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terça-feira, 29 de outubro de 2013

Confira o trailer de 'X-Men: Days of Future Past'

(Imagem: Reprodução)

O primeiro trailer do vindouro X-Men: Days of Future Past está no ar. Veja:


Trata-se do mesmo vídeo exibido na Comic-Con de San Diego e no Fantasia Film Festival, em julho e agosto deste ano, respectivamente.

X-Men: Days of Future Past é baseado no arco Dias de um Futuro Esquecido, de Chris Claremont e John Byrne, lançado em 1980 pela Marvel Comics. Embora a 20th Century Fox ainda não tenha lançado uma sinopse oficial do filme, dá para ter uma noção dela através da trama do quadrinho: em um futuro distópico e pós-apocalíptico, mutantes são perseguidos pelos robôs gigantes Sentinelas, e presos em campos de concentração. Os X-Men enviam a mente de Kitty Pride ao passado para pedir que a equipe impeça um trágico acontecimento que resultará no futuro citado. Com a premissa de viagem no tempo, personagens de ambas as trilogias vão interagir no filme. No trailer, podemos ver que Kitty Pride é substituída por Wolverine na tarefa.

Jennifer Lawrence em cena como Mística, mutante cujo dom é se transformar em qualquer pessoa ou objeto



Bryan Singer, diretor dos dois primeiros filmes da franquia e produtor de X-Men: Primeira Classe (2011), comanda o novo filme dos mutantes. Ele assina a trama ao lado de Matthew Vaughn e Jane Goldman. O roteiro é de Simon Kinberg. No extenso elenco, estão James McAvoy (Charles Xavier, versão jovem), Michael Fassbender (Magneto, versão jovem), Jennifer Lawrence (Mística), Hugh Jackman (Wolverine), Halle Berry (Tempestade), Patrick Stewart (Charles Xavier, versão idosa), Ian McKellen (Magneto, versão idosa), Anna Paquin (Vampira), Ellen Page (Kitty Pride), Shawn Ashmore (Homem de Gelo), Peter Dinklage (Bolivar Trask), Nicholas Hoult (Fera), Omar Sy (Bishop), Adan Canto (Mancha Solar), Fan Bingbing (Blink), Evan Peters (Mercúrio), Booboo Stewart (Apache), Lucas Till (Destrutor), Daniel Cudmore (Colossus) e Josh Helman (William Stryker).

A estreia está agendada para 23 de maio de 2014, em 2D e 3D.

domingo, 28 de julho de 2013

Primeiras impressões sobre 'Wolverine: Imortal'


Meu veredito até agora sobre Wolverine: Imortal (ainda estou digerindo): é bom, mas tinha tudo para ser muito bom. 

A escolha de James Mangold como diretor foi bem interessante e bem sucedida. Mangold é versátil. Já dirigiu filmes de drama bem incisivos como Garota, Interrompida (1999) e Johnny & June (2005), assim como uma comédia romântica, um suspense, um western, e até uma comédia de ação – todos elogiados. Em Wolverine: Imortal, ele é eficiente. Soube dirigir ótimas e inusitadas cenas de ação sem esquecer o drama da história e dos personagens. Mas parece que faltou a ele a devida autonomia para realizar um filme mais sombrio, mais próximo da raiz do Wolverine dos quadrinhos sem desrespeitar a abordagem deste nos cinemas.

Fica evidente a influência dos executivos da Fox no conteúdo do filme, repetindo o erro de X-Men Origens: Wolverine (2009). Nesse caso, um elogiado roteiro escrito por David Benioff (Game of Thrones) foi revisado por outro roteirista até virar o que virou: uma simples máquina caça-níquel sem foco narrativo e sem importância injetada nas propostas, levada às telas por um diretor dos bons (Gavin Hood), mas sem autonomia, vigiado por produtores e executivos que se esqueceram do impacto que Batman – O Cavaleiro das Trevas havia feito no ano anterior. A Fox ainda insiste em podar os diretores de seus blockbusters. Exceções são casos como X-Men: Primeira Classe e Planeta dos Macacos: A Origem (ambos de 2011). O estúdio mostra que ainda está atrás da Warner Bros. e da Paramount dentro desse tema.

Hugh Jackman e James Mangold no set de filmagens

Em Wolverine: Imortal, o roteiro escrito primeiramente por Christopher McQuarrie (ganhador do Oscar por Os Suspeitos) e depois por Scott Frank (indicado ao Oscar por Irresistível Paixão), foi revisado por Mark Bomback, sujeito que coleciona críticas mornas, mas que sabe escrever um roteiro de filme de ação para se ver no domingo. O problema está aí. Wolverine merece mais que isso.

Os traços de McQuarrie estão evidentes no filme, e ficarão mais claros se você pesquisar os comentários feitos Hugh Jackman e Mangold sobre o texto do roteirista que nem chegou a ser creditado. O resultado é um bom roteiro que repara os erros do último, mas que infelizmente peca em, por exemplo: 1) dar mais importância às motivações dos coadjuvantes do que às do protagonista; 2) incluir piadas em momentos nada estratégicos; 3) não desenvolver com competência uma vilã bem interessante (Viper, interpretada pela eficiente Svetlana Khodchenkova); 4) ser preguiçoso, às vezes, para armar bons meios de fazer a história ir para frente. Considerando o quadrinho no qual o filme se baseia (Eu, Wolverine, de Christopher Claremont e Frank Miller, duas lendas), fica visível que a flecha iria bem no alvo caso existisse uma preocupação maior em ser fiel ao ótimo material de origem.

