sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Mentes constipadas

Quando você pensa que foi o suficiente, acontece algo a mais, para a sua surpresa. São casos em que te falta imaginação.

Dessa vez, foi com o consultório de dentistas que eu freqüento. Ali só há um Cristo que se salva, no caso nem dentista é. Belê, isso não muda o fato de que ali só tem mentes constipadas (as recepcionistas também entram na dança das mentes constipadas).

Como se não bastasse o fato de que, mensal e gentilmente, eu insiro em seus retos R$ 110,00, eles esquecem de me tratar com aquela porcentagem de respeito que todo mundo preza. Isso para, apenas uma vez por mês, eles trocarem uns ferrinhos nos meus dentes.

"Você tem que usar os elastiquinhos 24h por dia, Caio."
"Não posso, porque eu falo o dia todo, no trabalho e na escola, e os elastiquinhos me atrapalham."
"Eu tinha uma professora de faculdade que usava oito."
"Eu não sou sua professora de faculdade."

Então o sol quase ultrajante escondeu-se atrás das nuvens.

"Acontece que o organismo humano se adapta à tudo."
"Esse é o seu engano: eu não sou humano e meu organismo é rebelde."

Eu faço piadinhas sobre tudo nesse consultório - isso inclui a minha saliva.

E eu lá, todo mês enfiando uma boa parte do meu salário no bolso deles. Não vejo a hora de tirar esse aparelho.

domingo, 15 de novembro de 2009

Quem precisa de título?

Eu tenho um sério problema. E é com literatura brasileira e portuguesa. Acho chato. Terrivelmente chato. Passamos anos engolindo tudo isso nas aulas de português e literatura, e na época que deveríamos ler aproximadamente um milhão de livros, não temos nem um pouco de vontade de ler. E essa época é a de vestibular. Eu me encaixo nesse grupo.

Passei toda minha vida lendo Harry Potter, e nas semanas de mais inocência, Pedro Bandeira. Cara, eu gostei dele por alguns dias. Depois desses dias, era puro ódio. Meus coleguinhas pré-adolescentes que curtiam ler alguma coisa, liam Pedro Bandeira. Eu lia Clarice Lispector e Luis Fernando Veríssimo. Clarice é maravilhosa para quem conhece, com certeza. Eu a amarei até o fim da minha vida e blá blá blá. Mas acaba aí. Às vezes eu me arrisco com alguma coisa ou outra do Mário Quintana. Eu tenho paciência com ambos. Fora a paciência, tenho admiração.

Machado de Assis? Guimarães Rosa? Graciliano Ramos? Sempre ouvi falar deles, e sempre bastei-me aos trechos dos livros didáticos. Esses dias me deu vontade de ler Memórias Póstumas de Brás Cubas. E estou tentando ler. Eu não tenho paciência. Abri esse livro, e quando me dei por conta do meu entusiasmo, já tinha terminado a leitura de uma HQ de O Curioso Caso de Benjamin Button:


E de X-Men #95 (nessa manhã de domingo):

Deus sabe como eu me esforço, mesmo não tendo nada a ver com essa situação.

Nessas situações, dar uma cagada no maiô é muito fácil.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Ledo engano

A Fiona Apple lançou apenas uma das duas versões de seu mais recente álbum, o Extraordinary Machine:


Beleza.

Quando eu conheci a Fiona Apple, lá pra 2007, baixei a versão não lançada do Extraordinary Machine pensando que essa versão fosse a lançada. Fiquei nessa até umas duas semanas atrás. Pois quando chegou o MEU Extraordinary Machine, comprado com o suor do meu trabalho suuuuper-cansativo, vi que as músicas estão em ordem diferente da versão que eu baixei e ouvi durante todos esses... dois anos. Dois anos. Dois anos inteiros acreditando que a versão lançada era a versão não lançada e a versão não lançada era a lançada. E eu bati o pé quando ouvi a versão lançada: eu insisti que era a versão não-lançada.

Quando o CD chegou, eu tentei explicar pra minha mãe, mas estava tão feliz e surpreso e até mesmo um pouco bravo por causa da descoberta digna de A Usurpadora, ela me respondeu: "Caio, não entendi 90% do que você disse." Expliquei de novo, depois de tomar fôlego e falar mais devagar. E ela entendeu.

Felicidade imensa, ora bolas. Eu meio que me "auto-enganei", mas quando eu me "auto-desenganei", tudo voltou a ficar lindo. Pelo menos eu voltei a comprar CDs, e já tenho dois, dos três que a Fiona lançou.

Amo Fiona Apple. Amo gastar dinheiro. Amo passar por essas situações, só pra dar risada, assim como estou fazendo agora.

"But I'm not being fair
'Cause I chose to listen to that filthy mouth
But I'd like to choose right
Take all the things that I've said that he stole
Put 'em in a sack
Swing 'em over my shoulder
Turn on my heels
Step out of this sight
Try to live in a lovelier life."
Fiona Apple - "Not About Love"