segunda-feira, 6 de junho de 2011

'X-Men: First Class' - discussões - parte 2

Depois do (até que) curto tempo de espera, First Class finalmente estreou e os elogios do público e da crítica são de deixar qualquer fã orgulhoso!

Enquanto a mídia insiste em dizer que quem engravidou a atriz January Jones (Emma Frost) foi nosso belo diretor Matthew Vaughn (apesar de fontes seguras já terem negado tal feito), a roteirista (e uma de minhas paixões platônicas) Jane Goldman e o próprio Vaughn, andaram dando boas entrevistas para divulgação do filme.

(Foto: Getty Images)

A de Vaughn (foto acima) saiu pelo Screen Geek. É a segunda parte da entrevista, a primeira foi publicada há algum tempo. Como ambas estão em inglês, aí vão os links para a página oficial: primeira parte da entrevista (reprisando) e segunda parte. Sempre vale a pena ler as palavras de Vaughn. Ele realmente foge do padrão de Hollywood e não "tem dedos" para falar de qualquer coisa. É muito sincero e autêntico. Também é muito bom para falar sobre detalhes que muitas vezes são deixados na sombra da produção de um filme.

(Foto: Getty Images)

A de Jane Goldman (foto acima) saiu pelo Pipoca Moderna, que por sua vez, não revela a verdadeira fonte. E como está traduzida, aí vai:

Como aconteceu o seu envolvimento no X-Men: Primeira Classe?
Matthew vinha discutindo com a Fox a possibilidade de dirigi-lo e quando eles deram o aval, tinham um roteiro que ainda não havia sido aprovado, então não se importaram que Matthew explorasse outras ideias. Assim, ele me convidou para ajudá-lo.

Depois de quatro roteiros juntos, como é essa pareceria com Matthew na prática?
Ela se transformou em amizade. Nós gostamos de trabalhar juntos e nos sentimos muito à vontade. Nós abordamos as coisas de maneira diferente, mas no fim as nossas contribuições se encaixam perfeitamente. E, obviamente, fica cada vez mais fácil, o que é ótimo. O Matthew aborda tudo do ponto de vista de diretor, ele já tem uma visão do filme na cabeça, a minha abordagem é diferente. Em termos de estrutura, o Matthew tem uma visão mais forte. Em termos de ideias de cena e de ação, nós dois pensamos do mesmo jeito, mas desenvolvimento dos personagens e diálogo é o meu forte. Muitas ideias se cruzam e nunca acontece de o Matthew sugerir um diálogo e eu dizer “ah, não, isso é assunto meu”. Tudo acontece naturalmente sem muita análise.

Já que você é fã de revistas em quadrinhos, como foi poder criar em um universo tão abrangente como do X-Men?
Foi muito empolgante. Obviamente eu era fã dos quadrinhos dos X-Men, mas como já houve muitas interações, especialmente nos últimos anos, foi bom ter a oportunidade de retornar aos originais bem do começo. Felizmente, eu tinha todos os clássicos em casa, eles fazem parte da coleção do meu marido (o apresentador de TV Jonathan Ross)! Mas para lê-los, eu recebi instruções rigorosas sobre ter as mãos limpas… e tinha aqueles sacos prateados de armazenamento espalhados pela casa toda! Mas foi fascinante poder voltar no tempo e restabelecer essa conexão. Algo que o Matthew e eu sentimos, como fãs de quadrinhos, é que quando novos escritores e artistas assumem uma série já estabelecida, eles devem respeitar o que já foi feito, ao mesmo tempo em que precisam explorar e imprimir suas visões. Em termos de fidelidade aos cânones dos X-Men, sempre houve discrepância nos quadrinhos, então foi bom ter certo grau de liberdade, ao mesmo tempo respeitando a história.

A época em que o filme se passa ajuda a sugerir Malcolm X e Martin Luther King na dinâmica entre Magneto e o Professor X?
Sem dúvida. Não sei se foi graças a isso que o produtor Bryan Singer teve a ideia de fazer um filme de época, mas sem dúvida faz parte do relacionamento deles. Ele também aborda um estágio na vida das pessoas em que as suas ideias estão se formando – as experiências que as levam a determinado caminho – , ideias que as guiarão nas suas ideologias. As coisas que acontecem com você determinarão o seu caminho e a maneira que você virá a interagir com outras pessoas. Na verdade, o conceito de que as coisas não são branco e preto e o momento em que elas se cruzam é fascinante, é disso que eu gostei.