Mas calma: Wolverine: Imortal é bom de verdade. Vale a pena ver sim. Vale o ingresso do 3D, vale o tempo investido, vale tudo. Os atores são eficazes, efeitos e trilha sonora idem, e os sentimentos e motivações dos personagens são genuínos. O entretenimento é garantido. A obra é carismática e até mesmo diferente do que andamos vendo dos outros super-heróis nas telas ultimamente. Em suma, tem uma identidade própria e consistente, e serve bem como ponte para X-Men: Days of Future Past, que veremos ano que vem (fique para ver a excelente cena no meio dos créditos). Mas há algo de evidente: a Fox não vai fazer o mesmo golaço que fez com Primeira Classe se não passar a seus diretores, integralmente, a batuta de seus filmes. Passou da hora de aprender com outros estúdios.

(Pretendo rever o filme na próxima sexta-feira.)

Sinopse: Baseado no célebre comic book, esta aventura épica leva Wolverine (Hugh Jackman) - o personagem mais icônico do Universo Marvel - ao Japão. Fora de seu ambiente, neste mundo desconhecido, ele deverá enfrentar oponentes inesperados em batalhas de vida ou morte, que o marcarão para sempre. Vulnerável, pela primeira vez ele supera seus limites físicos e emocionais, e enfrenta não apenas samurais, mas seus demônios internos, lutando contra sua própria imortalidade. (Fox Film do Brasil)

*Fotos: Divulgação

domingo, 21 de julho de 2013

X-Men: Days of Future Past – o que sabemos até agora (parte 2)

(Divulgação) 

Novidades e mais novidades sobre X-Men: Days of Future Past continuam pipocando. O diretor Bryan Singer continua publicando frequentemente em seu Twitter fotos dos bastidores. Vez por outra, algum paparazzi consegue clicar os atores e a equipe filmando em locais abertos. Em uma dessas ocasiões, conseguimos ver Singer dirigindo a cena de luta entre Fera (Nicholas Hoult) e Magneto (Michael Fassbender) em uma fonte. Ontem, o painel que o filme ganhou na Comic-Con em San Diego foi esclarecedor apenas em alguns aspectos, o que mostra como ele está sendo realizado com bastante sigilo. O público vibrou e aplaudiu de pé a grande reunião do diretor com um dos roteiristas (Simon Kinberg), os produtores e a maior parte do elenco.

Mas vamos continuar com as novidades sobre o filme seguindo as deixas do post anterior, de seis meses atrás. De lá para cá, muita, muita coisa nova surgiu.

Trama, direção, roteiro e produção    
  
Já sabíamos que a história do filme tem origem no famoso arco Dias de um Futuro Esquecido (1981), escrito pelo lendário roteirista Chris Laremont e desenhado por John Byrne, o também lendário desenhista da Marvel Comics.

No quadrinho, os mutantes vivem em um futuro distópico e apocalíptico que pertence a uma realidade alternativa. Eles são perseguidos pelos robôs Sentinelas e presos em campos de concentração. A mente de Kitty Pride (ou Lince Negra) é mandada ao passado a fim de alertar os X-Men sobre o futuro que os aguarda. A partir daí, o grupo de heróis vai atrás de impedir o acontecimento que desencadeia no tal futuro sombrio.

Foi esclarecido que Wolverine (Hugh Jackman) será o personagem que terá sua mente mandada ao passado, em vez de Kitty Pride. A trama se passará em 1973 (onze anos após os acontecimentos de Primeira Classe), com a Guerra do Vietnam como contexto histórico e político escolhido. Sabe-se também que Richard Nixon, presidente dos EUA naquele tempo, será um personagem, embora o ator que o viverá seja desconhecido. Os atores da primeira trilogia estarão no futuro enquanto os da nova habitarão o passado, apontam as especulações. O diretor enfatizou que o aspecto de ficção científica está sendo explorado com mais vigor que nos filmes anteriores. Ele inclusive conversou com James Cameron sobre viagens no tempo e teorias sobre o tema.

Jennifer Lawrence (acima) disse na Comic-Con que, mesmo ainda emocionalmente ligada a Xavier, Mística segue em sua escolha de lutar ao lado de Magneto (Foto: Twitter)

Singer, por sua vez, assumiu a direção de Days of Future Past quando Matthew Vaughn teve de deixá-la para se dedicar a The Secret Service, previsto para ser lançado ano que vem. Ele ficou como produtor e roteirista. Jane Goldman também é roteirista aqui, repetindo a parceria com Vaughn de X-Men: Primeira Classe (2011) e Kick-Ass (2010). Simon Kinberg também tem seu nome no texto. Ele foi produtor em Primeira Classe e é a metade competente da dupla de roteiristas de X-Men 3 (2006).

O que não sabíamos antes é que, segundo o portal IMDb, Bryan Singer elaborou a trama do filme, além de ser diretor e produtor. Já sabíamos também que o casal Lauren Shuler e Richard Donner está produzindo com Singer, Vaughn e Kinberg. Agora, Todd Hallowell, Stan “the man” Lee, Kathleen McGill, Josh McLaglen e Hutch Parker também são produtores.


