quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Consciência tranqüila

Quem tem a consciência tranqüila aqui levante a mão.

Eu tenho a consciência tranqüila. Muito tranqüila. Mesmo que eu seja julgado como um idiota iludido. Mesmo que eu esteja passando por uma fase em que meu contato com o hemisfério idiota do mundo é mais que o normal e/ou necessário. Mesmo que as pessoas não entendam. Mesmo que alguns pensem que isso não é verdade, é apenas imaturidade. Mesmo que esse mundo acabe com todos nós, já que é praticamente isso que está acontecendo. Mesmo que eu não tenha palavra para escolha. Mesmo que o erro seja meu. Mesmo que haja algum tipo de responsabilidade.

Mas a minha pergunta é: será que eu sou o único?

Porque geralmente os adolescentes são drogados, depressivos, provocam acidentes de carro ou são tão religiosos e felizes que assustam os mais centrados como eu. Então será que pessoas calmas como eu não são padrão? E o padrão é ser adolescente destrutivo ou drogado ou micareteiro?

G-Zuz, como arranjo dilemas. Tsc.

terça-feira, 9 de junho de 2009

O retorno do Trombadinha e a morte de David Carradine

Há um tempo eu tive um encontro nada produtivo com um trombadinha. Foi tudo muito rápido, ele não levou nada de mim, e ainda me disse antes de ir embora: "Deus te abençoe". Não houve nada de Deus. Fiquei furioso como se um demônio tivesse me possuído, papo sério. Ele não chegou com o discurso de "isso aqui é um assalto, porra!", então eu levei um tempo para entender o que estava acontecendo. "Você quer me assaltar, é isso?". Silêncio. Ele queria me assaltar. Mas não levou nada.

Então tá.

Ontem, quem eu vejo andando de bicicleta (de bicicleta mesmo) na mesma calçada que eu estava enquanto ia para escola? O Trombadinha. Ele me reconheceu. Eu o reconheci, e parei de andar. Ele olhou para mim. E conversou comigo como se eu fosse um coleguinha dele, na maior cara de pau. E veio me perguntando o que eu tinha para dar para ele. Eu respondi: "Nada". Mentira! Nas duas ocasiões eu poderia muito bem dar meu celular e mais alguns trocados para ele comprar algo tipo drogas, sabe? Mas eu não cedi. E assim foi. Ele insistia, e eu também. Pedindo e eu negando. E ele de bicicleta. E me pediu para "olhar na bolinha do olho, alemão". Eu podia morrer à toa. E eu não devia contar para ninguém que eu o vi de novo. Minha resposta, entre risadas sinceras: "Tá bom" (aí está a vantagem de se irônico com gente ignorante). Então ele foi embora porque precisava ir para casa. "Deus te abençoe". E ele foi embora. Reagi com risadas e a frase "não acredito, mas que zica!". Cheguei a pensar que dessa vez ele ia agir feito um assaltante de verdade: pular no meu pescoço, rolar comigo naquela calçada e ainda me deixar descalço. Mas nããão, as ameaças com a mão debaixo da camiseta foram o suficiente. Mas ah, contra ele eu me garantia. Menor que eu e magro feito um palito. Nunca fui do tipo brigão, mas nada como aproveitar essas oportunidades para através de chutes deixar claro como vale a pena ser bonzinho e pagar todas as contas.

Depois fiz o que deveria ser feito: denunciei o Trombadinha na base dos policiais ali na praça, praticamente vizinha do lugar onde o Trombadinha veio tentar me assaltar. Ele não levou nada de mim, repito, mas de um garoto do segundo ano, bem em frente a escola, ele levou um desses cartões usados para pagar passagem de ônibus.

Na hora da saída, a ronda escolar estava rondando (é, eu sei) as ruas daquela região.

Consciência tranqüila, mais experiência com os manos e sem sensação de culpa.

