quarta-feira, 23 de junho de 2010

"(...) não se vai acabar o mundo..."

“... ainda cá ficaremos milénios e milénios em constante nascer e morrer, e se o homem tem sido, com igual constância, lobo e carrasco do homem, com mais razões ainda continuará a ser o seu coveiro.”



José Saramago.

sábado, 17 de abril de 2010

Horror é para poucos

Roteirista de Juno conseguiu a proeza de decepcionar mídia com um filme realmente bom


Diablo Cody é a ex-stripper que ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original em 2008 por Juno, que na época foi a grande sensação entre os cinéfilos de plantão. O que ninguém esperava é que em seu segundo filme, Diablo usaria de forma diferente as mesmas ferramentas para criar Jennifer’s Body (Garota Infernal, na adaptação brasileira), um longa-metragem que mistura horror com humor negro.

Sobre a roteirista, seria de ímpar importância dizer que ela por si só é talentosa e realmente excêntrica (assim como sua obra) e sua história de vida é bem intrigante: o verdadeiro nome dela é Brook Busey, e ela não gosta nem um pouco disso. Cansada da mesmice, Brook, que trabalhava numa empresa como secretária (emprego que lhe garantiu visitas a sites pornôs quando surgia oportunidade), rasgou a saia e decidiu ser stripper: aí que ela adotou o pseudônimo “Diablo Cody”.

O tal livro. Publicado no Brasil pela Nova Fronteira.

Diablo, que é uma boa nerd, interessada em filmes, música, livros e quadrinhos, sempre gostou de escrever. Ela tinha um blog sobre a indústria do sexo chamado Pussy Ranch, e foi através desse blog que o produtor de filmes Mason Novick a conheceu e lhe enviou um e-mail perguntando se já havia pensado em escrever algum roteiro. Diablo achou que Mason era algum cara maluco e não deu tanta atenção a ele no começo. Quando Diablo enviou a Mason o livro que ela havia escrito sobre suas experiências como stripper, Candy Girl: A Year In The Life Of An Unlikely Stripper, Mason tratou de arranjar para ela um editor, que lhe garantiu o lançamento do livro, que acabou se tornando bem recebido pela crítica, que acabou fazendo Diablo sentar-se para uma entrevista no sofá de David Letterman. Simples assim. E não houve escapatória. Mason Novick recebeu o roteiro de Juno e não descansou enquanto não o viu nas telonas. A partir daí você já sabe.

Diablo e seu Oscar: primeiro carinho, depois porrada da mídia mundial.

Jason Reitman, o diretor de Juno, Mason Novick e Diablo tornaram-se algum tipo de “trio parada dura”, realmente interessados em fazer filmes malucos. Numa conversa que pode ser vista no YouTube com Brendon Urie, o vocalista da banda Panic! At The Disco, que está na trilha sonora de Jennifer’s Body, Diablo disse que uma vez sabendo que poderia escrever roteiros, poderia escrever um filme de horror, gênero que sempre amou. Aí entra Jennifer’s Body, dessa vez com a diretora de Aeon Flux e Girlfight, Karyn Kusama, no comando. Muita gente ficou na espera pelo filme, isso é fato. A estreia nos EUA foi no dia 18 de setembro e não foi todo mundo que gostou. A crítica, obviamente decepcionada, não contribuiu com suas estrelas e entre a garotada, nem todos viram o que esperavam ver. Bilheteria? Fracasso. Aqui no Brasil, nem um mês em cartaz nos cinemas.

É a saudade de Juno. Pois em Jennifer’s Body, Diablo Cody fez um trabalho sombrio, sangrento, visual, “atmosférico” (como ela própria define) e com humor negro rude o suficiente para ofender os ouvidos mais sensíveis. Karyn Kusama segura a câmera com muita firmeza, algumas vezes fazendo enquadramentos um tanto quanto estranhos, o que contribui para a consistência do filme. Lembrem-se de que existe um grande vão entre o gênero terror e o gênero horror. Esse segundo não explora nenhuma relação sólida com um padrão de qualidade. Por outro lado, essa história é antiga. O gênero do horror sempre foi socialmente esculhambado.