Equipe com maquete de um cenário do filme (Foto: Twitter)

John Ottman, frequente colaborador de Singer, foi contratado para compor a trilha sonora e cuidar da edição. Ottman cuidou dos dois cargos em X-Men 2 (2003). Os efeitos especiais ficam por conta da Moving Picture Company e da Digital Domain. Ambos os estúdios trabalharam juntos em Primeira Classe. (Clique nos links para conhecer mais trabalhos deles.)

Elenco


Em sentido horário: Charles Xavier (Patric Stewart), Magneto (Ian McKellen), Colossus (Daniel Cudmore) e Bishop (Omar Sy) (Foto: X-Men Films)

Nomes foram adicionados e rumores foram esclarecidos. Seis meses atrás, já sabíamos que James McAvoy (Charles Xavier), Michael Fassbender (Magneto), Jennifer Lawrence (Mística), Nicholas Hoult (Fera), Hugh Jackman (Wolverine), Ellen Page (Kitty Pride), Anna Paquin (Vampira), Shawn Ashmore (Homem de Gelo), Patrick Stewart (Charles Xavier) e Ian McKellen (Magneto) estavam no elenco. Agora, o grupo está ainda maior. Halle Berry, Lucas Till e Daniel Cudmore retornam como Tempestade, Destrutor e Colossus, respectivamente. Fan Bingbing será Blink, a mutante rosa que tem o dom de conjurar portais para viajar no tempo. Após rumores, foi confirmado que Peter Dinklage (Game of Thrones) será Bolivar Trask, cabeça por trás do programa Sentinela e antagonista do filme. Também foi esclarecido que o francês Omar Sy (Os Intocáveis) é Bishop. Josh Helman teve seu misterioso papel desvendado também: ele será William Stryker quando jovem (o personagem foi interpretado por Brian Cox em X-Men 2, por Danny Huston em X-Men Origens: Wolverine e uma versão sênior dele foi brevemente vivida por Don Creech em Primeira Classe). Ainda seguem os rumores de que Booboo Stewart e Adan Canto são Apache e Mancha Solar, respectivamente.

Peter Dinklage e Bryan Singer lendo juntos um trecho do roteiro (Foto: Twitter)

A adição de Evan Peters (American Horror Story) ao elenco como Mercúrio, o filho de Magneto, foi motivo de alguma controvérsia. Antes de Bryan Singer ter anunciado a chegada de Peters, o diretor e roteirista Joss Whedon havia dito que o personagem e sua irmã Feiticeira Escarlate estariam em Avengers: Age of Ultron, a sequência de Os Vingadores (2012) agendada para 2015. Mesmo após o anúncio de Singer, Whedon manteu sua palavra. Agora, Mercúrio estará em ambos os filmes. Ele pertence tanto ao universo dos X-Men quanto ao dos Vingadores, em um “limbo de direitos”. Os estúdios por trás de cada franquia têm o poder de usá-lo, mas sem um fazer alusão ao universo de outro. A dúvida fica no ar: como a será a abordagem de Mercúrio em ambos os filmes? Pelo menos em Age of Ultron, especula-se que Aaron Taylor-Johnson viverá o papel, e que em Days of Future Past, o filho de Magneto viverá nos anos 70. O engraçado é que Peters e Taylor-Johnson atuaram juntos em Kick-Ass, dirigido por Matthew Vaughn.

Foi confirmada a ausência de Caleb Landry Jones, o Banshee. Aparentemente, January Jones (Emma Frost) e Rose Byrne (Moira MacTaggert) não retornam também. Os três estiveram em Primeira Classe, apenas.

James McAvoy (Xavier) em seu figurino anos 70 – o ator adorou (Foto: Twitter)

Comic-Con

Nos dias 18 (quinta-feira) e 20 (sábado) deste mês de julho, X-Men: Days of Future Past teve destaque na Comic-Con, em San Diego.

Cabeça de uma Sentinela no estande da Trask Industries (Foto: X-Men Films)

Dia 18: a cabeça de uma Sentinela foi exposta ao público em um estande da Trask Industries, como se a empresa fosse real, com direito a funcionários uniformizados e tudo. Cartazes como os das fotos ressaltaram, indiretamente, a superioridade da raça humana diante dos mutantes (“Junte-se a nós para celebrar os 50 anos do progresso humano”). Aí vai o sombrio site viral da fábrica de Sentinelas: www.trask-industries.com


Dia 20: O painel do filme durou aproximadamente 40 minutos e teve até a exibição de breves cenas do filme. Diretor, roteirista e produtores participaram do painel junto do enorme elenco. Todos foram aplaudidos de pé pelos fãs, emocionados.

O painel de Days of Future Past começa assim que o de Wolverine – Imortal se encerra. No início do vídeo, vemos James Mangold, diretor de Wolverine, deixando o palco

Mas, na prática, foi mais tiategem do que novidades. O que teve de mais quente foi a exibição das cenas. O vídeo não está disponível na internet, mas segundo o jornalista Matt Goldberg, do portal Collider, consistia nisso aqui (traduzido):

Há muitos mutantes, mas o principal é que podemos ver Xavier, Magneto, Tempestade e Wolverine no futuro. Xavier diz que eles precisam mandar a mente de Logan para seu corpo mais jovem [no passado] e convencer os jovens Xavier e Magneto de impedir o futuro desastroso. No futuro, nós vemos membros do elenco da primeira trilogia em roupas escuras e futuristas, mas não cafonas. São austeras, assim como a paisagem, que não está destruída e pós-apocalíptica como no quadrinho.

