ter a ideia de suicídio martelando em sua cabeça. O filme consegue ser claustrofóbico em alguns momentos. Não surpreende, mas é funcional e aponta as dificuldades de se viver em uma sociedade tão problemática.

Michelle Williams, Jessica Lange e Lou Reed também estão no elenco. Infelizmente, Geração Prozac é um tanto quanto negligenciado. Foi exibido no Festival de Toronto de 2001 e no país de origem do diretor, dois anos depois. Saiu direto em DVD nos Estados Unidos. Segundo o IMDb, a distribuidora Miramax teve receio de lançar o filme por conta da figura não muito carismática de Elizabeth Wurtzel, entre outras razões. Carismática ou não, ela merece ser lida. O filme, assistido.


Desejo e Reparação (Atonement, 2007)


Inglaterra, 1935 – Briony tem 13 anos e é uma aspirante à escritora cheia de imaginação. Talvez cheia até demais, pois confunde realidade com fantasia (ou não?) ao acusar alguém inocente de cometer um grave crime. Isso causa uma reação em cadeia de acontecimentos que pesarão em sua consciência e afetará várias vidas para sempre. Baseado no excelente romance Reparação, de Ian McEwan, Desejo e Reparação é um filme de romance, drama e guerra como não víamos no cinema há décadas. É incisivo, visualmente espetacular e colossal. O diretor Joe Wright e o roteirista Christopher Hampton (Ligações Perigosas) acharam uma voz única para contar essa história que tem vários personagens, acontece em diferentes lugares, começa em 1935 e atravessa décadas.

Briony, quando criança, é interpretada por Saoirse Ronan; quando jovem, por Romola Garai; e quando idosa, por Vanessa Redgrave. As três atrizes estão ótimas no papel e o mesmo sobre Keira Knightley e James McAvoy, que também estão no extenso elenco ao lado de Juno Temple, Benedict Cumberbatch e outros. A trilha sonora assinada por Dario Marianelli tem uma excentricidade: o som de teclas de máquina de escrever.


E não termina por aqui. Outras dicas são Orgulho e Preconceito (2005), também de Wright, baseado no romance homônimo de Jane Austen, onde o casal protagonista é tão apaixonado por literatura quanto um pelo outro. Amor e Inocência (2007) mostra os bastidores da escrita deste romance. Dirigido por Julian Jarrold, o filme tem o roteiro baseado em cartas de Austen, que é muito bem interpretada por Anne Hathaway. James McAvoy, Maggie Smith e Julie Walters também estão no elenco. Já O Leitor (2008) é uma nova parceria do diretor e do roteirista de As Horas, citado acima. Kate Winslet é uma mulher cujo amante lê para ela quando se encontram. Crimes nazistas, segredos sombrios e muitas reviravoltas temperam o filme baseado no livro homônimo de Bernhard Schlink.

Alguma recomendação de filme nesses moldes? Basta deixar um comentário.

domingo, 27 de janeiro de 2013

'X-Men: Days of Future Past' – o que sabemos até agora

Saiba o que esperar do novo filme dos mutantes, cuja estreia é em 2014

Recentemente, andam saindo muitas notícias sobre o filme que dará sequência a ­X-Men: Primeira Classe (2011). Continue lendo e conheça as novidades divulgadas até agora.

(Foto: capa do quadrinho alterada)

Trama: foi construída baseada no arco Dias de um Futuro Esquecido (1981; foto), de Chris Claremont e John Byrne – um dos maiores clássicos das histórias de super-heróis – , e na revista All-New X-Men (2012), de Brian Michael Bendis e Stuart Immonen. Ambos os quadrinhos trabalham com o conceito de viagem no tempo. A sinopse oficial do filme ainda não foi divulgada pela 20th Century Fox, mas há quem estipule que um dos objetivos desse novo filme é harmonizar as duas trilogias em termos de cronologia (já que X-Men: Primeira Classe inaugurou uma própria) e colocar lado a lado o Charles Xavier e o Magneto das duas gerações.

Para quem não conhece a história do quadrinho clássico, vale dizer: em um futuro alternativo, distópico e apocalíptico, os mutantes são perseguidos e presos em campos de concentração. Kitty Pride é um deles e estabelece um elo mental com a versão de si mesma no dia presente para alertar os X-Men sobre o evento que provocou a perseguição. Sentinelas, o Clube do Inferno e a Irmandade dos Mutantes também estão nessa mistura.

Direção: Bryan Singer assumiu o posto. Ele já havia dirigido, produzido e trabalhado na trama dos dois primeiros filmes, em 2000 e 2003. Chegou a pegar o posto de diretor de Primeira Classe, mas teve que largá-lo para se dedicar ao filme Jack – o Matador de Gigantes. No fim das contas, Singer produziu e desenvolveu a trama de Primeira Classe, que foi dirigido por Matthew Vaughn (Stardust, Kick-Ass). Singer chegou à cadeira de diretor em Days of Future Past quando Vaughn a deixou. Nessa ocasião, muitos especularam que seria para este último assumir o vindouro sétimo episódio de Star Wars, mas depois foi esclarecido que o diretor preferiu se focar na adaptação do quadrinho The Secret Service, para evitar um possível plágio. Em Days of Future Past, Vaughn tem seu nome nos créditos de roteiro e produção.