Como funciona a interação entre os dois personagens e os lados adversários?
Sebastian Shaw é o vilão, mas em termos do grupo X-Men, no início não há um lado certo ao qual você se aliar. Depois isso se transforma e você vê a direção que cada um toma. É bom não ser uma pura questão de bem ou mal. De certa maneira, o suposto lado mal é bem razoável. Isso é interessante porque a vida é assim, não é? Acho que Kevin Bacon representa o puro mal, mas o interessante é que se percebe no Magneto resquícios dos ideais que o Sebastian defende, que na verdade ele respeita. E também há coisas que o Charles defende que ele respeita. É interessante ver a decisão que os personagens tomarão na hora H.

Como você fez de Charles Xavier – esse ícone da pureza – uma pessoa com imperfeições?
Com a ajuda de James McAvoy, achar as imperfeições, esse sim foi o nosso grande desafio, achar falhas no Xavier e dar mais facetas e humanidade à sua personalidade. Acho que acertamos em cheio no complexo de Deus dele. Esse desejo dele de consertar todo mundo, se você aplicar na vida real, não é fácil passar a vida pensando desse jeito. Esse desejo total de mudar as pessoas e moldá-las conforme a sua ideia do que é bom ou ruim gera conflito. Ele parece muito com Yoda – as emoções não o atingem. Foi interessante tentar descobrir as facetas da personalidade dele, e o James contribuiu muito quando se juntou ao projeto. Nós fizemos muitas alterações a partir de conversas que tivemos com ele, nós exploramos mais áreas. Ele tem uma ótima interpretação do personagem, ele é genial.

Como você aborda os personagens mutantes periféricos? É uma questão de escolher os que se encaixam melhor na história ou você usa os seus favoritos?
É um pouco dos dois, para ser honesta. Acho que alguns são obviamente interessantes. Alguns são intrínsecos à história e tem alguns, certamente um caso específico, que ele tem um superpoder tão legal que nós tínhamos de usá-lo! A Fox nos deixou à vontade para escolhermos quem quiséssemos. As possibilidades eram encantadoras. É claro que os personagens também tinham de ser desenvolvidos. Não é apenas o caso de usá-los a esmo, espero que tenhamos criado uma dinâmica interessante em termos das decisões que eles tomam. Ter alguns personagens que sobre os quais não sabemos muito também é bom porque a gente pode se identificar com eles. Eles entram na história pela primeira vez e estão testemunhando esses dois personagens principais formarem as suas ideologias. São as decisões que os personagens que nós não conhecemos tomam e que representam a visão nova.

Você já pensou que rumo a história tomaria de agora em diante?
Para ser sincera, nós não pensamos no próximo. Certamente não é um assunto sobre o qual tenhamos conversado. Este filme não foi feito com o seguinte em mente. Isso seria perigoso. É melhor nos concentrarmos no filme atual.

[ATUALIZAÇÃO - 09/06/2011, às 18h35]

No dia de estreia de First Class, o Bleeding Cool publicou um texto sobre a polêmica questão dos créditos de roteiro deste filme. Aqui há interessantes comentários dos quatro envolvidos: Jane Goldman, Matthew Vaughn, Ashley Edward Miller e Zack Stentz. Eles também comentam o fato de que Jamie Moss é responsável por um dos rascunhos e não foi reconhecido pelo WGA. Ao ler o artigo, dá para entender que cada um merece o crédito que teve, seja na parte de roteiro, seja na parte de concepção na história (Bryan Singer teve uma ideia e usou elementos de um roteiro de Sheldon Turner).

Levando em conta o comentário de Goldman (não o tanto quanto ríspido de Vaughn), dá para concluir que, ela e o diretor mudaram bastante o roteiro quando tomaram conta da última revisão, fazendo a versão final do texto a partir de elementos do rascunho de Miller e Stentz. A postura desses dois últimos foi defensiva, é claro. Disseram que trabalharam semanas com Goldman e Vaughn na última versão do roteiro.

Resumindo, todo mundo que merecia crédito foi creditado, tirando Jamie Moss. Falando dele, seria interessante saber do roteiro que ele fez, para ver o que foi aproveitado do tal rascunho.

sábado, 4 de junho de 2011

Primeira Classe é o trabalho de um excelente filmmaker na direção e de outro excelente filmmaker na produção – e o resultado vai bem além disso

[RESENHA SEM SPOILERS]


X-Men: Primeira Classe é um daqueles filmes que nunca teriam como dar errado. Não com um cineasta visionário na produção e na feitura da história (Bryan Singer) e outro cineasta visionário na direção (Matthew Vaughn).