Quando Wolverine volta no tempo, nós vemos os personagens de Primeira Classe, e o jovem Xavier aparenta estar absolutamente abatido e cansado. Então nós vemos uma grande montagem de todos os personagens. Os momentos memoráveis incluem Fera tentando afogar o jovem Magneto, e este usando seus poderes para arrastar uma Mística em perigo para perto de si. O trailer termina com o jovem Xavier gritando “Eu não quero seu futuro!”. Então nós vemos o Xavier idoso e jovem se encarando. O idoso diz a sua versão jovem “Por favor. Nós precisamos ter esperança de novo”.


Equipe reunida na Comic-Con de ontem, da esquerda para a direita: Hutch Parker, Patrick Stewart, Halle Berry, Lauren Shuler Donner, Simon Kinberg, Omar Sy, James McAvoy, Ellen Page, Shawn Ashmore, Bryan Singer, Anna Paquin, Ian McKellen, Jennifer Lawrence, Peter Dinklage, Michael Fassbender, Evan Peters e Nicholas Hoult (Foto: Twitter)

Adendos

O que vale ser dito também, é que, recentemente, a Fox anunciou um filme da X-Force. Assim, vai ser engrossado o caldo de filmes produzidos a partir do universo dos X-Men. A X-Force estreou nos quadrinhos no início da década de 1990 e muitos X-Men passaram por ela. Jeff Wadlow, diretor e roteirista de Kick-Ass 2 (a ser lançado ainda neste ano), foi contratado para escrever o roteiro. Ele é um dos prediletos a assumir o cargo de diretor também, o que nos leva a crer que a sequência de Kick-Ass deve ser no mínimo boa para render este trabalho a Wadlow. Lauren Shuler Donner, produtora em todos os filmes dos mutantes, trabalhará neste filme. Resta saber como será pavimentado o caminho para a empreitada. Será que haverá uma deixa em Days of Future Past para a aventura cinematográfica da X-Force?

Dica: fique até o fim dos créditos do segundo filme do Wolverine (Foto: Divulgação)

O que se sabe até agora, é que Wolverine – Imortal, que estreia nesta sexta-feira (26/07), tem uma cena pós-créditos que serve de deixa para Days of Future Past. Por ora, deve servir como aperitivo. Diga-se de passagem, também, que o segundo filme solo do Wolverine vem sido elogiado.

Mark Millar, roteirista de quadrinhos por trás de títulos como Kick-Ass, Superior e Wanted, foi contratado pela Fox há algum tempo para servir de consultor criativo. É ele quem está trabalhando junto do estúdio na expansão do universo X nos cinemas. Muito provavelmente, tem dedo dele na escolha de Matthew Vaughn como produtor no reboot que o Quarteto Fantástico vai ganhar nos cinemas e na escolha de Wadlow para escrever o roteiro para X-Force.

Bryan Singer do lado de fora do Cérebro, máquina que amplia os poderes de Xavier e o permite localizar mutantes pelo planeta inteiro (Foto: Twitter)

Conclusão até agora: se a Marvel Studios deu uma festa no cinema com seus Vingadores, chegou a hora da Fox se estabilizar também, tirando a poeira dos inúmeros personagens sobre os quais ela tem direitos de adaptação. Que venham mais X-filmes!

As filmagens de X-Men: Days of Future Past se encerrarão em setembro. A estreia foi adiantada para 23 de maio de 2014, e o filme estará disponível em 3D e 2D.

*Imagens sem crédito: reprodução Twitter e X-Men Films, respectivamente

[ATUALIZAÇÃO - 22/07, às 21h40]

Os primeiros pôsteres oficiais foram divulgados!



domingo, 27 de janeiro de 2013

'X-Men: Days of Future Past' – o que sabemos até agora

Saiba o que esperar do novo filme dos mutantes, cuja estreia é em 2014

Recentemente, andam saindo muitas notícias sobre o filme que dará sequência a ­X-Men: Primeira Classe (2011). Continue lendo e conheça as novidades divulgadas até agora.

(Foto: capa do quadrinho alterada)

Trama: foi construída baseada no arco Dias de um Futuro Esquecido (1981; foto), de Chris Claremont e John Byrne – um dos maiores clássicos das histórias de super-heróis – , e na revista All-New X-Men (2012), de Brian Michael Bendis e Stuart Immonen. Ambos os quadrinhos trabalham com o conceito de viagem no tempo. A sinopse oficial do filme ainda não foi divulgada pela 20th Century Fox, mas há quem estipule que um dos objetivos desse novo filme é harmonizar as duas trilogias em termos de cronologia (já que X-Men: Primeira Classe inaugurou uma própria) e colocar lado a lado o Charles Xavier e o Magneto das duas gerações.

Para quem não conhece a história do quadrinho clássico, vale dizer: em um futuro alternativo, distópico e apocalíptico, os mutantes são perseguidos e presos em campos de concentração. Kitty Pride é um deles e estabelece um elo mental com a versão de si mesma no dia presente para alertar os X-Men sobre o evento que provocou a perseguição. Sentinelas, o Clube do Inferno e a Irmandade dos Mutantes também estão nessa mistura.