 Bryan Singer no set de X-Men (2000) (Foto: X-Men Films)

Roteiro: foi escrito por Simon Kinberg, que é produtor de Primeira Classe e co-roteirista de X-Men 3 (2006). Ele tem em seu currículo os roteiros de Sr. e Sra. Smith (2005) e Sherlock Holmes (2009). Ao lado de Kinberg, Vaughn também cuida do texto. Ainda não foi confirmado se a roteirista Jane Goldman, que frequentemente escreve com Vaughn, trabalhará nesse.

Produção: o casal Richard e Lauren Shuler Donner, que produziu os filmes anteriores, também está a bordo do projeto ao lado de Singer e Vaughn.

Elenco: até agora, vários atores de ambas as trilogias foram confirmados. São eles: James McAvoy (Charles Xavier), Michael Fassbender (Magneto), Jennifer Lawrence (Mística), Nicholas Hoult (Fera), Hugh Jackman (Wolverine), Ellen Page (Kitty Pride), Anna Paquin (Vampira), Shawn Ashmore (Homem de Gelo), Patrick Stewart (Charles Xavier) e Ian McKellen (Magneto). 

Outros nomes no projeto: John Myre (Chicago, Memórias de uma Gueixa) foi confirmado como produtor de design; Louise Mingenbach, diretora de figurino dos dois primeiros filmes, também foi confirmada (e Singer garantiu que não haverá nada de couro preto desta vez); e Newton Thomas Siegel (Drive, X-Men 2) é o diretor de fotografia.

Rumores: o quadrinista escocês Mark Millar (Kick-Ass, Ultimate X-Men) foi contratado pela Fox como consultor criativo. Embora a informação a seguir não tenha sido divulgada oficialmente, diz-se que o objetivo do estúdio com Millar é fazer algo semelhante ao que a Marvel Studios fez com os Vingadores: criar um universo próprio, estruturado em vários filmes. Neste caso, unir a realidade dos X-Men a do Quarteto Fantástico (cujo reboot está engatilhado no estúdio). Ainda sobre Days of Future Past, alguns nomes como January Jones (Emma Frost), Rose Byrne (Moira MacTaggert) e Jason Flemyng (Azazel) foram envolvidos em rumores sobre atores a serem confirmados. Mas por ora, “apenas” os citados acima estão oficialmente no elenco.

Fique atento: ao Twitter de Bryan Singer e ao blog X-Men Films. Singer anda divulgando muitas novidades via tweets e o blog cobre todas as notícias relacionadas aos filmes dos mutantes, das mais frias até as mais quentes.

Estreia: marcada para 18 de julho de 2014. Agora é esperar para ver e acompanhar as notícias que vão saindo.

Opinião pessoal – o que eu espero: algo próximo de O Poderoso Chefão – Parte 2 (1974). Uma narrativa engenhosa e bem amarrada contando histórias que acontecem em tempos diferentes e se influenciam muito. Talvez seja o melhor filme dos X-Men, por ser tão ambicioso em adaptar logo Dias de um Futuro Esquecido (!!!) e reunir no mesmo filme elementos que formam a identidade de ambas as trilogias. Cheguei a ficar receoso quando Matthew Vaughn deixou o posto de diretor (ele é ótimo, um de meus prediletos), mas quando Bryan Singer foi confirmado em seu lugar e Vaughn como produtor e roteirista, botei confiança no projeto. Singer é um exímio contador de histórias. Acho válido dizer também que Simon Kinberg (a metade boa da dupla de roteiristas de X-Men 3) é bom no que faz e que muito provavelmente seu roteiro será alterado diversas vezes por Bryan Singer e Matthew Vaughn. Geralmente, escrevem-se primeiras versões de roteiros apenas para estúdios terem uma noção do que o filme se trata. Além disso, Singer e Vaughn são exigentes e creio que o texto passará várias alterações até chegar em uma versão que agrade a todos. Botarei mais fé ainda se a roteirista Jane Goldman ter seu espaço aqui. Ela, junto de Vaughn, tem apenas êxitos no currículo e ambos fazem filmes excepcionais quando reunidos. Também espero ver Caleb Landry Jones, January Jones e Famke Janssen repetindo seus papéis, que são os de Banshee, Emma Frost e Jean Grey, respectivamente. Resumindo, acho que Days of Future Past promete muito e não vai me decepcionar.

Foto da capa do roteiro tem uma citação do livro A Origem das Espécies, de Charles Darwin. Aí vai a tradução: "Enquanto novas espécies se formam através da evolução natural, outras se tornam cada vez mais raras e raras e finalmente se extinguem. As formas que permanecem mais próximas da competição com aquelas que estão passando por modificações e aperfeiçoamentos são as que, naturalmente, sofrerão mais." (Foto: Twitter)