Fica até difícil de saber por onde começar a falar sobre este filme. É uma grande junção de partes que estruturam um contexto absolutamente ambicioso. A essência é puramente emocional, assim como em todos os outros filmes dirigidos por Matthew Vaughn. A auto-aceitação é retratada aqui como uma versão não expandida de conflitos que definem nossa sociedade como esse caldeirão de confusões dos mais variados tipos. Os jogos de interesses políticos fluem com precisão (o que não deve faltar quando se trata de X-Men em qualquer mídia), e fatos verídicos da história da humanidade são inseridos com bastante audácia na trama mutante. É tudo muito sugestivo e incisivo: exatamente o que a franquia precisava. Desde que Bryan Singer a deixou, depois de dirigir os fabulosos dois primeiros filmes, a conclusão não foi muito bonita. O Confronto Final e Wolverine tiveram produções sofridas e resultados inconsistentes. Nem todo mundo gostou. Agora que Bryan Singer voltou e provavelmente não vai embora de novo, o rumo já está definido.

Depois de aceitar e sabiamente desistir da direção de O Confronto Final (e criticar com razão o resultado), Matthew Vaughn aceitou, recusou, e aceitou novamente a direção de Primeira Classe. Foi uma feliz escolha dos produtores. Dessa vez eles ofereceram ao diretor mais independência e liberdade criativa. Isso se deve ao grande êxito da carreira de Vaughn. O nome desse êxito é Kick-Ass, e só vendo para compreender o que este filme é. De qualquer forma, o tal diretor levou seu estilo para uma produção supervisionada por Bryan Singer, o que fez muita gente erguer as orelhas para prestar atenção no projeto. Depois, junto com as notícias que iam saindo enquanto o filme estava sendo feito, os comentários receosos vieram: a divulgação da história, junto com outros fatores, denunciou uma série de discrepâncias de continuidade com os outros filmes. Os atores não são celebridades. Muitos personagens. Muitos nomes nos créditos de produção. Muitos nomes nos créditos de roteiro (o que causou uma pequena confusão que chegou até o sindicato dos roteiristas dos EUA). Material promocional em excesso e de qualidade duvidosa. Apenas aproximadamente um ano entre o anúncio do filme e sua estreia. E agora que ela chegou e os elogios são no mínimo rasgados, os comentários receosos cessaram, apesar dos comentários ácidos continuarem.

Os autores desses comentários são os fãs que irredutivelmente prezam pela fidelidade total aos quadrinhos. Primeira Classe revelou-se corajoso por funcionar como uma prequela, reboot, e ter um roteiro original. Apesar de haver referências, a trama não foi extraída de nenhum arco de histórias dos quadrinhos lançados. No filme, alguns personagens se encontram num tempo em que, originalmente, não deveriam estar. Outros personagens perderam seu sotaque. Outros são mudos ou praticamente monossilábicos. Mesmo assim, todos eles têm uma persona fiel à das origens, e funcionam muito bem por aqui. A melhor forma de se livrar desses fantasmas do processo de adaptação de livros ou quadrinhos é simplesmente encará-los como não-definitivos. Eles não têm o objetivo de estabelecer qualquer coisa na “mídia de origem”. O caráter experimental da equipe deste filme falou mais alto e um dos resultados mais aparenta ser uma homenagem aos quadrinhos. Primeira Classe trata a franquia com um novo olhar. Isso aconteceu com outros heróis como Superman e Batman. Falando de Batman, Matthew Vaughn disse que Primeira Classe é parecido com Batman Begins, justamente por se tratar de uma nova interpretação, que começa se apresentando, depois revela seus objetivos. Se a continuação de Primeira Classe for tão espetacular quanto a de Batman Begins, as palavras do diretor se concretizarão. É esse o motivo que Primeira Classe tem para não subir mais degraus do que deveria. Eles serão alcançados nas continuações. Consegue ser ótimo seguindo padrões estabelecidos por si mesmo, tem a própria velocidade, assim como foi com o primeiro filme dos X-Men, de 2000. A ideia da junção de prequela e reboot é levada tão a sério, que cenas do primeiro filme foram refeitas.
Jane Goldman (corroteirista) com parte do elenco: Kevin Bacon, Michael Fassbender, James McAvoy, Zoë Kravitz, Jason Flemyng e Álex González.
O filme por si só é uma beleza. As atuações são equilibradas e certeiras. Ótimo casting. São muitos personagens, mas os rostos dos atores são inesquecíveis. A atenção é muito bem dividida e o carisma dos vilões equivale ao dos heróis. January Jones foi perfeita como Emma Frost. Caleb Landry Jones foi amável como Banshee. James McAvoy é um ator que esbanja talento. Mas o negócio aqui é a atuação de Michael Fassbender como Magneto. De uns tempos para cá, Fassbender anda recebendo a atenção que merece. É um ator que tem uma presença forte e abraça o que for necessário para ser convincente. Quem rouba a cena é ele, falando várias línguas e com sede de vingança.
Jane Goldman e Matthew Vaughn.