Direção: Bryan Singer assumiu o posto. Ele já havia dirigido, produzido e trabalhado na trama dos dois primeiros filmes, em 2000 e 2003. Chegou a pegar o posto de diretor de Primeira Classe, mas teve que largá-lo para se dedicar ao filme Jack – o Matador de Gigantes. No fim das contas, Singer produziu e desenvolveu a trama de Primeira Classe, que foi dirigido por Matthew Vaughn (Stardust, Kick-Ass). Singer chegou à cadeira de diretor em Days of Future Past quando Vaughn a deixou. Nessa ocasião, muitos especularam que seria para este último assumir o vindouro sétimo episódio de Star Wars, mas depois foi esclarecido que o diretor preferiu se focar na adaptação do quadrinho The Secret Service, para evitar um possível plágio. Em Days of Future Past, Vaughn tem seu nome nos créditos de roteiro e produção.

 Bryan Singer no set de X-Men (2000) (Foto: X-Men Films)

Roteiro: foi escrito por Simon Kinberg, que é produtor de Primeira Classe e co-roteirista de X-Men 3 (2006). Ele tem em seu currículo os roteiros de Sr. e Sra. Smith (2005) e Sherlock Holmes (2009). Ao lado de Kinberg, Vaughn também cuida do texto. Ainda não foi confirmado se a roteirista Jane Goldman, que frequentemente escreve com Vaughn, trabalhará nesse.

Produção: o casal Richard e Lauren Shuler Donner, que produziu os filmes anteriores, também está a bordo do projeto ao lado de Singer e Vaughn.

Elenco: até agora, vários atores de ambas as trilogias foram confirmados. São eles: James McAvoy (Charles Xavier), Michael Fassbender (Magneto), Jennifer Lawrence (Mística), Nicholas Hoult (Fera), Hugh Jackman (Wolverine), Ellen Page (Kitty Pride), Anna Paquin (Vampira), Shawn Ashmore (Homem de Gelo), Patrick Stewart (Charles Xavier) e Ian McKellen (Magneto). 

Outros nomes no projeto: John Myre (Chicago, Memórias de uma Gueixa) foi confirmado como produtor de design; Louise Mingenbach, diretora de figurino dos dois primeiros filmes, também foi confirmada (e Singer garantiu que não haverá nada de couro preto desta vez); e Newton Thomas Siegel (Drive, X-Men 2) é o diretor de fotografia.

Rumores: o quadrinista escocês Mark Millar (Kick-Ass, Ultimate X-Men) foi contratado pela Fox como consultor criativo. Embora a informação a seguir não tenha sido divulgada oficialmente, diz-se que o objetivo do estúdio com Millar é fazer algo semelhante ao que a Marvel Studios fez com os Vingadores: criar um universo próprio, estruturado em vários filmes. Neste caso, unir a realidade dos X-Men a do Quarteto Fantástico (cujo reboot está engatilhado no estúdio). Ainda sobre Days of Future Past, alguns nomes como January Jones (Emma Frost), Rose Byrne (Moira MacTaggert) e Jason Flemyng (Azazel) foram envolvidos em rumores sobre atores a serem confirmados. Mas por ora, “apenas” os citados acima estão oficialmente no elenco.

Fique atento: ao Twitter de Bryan Singer e ao blog X-Men Films. Singer anda divulgando muitas novidades via tweets e o blog cobre todas as notícias relacionadas aos filmes dos mutantes, das mais frias até as mais quentes.

Estreia: marcada para 18 de julho de 2014. Agora é esperar para ver e acompanhar as notícias que vão saindo.

Opinião pessoal – o que eu espero: algo próximo de O Poderoso Chefão – Parte 2 (1974). Uma narrativa engenhosa e bem amarrada contando histórias que acontecem em tempos diferentes e se influenciam muito. Talvez seja o melhor filme dos X-Men, por ser tão ambicioso em adaptar logo Dias de um Futuro Esquecido (!!!) e reunir no mesmo filme elementos que formam a identidade de ambas as trilogias. Cheguei a ficar receoso quando Matthew Vaughn deixou o posto de diretor (ele é ótimo, um de meus prediletos), mas quando Bryan Singer foi confirmado em seu lugar e Vaughn como produtor e roteirista, botei confiança no projeto. Singer é um exímio contador de histórias. Acho válido dizer também que Simon Kinberg (a metade boa da dupla de roteiristas de X-Men 3) é bom no que faz e que muito provavelmente seu roteiro será alterado diversas vezes por Bryan Singer e Matthew Vaughn. Geralmente, escrevem-se primeiras versões de roteiros apenas para estúdios terem uma noção do que o filme se trata. Além disso, Singer e Vaughn são exigentes e creio que o texto passará várias alterações até chegar em uma versão que agrade a todos. Botarei mais fé ainda se a roteirista Jane Goldman ter seu espaço aqui. Ela, junto de Vaughn, tem apenas êxitos no currículo e ambos fazem filmes excepcionais quando reunidos. Também espero ver Caleb Landry Jones, January Jones e Famke Janssen repetindo seus papéis, que são os de Banshee, Emma Frost e Jean Grey, respectivamente. Resumindo, acho que Days of Future Past promete muito e não vai me decepcionar.

Foto da capa do roteiro tem uma citação do livro A Origem das Espécies, de Charles Darwin. Aí vai a tradução: "Enquanto novas espécies se formam através da evolução natural, outras se tornam cada vez mais raras e raras e finalmente se extinguem. As formas que permanecem mais próximas da competição com aquelas que estão passando por modificações e aperfeiçoamentos são as que, naturalmente, sofrerão mais." (Foto: Twitter)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

'X-Men: First Class' - discussões - parte 2

Depois do (até que) curto tempo de espera, First Class finalmente estreou e os elogios do público e da crítica são de deixar qualquer fã orgulhoso!

