segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Ledo engano

A Fiona Apple lançou apenas uma das duas versões de seu mais recente álbum, o Extraordinary Machine:


Beleza.

Quando eu conheci a Fiona Apple, lá pra 2007, baixei a versão não lançada do Extraordinary Machine pensando que essa versão fosse a lançada. Fiquei nessa até umas duas semanas atrás. Pois quando chegou o MEU Extraordinary Machine, comprado com o suor do meu trabalho suuuuper-cansativo, vi que as músicas estão em ordem diferente da versão que eu baixei e ouvi durante todos esses... dois anos. Dois anos. Dois anos inteiros acreditando que a versão lançada era a versão não lançada e a versão não lançada era a lançada. E eu bati o pé quando ouvi a versão lançada: eu insisti que era a versão não-lançada.

Quando o CD chegou, eu tentei explicar pra minha mãe, mas estava tão feliz e surpreso e até mesmo um pouco bravo por causa da descoberta digna de A Usurpadora, ela me respondeu: "Caio, não entendi 90% do que você disse." Expliquei de novo, depois de tomar fôlego e falar mais devagar. E ela entendeu.

Felicidade imensa, ora bolas. Eu meio que me "auto-enganei", mas quando eu me "auto-desenganei", tudo voltou a ficar lindo. Pelo menos eu voltei a comprar CDs, e já tenho dois, dos três que a Fiona lançou.

Amo Fiona Apple. Amo gastar dinheiro. Amo passar por essas situações, só pra dar risada, assim como estou fazendo agora.

"But I'm not being fair
'Cause I chose to listen to that filthy mouth
But I'd like to choose right
Take all the things that I've said that he stole
Put 'em in a sack
Swing 'em over my shoulder
Turn on my heels
Step out of this sight
Try to live in a lovelier life."
Fiona Apple - "Not About Love"

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Consciência tranqüila

Quem tem a consciência tranqüila aqui levante a mão.

Eu tenho a consciência tranqüila. Muito tranqüila. Mesmo que eu seja julgado como um idiota iludido. Mesmo que eu esteja passando por uma fase em que meu contato com o hemisfério idiota do mundo é mais que o normal e/ou necessário. Mesmo que as pessoas não entendam. Mesmo que alguns pensem que isso não é verdade, é apenas imaturidade. Mesmo que esse mundo acabe com todos nós, já que é praticamente isso que está acontecendo. Mesmo que eu não tenha palavra para escolha. Mesmo que o erro seja meu. Mesmo que haja algum tipo de responsabilidade.

Mas a minha pergunta é: será que eu sou o único?

Porque geralmente os adolescentes são drogados, depressivos, provocam acidentes de carro ou são tão religiosos e felizes que assustam os mais centrados como eu. Então será que pessoas calmas como eu não são padrão? E o padrão é ser adolescente destrutivo ou drogado ou micareteiro?

G-Zuz, como arranjo dilemas. Tsc.

terça-feira, 9 de junho de 2009

O retorno do Trombadinha e a morte de David Carradine

Há um tempo eu tive um encontro nada produtivo com um trombadinha. Foi tudo muito rápido, ele não levou nada de mim, e ainda me disse antes de ir embora: "Deus te abençoe". Não houve nada de Deus. Fiquei furioso como se um demônio tivesse me possuído, papo sério. Ele não chegou com o discurso de "isso aqui é um assalto, porra!", então eu levei um tempo para entender o que estava acontecendo. "Você quer me assaltar, é isso?". Silêncio. Ele queria me assaltar. Mas não levou nada.

Então tá.

Ontem, quem eu vejo andando de bicicleta (de bicicleta mesmo) na mesma calçada que eu estava enquanto ia para escola? O Trombadinha. Ele me reconheceu. Eu o reconheci, e parei de andar. Ele olhou para mim. E conversou comigo como se eu fosse um coleguinha dele, na maior cara de pau. E veio me perguntando o que eu tinha para dar para ele. Eu respondi: "Nada". Mentira! Nas duas ocasiões eu poderia muito bem dar meu celular e mais alguns trocados para ele comprar algo tipo drogas, sabe? Mas eu não cedi. E assim foi. Ele insistia, e eu também. Pedindo e eu negando. E ele de bicicleta. E me pediu para "olhar na bolinha do olho, alemão". Eu podia morrer à toa. E eu não devia contar para ninguém que eu o vi de novo. Minha resposta, entre risadas sinceras: "Tá bom" (aí está a vantagem de se irônico com gente ignorante). Então ele foi embora porque precisava ir para casa. "Deus te abençoe". E ele foi embora. Reagi com risadas e a frase "não acredito, mas que zica!". Cheguei a pensar que dessa vez ele ia agir feito um assaltante de verdade: pular no meu pescoço, rolar comigo naquela calçada e ainda me deixar descalço. Mas nããão, as ameaças com a mão debaixo da camiseta foram o suficiente. Mas ah, contra ele eu me garantia. Menor que eu e magro feito um palito. Nunca fui do tipo brigão, mas nada como aproveitar essas oportunidades para através de chutes deixar claro como vale a pena ser bonzinho e pagar todas as contas.

Depois fiz o que deveria ser feito: denunciei o Trombadinha na base dos policiais ali na praça, praticamente vizinha do lugar onde o Trombadinha veio tentar me assaltar. Ele não levou nada de mim, repito, mas de um garoto do segundo ano, bem em frente a escola, ele levou um desses cartões usados para pagar passagem de ônibus.

Na hora da saída, a ronda escolar estava rondando (é, eu sei) as ruas daquela região.

Consciência tranqüila, mais experiência com os manos e sem sensação de culpa.

Mas esse não é o ápice desse post, não mesmo. David Carradine morreu. Como assim? Tá, as pessoas morrem, mas observe:

A polícia que investiga o caso acredita que Carradine morreu por uma asfixia acidental depois de praticar uma forma perigosa de masturbação, chamada de "asfixia auto-erótica" (um jogo sexual em que os jogadores sentem prazer ao serem estrangulados parcialmente). (Fonte.)

Poucos morrem com tanta dignidade e ironia. Da última vez foi o grande Heath Ledger. A minha ficha não caiu até agora, para os dois casos.

Tsc, grande Carradine. Eterno Bill, de Kill Bill. Estou muito triste. Mas assim vai a vida, né? Com gente morrendo tentando ter orgasmos.

Aqui ele:


Aos 72 anos. Não era muito jovem, eu sei, mas sempre tinha coisas legais para compartilhar com os cinéfilos.

Conclusão desse post e dos anteriores: a vida é maluca, e nós vamos enlouquecendo junto, mas todas as escolhas difíceis que nós tomamos no nosso cotidiano podem nos ajudar a deixar com os pés no chão.

Pensei em encerrar isso aqui com Crazy, cover do Seal que a Alanis Morissette fez, mas essa loucura da cidade grande me força a deixar isso aqui:

"Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais
Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais
Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais."
Elis Regina (R.I.P. Zé Rodrix) - "Casa no Campo"