O roteiro é muito bem amarrado, o que pode ser considerado um triunfo. Geralmente, quando muitos roteiristas trabalham no mesmo projeto, o resultado é disperso e mole. Felizmente, não é o caso de Primeira Classe. A história foi feita por Bryan Singer, adicionando elementos de um roteiro que Sheldon Turner fez para um spin-off de Magneto. Jamie Moss escreveu um primeiro rascunho (e ficou de fora dos créditos, apesar de ter recorrido ao Writers Guild of America, com a ajuda de Singer), que depois foi reescrito pela dupla em ascensão Ashley Edward Miller e Zack Stentz (de Thor) e finalmente passou por uma última revisão com Matthew Vaughn e seu braço direito, a sempre bela e talentosa Jane Goldman (reprisando a parceria de Stardust, Kick-Ass e do ainda inédito The Debt). A impressão é a de que escreveram o filme sem se importarem com competição entre outros de super-heróis. Como se tudo fosse descoberto numa segunda primeira vez.
Esteticamente, é impecável. Os figurinos, os cenários, toda tecnologia futurista. A veia de anos 60 é bem presente. A fotografia, por sua vez, surpreendeu. É bela e eficiente, mas as cores não são tão acentuadas como nos trabalhos anteriores de Vaughn. E falando dele, mas que direção impecável. Dá gosto de ver. Poucos conseguem dirigir cenas de ação monumentais e imprevisíveis e atores em performances tão respeitosas.

X-Men: Primeira Classe tem uma história muito bem contada e um final que deixa vontade de assistir a continuação no dia seguinte. Infelizmente, haverá um intervalo de dois ou três anos até o próximo, como é típico dos filmes dos X-Men. Mas se a mesma equipe estiver presente para fazer outro filme impecável, a espera valerá. Na próxima vez, em decorrência de seu acerto, provavelmente o diretor deverá ter mais espaço ainda para trabalhar, e menos mãos cuidarão da produção e do roteiro, de forma que sua marca será mais visível ainda.

Matthew Vaughn é um visionário. E tenho dito.


Veja esta resenha lá no Under Thunder também!

terça-feira, 24 de maio de 2011

X-Men: First Class - discussões - parte 1

Estamos a nove dias da estreia de First Class. Enquanto não sai, os elogios feitos pelo sortudos críticos que já o viram em exibições especiais, continuam a encher a bola do filme. As fotos e vídeos continuam saindo. Hoje, o Omelete divulgou um making-of de 20min., dividido em quatro vídeos.

E há algum tempo, o The Hollywood Reporter, por sua vez, publicou um artigo sobre os créditos do roteiro de First Class. Parece que houve uma polêmica. Jamie Moss fez a primeira versão do roteiro, depois de estabelecida a história desenvolvida por Sheldon Turner e Bryan Singer. Acontece que, enquanto Sheldon e Bryan têm os créditos sobre a trama, "Ashley Edward Miller & Zack Stentz", e "Jane Goldman & Matthew Vaughn", nesta ordem e desta forma, receberam os créditos do roteiro. Jamie Moss ficou de fora e foi atrás de reverter a situação através do Writers Guild of America, o sindicato de roteiristas dos EUA. Jamie teve o apoio de Bryan, mas mesmo assim não deu certo, e o WGA decidiu deixar os créditos do jeito está acima.

Eu acho uma injustiça. Se o primeiro rascunho é de Jamie, ele definiu vários elementos que serviram de base para os outros rascunhos. Por qual motivo não ter o nome dele nos créditos?

Making-of:









[ATUALIZAÇÃO - 28/05/2011, às 17h03]

Agora temos também o clipe oficial de Love Love, do Take That, para a divulgação do filme:




E tem mais:

O nosso belo diretor Matthew Vaughn deu uma entrevista um tanto quanto reveladora ao Screen Geek sobre First Class. Nela, Matthew diz que o mutante brasileiro Mancha Solar foi retirado do roteiro, também diz que ele e Jane Goldman praticamente reescreveram o roteiro, não fizeram apenas uma revisão, e usa um tom nada amigável sobre o how make de Hollywood: fala como o que ele é, um diretor visionário. Vale muito ler a entrevista.

O tempo de duração, por sua vez, foi mudado para 131min. Provavelmente é a versão do diretor que contém os nove minutos anunciados anteriormente.

E não é que a estreia está quase aí? Seis dias e contando! Enquanto o filme não sai, vale a pena fuçar o site oficial, que está sensacional.
Link