Enquanto a mídia insiste em dizer que quem engravidou a atriz January Jones (Emma Frost) foi nosso belo diretor Matthew Vaughn (apesar de fontes seguras já terem negado tal feito), a roteirista (e uma de minhas paixões platônicas) Jane Goldman e o próprio Vaughn, andaram dando boas entrevistas para divulgação do filme.

(Foto: Getty Images)

A de Vaughn (foto acima) saiu pelo Screen Geek. É a segunda parte da entrevista, a primeira foi publicada há algum tempo. Como ambas estão em inglês, aí vão os links para a página oficial: primeira parte da entrevista (reprisando) e segunda parte. Sempre vale a pena ler as palavras de Vaughn. Ele realmente foge do padrão de Hollywood e não "tem dedos" para falar de qualquer coisa. É muito sincero e autêntico. Também é muito bom para falar sobre detalhes que muitas vezes são deixados na sombra da produção de um filme.

(Foto: Getty Images)

A de Jane Goldman (foto acima) saiu pelo Pipoca Moderna, que por sua vez, não revela a verdadeira fonte. E como está traduzida, aí vai:

Como aconteceu o seu envolvimento no X-Men: Primeira Classe?
Matthew vinha discutindo com a Fox a possibilidade de dirigi-lo e quando eles deram o aval, tinham um roteiro que ainda não havia sido aprovado, então não se importaram que Matthew explorasse outras ideias. Assim, ele me convidou para ajudá-lo.

Depois de quatro roteiros juntos, como é essa pareceria com Matthew na prática?
Ela se transformou em amizade. Nós gostamos de trabalhar juntos e nos sentimos muito à vontade. Nós abordamos as coisas de maneira diferente, mas no fim as nossas contribuições se encaixam perfeitamente. E, obviamente, fica cada vez mais fácil, o que é ótimo. O Matthew aborda tudo do ponto de vista de diretor, ele já tem uma visão do filme na cabeça, a minha abordagem é diferente. Em termos de estrutura, o Matthew tem uma visão mais forte. Em termos de ideias de cena e de ação, nós dois pensamos do mesmo jeito, mas desenvolvimento dos personagens e diálogo é o meu forte. Muitas ideias se cruzam e nunca acontece de o Matthew sugerir um diálogo e eu dizer “ah, não, isso é assunto meu”. Tudo acontece naturalmente sem muita análise.

Já que você é fã de revistas em quadrinhos, como foi poder criar em um universo tão abrangente como do X-Men?
Foi muito empolgante. Obviamente eu era fã dos quadrinhos dos X-Men, mas como já houve muitas interações, especialmente nos últimos anos, foi bom ter a oportunidade de retornar aos originais bem do começo. Felizmente, eu tinha todos os clássicos em casa, eles fazem parte da coleção do meu marido (o apresentador de TV Jonathan Ross)! Mas para lê-los, eu recebi instruções rigorosas sobre ter as mãos limpas… e tinha aqueles sacos prateados de armazenamento espalhados pela casa toda! Mas foi fascinante poder voltar no tempo e restabelecer essa conexão. Algo que o Matthew e eu sentimos, como fãs de quadrinhos, é que quando novos escritores e artistas assumem uma série já estabelecida, eles devem respeitar o que já foi feito, ao mesmo tempo em que precisam explorar e imprimir suas visões. Em termos de fidelidade aos cânones dos X-Men, sempre houve discrepância nos quadrinhos, então foi bom ter certo grau de liberdade, ao mesmo tempo respeitando a história.

A época em que o filme se passa ajuda a sugerir Malcolm X e Martin Luther King na dinâmica entre Magneto e o Professor X?
Sem dúvida. Não sei se foi graças a isso que o produtor Bryan Singer teve a ideia de fazer um filme de época, mas sem dúvida faz parte do relacionamento deles. Ele também aborda um estágio na vida das pessoas em que as suas ideias estão se formando – as experiências que as levam a determinado caminho – , ideias que as guiarão nas suas ideologias. As coisas que acontecem com você determinarão o seu caminho e a maneira que você virá a interagir com outras pessoas. Na verdade, o conceito de que as coisas não são branco e preto e o momento em que elas se cruzam é fascinante, é disso que eu gostei.

Como funciona a interação entre os dois personagens e os lados adversários?
Sebastian Shaw é o vilão, mas em termos do grupo X-Men, no início não há um lado certo ao qual você se aliar. Depois isso se transforma e você vê a direção que cada um toma. É bom não ser uma pura questão de bem ou mal. De certa maneira, o suposto lado mal é bem razoável. Isso é interessante porque a vida é assim, não é? Acho que Kevin Bacon representa o puro mal, mas o interessante é que se percebe no Magneto resquícios dos ideais que o Sebastian defende, que na verdade ele respeita. E também há coisas que o Charles defende que ele respeita. É interessante ver a decisão que os personagens tomarão na hora H.

