quinta-feira, 7 de abril de 2011

Preciosidade desconhecida


Heathers (que saiu no Brasil como Atração Mortal), é uma agradável surpresa. É um filme marginal, meio que perdido no meio de tantos outros títulos, mesmo recebendo a etiqueta de cult following. Na época em que estreou nos cinemas, em 1989, recebeu elogios, mas foi um fracasso nas bilheterias. Winona Ryder e Christian Slater, os protagonistas, ainda eram recém-tirados do forno da indústria cinematográfica dos Estados Unidos. E o que poucos sabem, é que Heathers é um dos fundadores do gênero de comédias de colegial. Se não fosse por este filme, nem teríamos chegado perto de Meninas Malvadas, por exemplo, que aparentemente é um must see da lista de comédias adolescentes atuais.

Mesmo tendo a sua importância por ter influenciado muitos filmmakers, Heathers ainda continua invisível para muita gente. O roteirista responsável por este triunfo, Daniel Waters, é autor do roteiro de Batman – O Retorno, seu trabalho mais conhecido. Se você apreciou a proposta desse filme, saiba que Heathers não se encontra muito distante dele: é dark, repleto de piadinhas ásperas, e segue um caminho inimaginável. Trata-se da jornada de Veronica Sawyer (Ryder), que tenta fazer parte de um trio de meninas encapetadas e populares. Todas se chamam Heather. Veronica conhece o outsider J.D. (Slater) e iniciam um romance. Ao mesmo tempo, uma série de assassinatos e suicídios envolve a escola em que todos eles estudam. Essa sinopse tem seus efeitos repercutindo até hoje no cinema. Meninas Malvadas já foi citado, e podemos incluir nessa lista qualquer escrito de Diablo Cody, Ginger Snaps, uma comédia de horror canadense escrita por Karen Walton, e Kick-Ass, a comédia de aventura dirigida por Matthew Vaughn e escrita por ele em parceria com Jane Goldman. Todos esses filmes aproveitam o que suas épocas oferecem para se criarem e deixarem suas impressões sobre a realidade.

Veronica Sawyer e as Heathers. Malvadeza com absorventes.

Waters diz que Heathers é uma tentativa de mostrar a verdadeira natureza dos adolescentes e como funciona a sociedade no colegial. Bull’s eye! Se você se lembra dos tempos de escola, impossível não associá-lo à essência do filme. Todo mundo pode ser simpático e acrescentar boas coisas na sua vida, mas no fundo, no fundo, está todo mundo sozinho ou em grupos distintos, esperando pela oportunidade de usar o próximo como degrau. Pelo seu trabalho, Waters ganhou o Edgar Award de melhor roteiro em 1990, e o diretor Michael Lehmann e a produtora Denise Di Novi (produtora de vários filmes de Tim Burton), ganharam o prêmio do Independent Spirit na categoria de melhor primeiro filme. Winona Ryder ganhou o “Special Mention” do Torino International Festival of Young Cinema. Heathers vende muito bem em outras mídias, o que reforça seu status de cult.

Os papéis de Veronica e J.D. chegaram perto de pertencer a Jennifer Connelly e Brad Pitt. Connelly recusou e Pitt foi considerado “muito simpático” para o papel. Winona Ryder implorou a Waters para ter o papel de Veronica. O agente dela disse que fazer parte desse filme jogaria sua carreira no lixo. Os pais de Heather Graham preferiram que ela não participasse do filme por conta de seu conteúdo obscuro. A integrante do elenco Kim Walker, a Heather Chandler, morreu de tumor cerebral há alguns anos. Ironicamente, em uma cena do filme, ela pergunta a outra Heather: “did you have a brain tumor for breakfast?”. Parece que o esse filme tem de dark, se expandiu para a atmosfera em volta dele. Entre outros gols, Heathers vale pela frase da antológica cena de abertura no refeitório: “fuck me gently with a chainsaw!”, e, é claro, por ser esse poço de ácido. Só que cair nele pode ser finger-lickin’ good.



---

Essa resenha também está no Under Thunder, a convite do meu amigo Emílio (e ela é MINHA, não copie. Se copiar, será despedaçado).

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

'X-Men: First Class' - discussões - parte XVII

[SEM SPOILERS, AMICOS]

Continuo achando demais saber que Kevin Bacon estará em First Class. E interpretando um vilão!