Mas esse não é o ápice desse post, não mesmo. David Carradine morreu. Como assim? Tá, as pessoas morrem, mas observe:

A polícia que investiga o caso acredita que Carradine morreu por uma asfixia acidental depois de praticar uma forma perigosa de masturbação, chamada de "asfixia auto-erótica" (um jogo sexual em que os jogadores sentem prazer ao serem estrangulados parcialmente). (Fonte.)

Poucos morrem com tanta dignidade e ironia. Da última vez foi o grande Heath Ledger. A minha ficha não caiu até agora, para os dois casos.

Tsc, grande Carradine. Eterno Bill, de Kill Bill. Estou muito triste. Mas assim vai a vida, né? Com gente morrendo tentando ter orgasmos.

Aqui ele:


Aos 72 anos. Não era muito jovem, eu sei, mas sempre tinha coisas legais para compartilhar com os cinéfilos.

Conclusão desse post e dos anteriores: a vida é maluca, e nós vamos enlouquecendo junto, mas todas as escolhas difíceis que nós tomamos no nosso cotidiano podem nos ajudar a deixar com os pés no chão.

Pensei em encerrar isso aqui com Crazy, cover do Seal que a Alanis Morissette fez, mas essa loucura da cidade grande me força a deixar isso aqui:

"Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais."
Elis Regina (R.I.P. Zé Rodrix) - "Casa no Campo"

quinta-feira, 21 de maio de 2009

De sábado pra cá, enfatizando o Lenine

Sábado.

Por volta de 18h do último sábado, meu fim de semana ficou mais interessante com a Virada Cultural de São Bernardo do Campo. Teve show do Nasi. Isso mesmo. Show dele. E eu fui. Pouca gente, muito frio, valeu a pena. Ele cantou músicas dele, algumas do Ira!, fez cover do Raul Seixas e não fez do Iggy Pop, como dizia no folheto da Virada. Mesmo quando terminou o show, a platéia berrava o nome dele e então ele voltou e arrabentou tudo com mais algumas músicas. Arrabentou tudo mesmo. Show memorável.

(aguarde por uma foto aqui.)

Às 21h assisti uma peça de teatro que eu não gostei. À 0h começou o "noitão" de filmes clássicos do Nosferatu/Drácula. Quatro, ao total. Três me agradaram: o Nosferatu clássico, e os dois do Drácula, o do Coppola e o do Tom Browning, com o Bela Lugosi. O que eu não gostei é um remake alemão de Nosferatu. Não gostei mesmo.



Domingo.

Umas 15h, um ótimo show do Vanguart.

(aguarde foto aqui.)

Por volta das 17h30, show do Lenine. Não houve na Virada momento melhor que esse. Nenhum outro. Que homem é esse? Ele é absurdo. Veio de outro planeta, talvez? Melhor show, melhor atração, um dos melhores domingos dos últimos anos. Em toda Virada, não houve momento tão melhor (enfatizando).

(aguarde foto aqui. Mas que saco. Galerias vazias.)

Segunda-feira.

Estava na vibe pós-show: garganta inflamada, gripe e dores no corpo. Valeu a pena. E um trombadinha tentou me assaltar. Não deu certo. Ha-ha. Otário.

Terça-feira.

Movimento minha classe para um abaixo-assinado para darmos cabo do "professor" de Física. Revolução, yeah! Culpa do Lenine.

Quarta-feira.

Nada de tão especial.

Quinta-feira (até agora, 17h25).


Nada de tão especial, fora Grey's Anatomy e o novo álbum da Tori Amos. É, vou sentir falta da Virada.

Mas só para encerrar, deixarei versos do Lenine e um vídeo.

"Não demora eu tô de volta
Vai ver se eu tô lá na esquina
Devo estar!.
Já deu minha hora
E eu não posso ficar
A lua me chama
Eu tenho que ir pra rua
A lua me chama
Eu tenho que ir prá rua...

Hoje eu quero sair só
Hoje eu quero sair só
Hoje eu quero sair só."
Lenine - "Hoje Eu Quero Sair Só"