Como você fez de Charles Xavier – esse ícone da pureza – uma pessoa com imperfeições?
Com a ajuda de James McAvoy, achar as imperfeições, esse sim foi o nosso grande desafio, achar falhas no Xavier e dar mais facetas e humanidade à sua personalidade. Acho que acertamos em cheio no complexo de Deus dele. Esse desejo dele de consertar todo mundo, se você aplicar na vida real, não é fácil passar a vida pensando desse jeito. Esse desejo total de mudar as pessoas e moldá-las conforme a sua ideia do que é bom ou ruim gera conflito. Ele parece muito com Yoda – as emoções não o atingem. Foi interessante tentar descobrir as facetas da personalidade dele, e o James contribuiu muito quando se juntou ao projeto. Nós fizemos muitas alterações a partir de conversas que tivemos com ele, nós exploramos mais áreas. Ele tem uma ótima interpretação do personagem, ele é genial.

Como você aborda os personagens mutantes periféricos? É uma questão de escolher os que se encaixam melhor na história ou você usa os seus favoritos?
É um pouco dos dois, para ser honesta. Acho que alguns são obviamente interessantes. Alguns são intrínsecos à história e tem alguns, certamente um caso específico, que ele tem um superpoder tão legal que nós tínhamos de usá-lo! A Fox nos deixou à vontade para escolhermos quem quiséssemos. As possibilidades eram encantadoras. É claro que os personagens também tinham de ser desenvolvidos. Não é apenas o caso de usá-los a esmo, espero que tenhamos criado uma dinâmica interessante em termos das decisões que eles tomam. Ter alguns personagens que sobre os quais não sabemos muito também é bom porque a gente pode se identificar com eles. Eles entram na história pela primeira vez e estão testemunhando esses dois personagens principais formarem as suas ideologias. São as decisões que os personagens que nós não conhecemos tomam e que representam a visão nova.

Você já pensou que rumo a história tomaria de agora em diante?
Para ser sincera, nós não pensamos no próximo. Certamente não é um assunto sobre o qual tenhamos conversado. Este filme não foi feito com o seguinte em mente. Isso seria perigoso. É melhor nos concentrarmos no filme atual.

[ATUALIZAÇÃO - 09/06/2011, às 18h35]

No dia de estreia de First Class, o Bleeding Cool publicou um texto sobre a polêmica questão dos créditos de roteiro deste filme. Aqui há interessantes comentários dos quatro envolvidos: Jane Goldman, Matthew Vaughn, Ashley Edward Miller e Zack Stentz. Eles também comentam o fato de que Jamie Moss é responsável por um dos rascunhos e não foi reconhecido pelo WGA. Ao ler o artigo, dá para entender que cada um merece o crédito que teve, seja na parte de roteiro, seja na parte de concepção na história (Bryan Singer teve uma ideia e usou elementos de um roteiro de Sheldon Turner).

Levando em conta o comentário de Goldman (não o tanto quanto ríspido de Vaughn), dá para concluir que, ela e o diretor mudaram bastante o roteiro quando tomaram conta da última revisão, fazendo a versão final do texto a partir de elementos do rascunho de Miller e Stentz. A postura desses dois últimos foi defensiva, é claro. Disseram que trabalharam semanas com Goldman e Vaughn na última versão do roteiro.

Resumindo, todo mundo que merecia crédito foi creditado, tirando Jamie Moss. Falando dele, seria interessante saber do roteiro que ele fez, para ver o que foi aproveitado do tal rascunho.

sábado, 4 de junho de 2011

Primeira Classe é o trabalho de um excelente filmmaker na direção e de outro excelente filmmaker na produção – e o resultado vai bem além disso

[RESENHA SEM SPOILERS]


X-Men: Primeira Classe é um daqueles filmes que nunca teriam como dar errado. Não com um cineasta visionário na produção e na feitura da história (Bryan Singer) e outro cineasta visionário na direção (Matthew Vaughn).

Fica até difícil de saber por onde começar a falar sobre este filme. É uma grande junção de partes que estruturam um contexto absolutamente ambicioso. A essência é puramente emocional, assim como em todos os outros filmes dirigidos por Matthew Vaughn. A auto-aceitação é retratada aqui como uma versão não expandida de conflitos que definem nossa sociedade como esse caldeirão de confusões dos mais variados tipos. Os jogos de interesses políticos fluem com precisão (o que não deve faltar quando se trata de X-Men em qualquer mídia), e fatos verídicos da história da humanidade são inseridos com bastante audácia na trama mutante. É tudo muito sugestivo e incisivo: exatamente o que a franquia precisava. Desde que Bryan Singer a deixou, depois de dirigir os fabulosos dois primeiros filmes, a conclusão não foi muito bonita. O Confronto Final e Wolverine tiveram produções sofridas e resultados inconsistentes. Nem todo mundo gostou. Agora que Bryan Singer voltou e provavelmente não vai embora de novo, o rumo já está definido.