X-Men: First Class | Kevin Bacon dá informação interessante sobre o vilão do filme
Será que veremos Sebastian Shaw no meio da ação?
por Marcelo Hessel
20 de Dezembro de 2010
Em entrevista à revista Philadelphia Style, o ator Kevin Bacon, o Sebastian Shaw de X-Men: First Class, deu uma declaração interessante sobre o novo filme da franquia X-Men. Talvez você julgue ser um spoiler, então não prossiga se não quiser correr o risco.

Líder da sociedade secreta Clube do Inferno, que ambiciona dominar o mundo, Shaw vive como um homem de negócios, mas esconde do público sua habilidade mutante: absorver e transformar em força toda energia dirigida contra ele. Não espere de Sebastian Shaw no filme, porém, muitas demonstrações de poder.
Segundo Bacon, o papel não exigirá esforços físicos: "Vou deixar os atores mais jovens cuidarem dessa parte. Eu sou mais um desses caras que tentam destruir o mundo sem levantar da cadeira". Se Shaw não terá cenas de ação, será que o filme ainda esconde uma ameaça maior? Sentinelas? Amageddon?
--

Sebastian Shaw é um excelente lutador. Mesmo que não lute o filme todo, assim como Frank D'Amico (vilão de Kick-Ass), quando lutar, pode ser do caralho.

E só para constar: Jane Goldman e Matthew Vaughn (roteirista e diretor), ganharam, respectivamente, os prêmios de Hottest Writer e Hottest Director pela Total Film. Kick-Ass e First Class foram citados. Kick-Ass apareceu competindo em outras categorias também.

Sebastian Shaw ao centro; Emma Frost, a Rainha Branca, à esquerda; cara desconhecido de óculos acima dela; Magneto à direita de Shaw (Magneto?); e finalmente, Selene, a Rainha Negra.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Primeiras impressões sobre 'Scott Pilgrim vs. the World'



Vale muito a pena ver Scott Pilgrim vs. the World. Não só pela barulheira que fizeram por causa da quase-não-estreia aqui no Brasil, mas mais ainda por ser um filme absolutamente incomum. Parece mais uma junção de “filmes de luta” (como aqueles do Mortal Kombat) com vários tipos de games em várias plataformas. Levando em consideração outros belos elementos, este filme é uma homenagem aos games, ao indie rock, aos quadrinhos e toda cultura geek em geral.

Scott Pilgrim (Michael Cera) tem uma via-crucis a ser enfrentada: ele se apaixona por Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead) e para ficar com ela, tem que quebrar a cara de todos os ex-namorados e da ex-namorada dela (de sua fase “bicuriosa”, como a própria Ramona diz). Entre uma luta e outra, Scott toca com sua banda. E sim, as lutas são espetaculares, tiram o fôlego e são bem diferentes uma das outras. Fora o humor nonsense, uma lição para quem acha que saber fazer filmes de comédia. O roteiro é do diretor, Edgar Wright, e Michael Bacall, baseado na HQ homônima de Bryan Lee O'Malley. Não li a HQ, então não sei se é fiel, mas não deixa de ser um roteiro maravilhoso. Há muito caos, fantasia e emoções das mais humanas. A trilha sonora é ótima, e tem a música Scott Pilgrim, da banda Plumtree. O'Malley deu esse nome ao protagonista por adorar a banda.

A estética do filme é delirante. As poucas pessoas que tiveram e terão a oportunidade única de ver Scott Pilgrim na telona, são privilegiadas. A história é muito bem contada: sem pressa, mas com certeza de olho no seu apoio. O elenco é surpreendentemente competente. Adoro o Johnny Simmons e a Mary Elizabeth Winstead. Michael Cera é bom ator. Ele faz todo mundo rir e se emocionar de várias formas, mas eu gostaria de vê-lo num papel diferente. É impressão minha ou os personagens dele são parecidíssimos? É impressão minha ou Michael Cera é parecido com seus personagens?

Agora, eu vejo que o maior “pecado” deste filme é justamente o acerto dele (contraditório, não?): o extremismo. A equipe responsável pela feitura do filme teve muita coragem de levar essa mistura barulhenta e colorida para os cinemas – é o tipo de coisa que agrada a poucos. Parece que nem se preocupou com a bilheteria (o orçamento não foi superado), que foi, sem dúvida onde o filme decepcionou a todos, e dificultou muito sua vinda para o Brasil e outros países. O filme estreou aqui quando já estava disponível em DVD e blu-ray nos EUA. Então, agradeçamos os responsáveis pelas campanhas na web, que pediam para a Paramount lançar o filme por aqui.

Embora seja em parte (a menos importante, por sinal) um desastre, na parte restante é um acerto em cheio. Scott Pilgrim era o que faltava para mostrar que sim, um dia, nós, nerds, dominaremos o mundo.