O interessante de Jennifer’s Body é o feminismo colegial, considerando a adolescência como tema preferido de Diablo Cody. Esse seu segundo filme fala sobre uma líder de torcida interpretada por Megan Fox, que consegue nada mais, nada menos que um demônio em seu corpo que lhe dá fome de garotos. Então ela sai por aí os devorando. Sua melhor amiga, Needy, vai atrás dela, tentando impedir o massacre. Entre as duas, uma relação um tanto complexa e quase sexual é dissecada e encerrada com chave de ouro.

Jennifer com o capeta no corpo: em ‘Transformers’, Megan Fox não convence tão bem como aqui.

Com diálogos memoráveis, Jennifer’s Body vai deixar muitos fãs da não-mais extinta banda Hole com a pulga atrás de orelha, por esse ser um filme cujo título é uma menção à música homônima da banda, e por uma cena em especial de lamber os beiços. Detalhe: esse filme é repleto delas.

O papel de Jennifer cai como uma luva em Megan Fox. O restante do elenco é composto pela excelente Amanda Seyfried, o curioso Johnny Simmons, e J. K. Simmons, que também está em Juno, e aqui em um papel um tanto quanto instigante. A trilha sonora é bem definida, aproxima ao filme os adolescentes de hoje através das músicas escolhidas por pessoas que um dia foram adolescentes e fizeram um filme usando nós, a nova geração, como pano de fundo.

Passada a breve maré de inquietação, o DVD e o Blu-ray de Jennifer’s Body saíram nos EUA dia 29 de dezembro e já estão nas locadoras do Brasil. Esse ano foi oficializada uma nova produção com roteiro original de Diablo Cody: o Young Adult. Tornou-se prioridade da Mandate Pictures. Vamos ver no que vai dar.

---

O trailer mais legal é o restrito:



---

Essa resenha é MINHA. Não copie. Se copiar, sofrerá as conseqüências. E com trema.

terça-feira, 30 de março de 2010

Palavras e mais palavras

Depois de mais de um mês sem postar, voltei (como se isso fosse algo realmente importante).

Foi um “mais de um mês” bem movimentado. Quase perdi dois dedos, quase arranjei um emprego, quase fiz faculdade, desenterrei três bandas (Modest Mouse, The Shins e Franz Ferdinand), estou vendo vários filmes e estou aguardando ansiosamente pelo novo álbum do Hole.

Pois é. Estive pensando sobre palavras. Decidi fazer uma lista de palavras bonitas e legais de se falar e outra lista para palavras feias e desagradáveis de se falar. Por quê? Não sei. Decidi simplesmente escrever sobre isso porque eu já estava pensando em deletar esse blog, e definitivamente, ele está precisando de alguma atualização.

PALAVRAS BONITAS E LEGAIS DE SE FALAR:
Chloë Sevigny
Papoula
Debutar (obrigado, Dimi)
Colossal (obrigado, Elle Driver em Kill Bill Vol. 2)
Luis Buñuel (obrigado, Diablo Cody)
Estereótipo
Clitóris
Plausível
Ceroula
Bukowski
Cinema (hehehe)
Bowie (obrigado, Ferdi)
Picles (obrigado, Ferdi)
Putaria (é isso mesmo)

PALAVRAS FEIAS E NÃO-LEGAIS DE SE FALAR:
Fronha (!)
Bolacha (obrigado, Woody Allen)
Pochete
Pinça
Espuma
Mongólia
Mortadela
Farc ("as Farc"? Horrível!)
Bucha (obrigado, Ferdi)

Quem tiver alguma palavra para incrementar qualquer uma das listas, feel free. De qualquer forma, eu com certeza preciso de um emprego. Droga.

Observação: esse post está sujeito a alterações. E para sempre.