Depois de aceitar e sabiamente desistir da direção de O Confronto Final (e criticar com razão o resultado), Matthew Vaughn aceitou, recusou, e aceitou novamente a direção de Primeira Classe. Foi uma feliz escolha dos produtores. Dessa vez eles ofereceram ao diretor mais independência e liberdade criativa. Isso se deve ao grande êxito da carreira de Vaughn. O nome desse êxito é Kick-Ass, e só vendo para compreender o que este filme é. De qualquer forma, o tal diretor levou seu estilo para uma produção supervisionada por Bryan Singer, o que fez muita gente erguer as orelhas para prestar atenção no projeto. Depois, junto com as notícias que iam saindo enquanto o filme estava sendo feito, os comentários receosos vieram: a divulgação da história, junto com outros fatores, denunciou uma série de discrepâncias de continuidade com os outros filmes. Os atores não são celebridades. Muitos personagens. Muitos nomes nos créditos de produção. Muitos nomes nos créditos de roteiro (o que causou uma pequena confusão que chegou até o sindicato dos roteiristas dos EUA). Material promocional em excesso e de qualidade duvidosa. Apenas aproximadamente um ano entre o anúncio do filme e sua estreia. E agora que ela chegou e os elogios são no mínimo rasgados, os comentários receosos cessaram, apesar dos comentários ácidos continuarem.

Os autores desses comentários são os fãs que irredutivelmente prezam pela fidelidade total aos quadrinhos. Primeira Classe revelou-se corajoso por funcionar como uma prequela, reboot, e ter um roteiro original. Apesar de haver referências, a trama não foi extraída de nenhum arco de histórias dos quadrinhos lançados. No filme, alguns personagens se encontram num tempo em que, originalmente, não deveriam estar. Outros personagens perderam seu sotaque. Outros são mudos ou praticamente monossilábicos. Mesmo assim, todos eles têm uma persona fiel à das origens, e funcionam muito bem por aqui. A melhor forma de se livrar desses fantasmas do processo de adaptação de livros ou quadrinhos é simplesmente encará-los como não-definitivos. Eles não têm o objetivo de estabelecer qualquer coisa na “mídia de origem”. O caráter experimental da equipe deste filme falou mais alto e um dos resultados mais aparenta ser uma homenagem aos quadrinhos. Primeira Classe trata a franquia com um novo olhar. Isso aconteceu com outros heróis como Superman e Batman. Falando de Batman, Matthew Vaughn disse que Primeira Classe é parecido com Batman Begins, justamente por se tratar de uma nova interpretação, que começa se apresentando, depois revela seus objetivos. Se a continuação de Primeira Classe for tão espetacular quanto a de Batman Begins, as palavras do diretor se concretizarão. É esse o motivo que Primeira Classe tem para não subir mais degraus do que deveria. Eles serão alcançados nas continuações. Consegue ser ótimo seguindo padrões estabelecidos por si mesmo, tem a própria velocidade, assim como foi com o primeiro filme dos X-Men, de 2000. A ideia da junção de prequela e reboot é levada tão a sério, que cenas do primeiro filme foram refeitas.
Jane Goldman (corroteirista) com parte do elenco: Kevin Bacon, Michael Fassbender, James McAvoy, Zoë Kravitz, Jason Flemyng e Álex González.
O filme por si só é uma beleza. As atuações são equilibradas e certeiras. Ótimo casting. São muitos personagens, mas os rostos dos atores são inesquecíveis. A atenção é muito bem dividida e o carisma dos vilões equivale ao dos heróis. January Jones foi perfeita como Emma Frost. Caleb Landry Jones foi amável como Banshee. James McAvoy é um ator que esbanja talento. Mas o negócio aqui é a atuação de Michael Fassbender como Magneto. De uns tempos para cá, Fassbender anda recebendo a atenção que merece. É um ator que tem uma presença forte e abraça o que for necessário para ser convincente. Quem rouba a cena é ele, falando várias línguas e com sede de vingança.
Jane Goldman e Matthew Vaughn.

O roteiro é muito bem amarrado, o que pode ser considerado um triunfo. Geralmente, quando muitos roteiristas trabalham no mesmo projeto, o resultado é disperso e mole. Felizmente, não é o caso de Primeira Classe. A história foi feita por Bryan Singer, adicionando elementos de um roteiro que Sheldon Turner fez para um spin-off de Magneto. Jamie Moss escreveu um primeiro rascunho (e ficou de fora dos créditos, apesar de ter recorrido ao Writers Guild of America, com a ajuda de Singer), que depois foi reescrito pela dupla em ascensão Ashley Edward Miller e Zack Stentz (de Thor) e finalmente passou por uma última revisão com Matthew Vaughn e seu braço direito, a sempre bela e talentosa Jane Goldman (reprisando a parceria de Stardust, Kick-Ass e do ainda inédito The Debt). A impressão é a de que escreveram o filme sem se importarem com competição entre outros de super-heróis. Como se tudo fosse descoberto numa segunda primeira vez.
Esteticamente, é impecável. Os figurinos, os cenários, toda tecnologia futurista. A veia de anos 60 é bem presente. A fotografia, por sua vez, surpreendeu. É bela e eficiente, mas as cores não são tão acentuadas como nos trabalhos anteriores de Vaughn. E falando dele, mas que direção impecável. Dá gosto de ver. Poucos conseguem dirigir cenas de ação monumentais e imprevisíveis e atores em performances tão respeitosas.

X-Men: Primeira Classe tem uma história muito bem contada e um final que deixa vontade de assistir a continuação no dia seguinte. Infelizmente, haverá um intervalo de dois ou três anos até o próximo, como é típico dos filmes dos X-Men. Mas se a mesma equipe estiver presente para fazer outro filme impecável, a espera valerá. Na próxima vez, em decorrência de seu acerto, provavelmente o diretor deverá ter mais espaço ainda para trabalhar, e menos mãos cuidarão da produção e do roteiro, de forma que sua marca será mais visível ainda.

Matthew Vaughn é um visionário. E tenho dito.


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