segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

2012 and life keeps going

Em 2012, eu pretendo ser mais desapegado. Pretendo rejeitar agressões de idiotas, assim como a Maggie Gyllenhaal em Away We Go. Pretendo colocar a mão na massa sem medo novamente, a fim de realizar todos meus objetivos. Pretendo olhar por onde ando e tropeçar menos no chão. Pretendo beber e me divertir mais. Pretendo estabelecer definições e expandir ainda mais minha paciência. Pretendo viajar.

Pretendo não ser estúpido o suficiente para misturar vodca com Toddynho – ou seja, não misturar o que não se deve misturar. Pretendo concretizar muito do que ainda está no estágio de preparação. Pretendo gastar mais dinheiro com futilidades indispensáveis, tipo filmes e livros. Pretendo escrever mais, pois o fiz bem pouco em 2011. Pretendo deixar cada um com sua ignorância orgulhosamente instalada e continuar apegado às minhas certezas e vontades.

Pretendo chegar a uma necessária conclusão – remendar o coração ou mantê-lo em pedaços só por via das dúvidas? Pretendo ir mais ao cinema, e de preferência com as ótimas companhias que são esses meus amigos incríveis. Pretendo comprar o tão desejado Converse All Star verde. Pretendo ler mais e expandir os estilos. Pretendo ler Hilda Hilst. Pretendo tentar com mais vontade colocar minha timidez de lado toda vez que meu amigo do entre-pernas tiver uma sugestão. Pretendo fazer uma tatuagem.

Pretendo conhecer mais pessoas, fazer mais amizades e manter laços já existentes. Pretendo ser mais Tom Hansen e menos Summer Finn. Pretendo comprar dois dicionários grandes e bonitos. Pretendo continuar com o que já pratico e me faz bem. Pretendo pelo menos em 2012, ser mais movido pelas certezas do que pelas dúvidas e pelas curiosidades. Pretendo rever mais filmes que gosto e pelos quais dedico aquela gostosa nostalgia. Pretendo deixar muita coisa ir e muita coisa vir.

Pretendo não parar de pretender. E caso não caiba tudo em um ano só, que caiba nos seguintes – pois pretendo desacelerar ainda mais o meu imediatismo. E pretendo continuar assim, tanto planejador quanto realizador.

Feliz ano novo para você também. Agora está tocando Pixies.

sábado, 8 de outubro de 2011

Sobre novos projetos das minhas paixões platônicas

[ATUALIZAÇÃO - à 0h31, do dia 13/10/2011]

Ando muitíssimo ocupado, tendo meus dias abarrotados de correria, estudos e trabalho. Consequentemente, não pude passar cinco minutos na frente do computador para postar neste blog, que em contrapartida, sobrevive firme e forte.

Comecei a sentir chutes no estômago para escrever aqui novamente e o mais rápido possível quando o elenco do não-mais-chamado Lamb of God, primeiro filme de Diablo Cody na direção, começou a ter nomes confirmados no elenco. Logo na mesma semana, finalmente saiu o trailer de Young Adult (roteiro dela!), cuja estreia está prometida para 16 de dezembro nos EUA e 3 de fevereiro aqui no Brasil. Como se não fosse o suficiente, confirmaram que o novo projeto de Matthew Vaughn é nada mais nada menos que Superior, outra HQ de Mark Millar.

Então vamos por partes.


Parece que continuam investindo pesado em Diablo Cody, mesmo que United States of Tara tenha sido cancelado pela queda de audiência, e Jennifer's Body se tornado uma decepção na crítica, no público e principalmente nas bilheterias. E mesmo tendo na manga uma revisão de roteiro para o remake de The Evil Dead, o seriado The Breadwinner e as adaptações dos romances Sweet Valley High e Breathers: A Zombie's Lament, o trailer de Young Adult foi divulgado dizendo que quer Oscar. Ele é dirigido por Jason Reitman, que tem várias indicações ao prêmio e uma quase-vitória na categoria de melhor roteiro adaptado por Amor sem Escalas. Charlize Theron já ganhou por Monster e não faz muito tempo que Diablo Cody apareceu na tal cerimônia usando um vestido de estampa de oncinha e saiu de lá com o prêmio da categoria de melhor roteiro original debaixo do braço pelo memorável Juno.

Além disso, Octavia Spencer, que possivelmente abocanhará uma indicação de melhor atriz coadjuvante ano que vem por Histórias Cruzadas, foi confirmada no debut de Diablo na direção. O projeto que já se chamou Lamb of God atualmente não tem um título definido, mas os nomes de Octavia, Julianne Hough e Russell Brand estão confirmados no elenco. A comédia será sobre uma garota que perde sua fé depois de um acidente de avião e decide ir para Las Vegas ter uma vida de pecado. Diablo Cody disse que se trata de "uma boa história de Natal".

Minhas perspectivas: não é segredo que a palavra "Oscar" pode fazer um filme ou um artista irem longe, mas qualquer deslize por parte deles é motivo para vermos tomates podres sendo atirados das mãos de boa parte da crítica e do público. Diablo ganhou o prêmio por Juno e foi alfinetada pelo relativo fracasso que foi Jennifer's Body. Se qualquer um de seus vindouros projetos ter o mesmo destino do segundo, ela será crucificada novamente.

Acho que qualquer filme transcende um rótulo que um Oscar ou uma crítica pode dar. Sou fã (praticante) de Diablo Cody porque não há quem escreva como ela. A moça tem muita criatividade. Suas histórias são absolutamente imprevisíveis, com diálogos afiadíssimos, sempre tendo uma essência emocional e humana. Toda a trama vai se desenvolvendo a partir disso. Difícil de não ver conexões entre a realidade do cotidiano e a estupidez ou brandura de personagens como Juno e Mac MacGuff, Needy Lesnicki ou até mesmo Jennifer Check.

Minha confiança na roteirista-tatuada-e-ex-stripper vai firme e forte, com ou sem Oscar em qualquer momento de sua carreira. Que continue escrevendo e se aventurando.

Aí vai o trailer de Young Adult, com direito a Queen Bitch, de David Bowie, tocando ao fundo:





A outra parte é sobre o novo projeto de Matthew Vaughn.

É a adaptação de Superior, HQ de Mark Millar e Leinil Francis Yu. Não se sabe se Vaughn vai dirigir, roteirizar, produzir ou todas as alternativas anteriores.

(Foto: Icon Comics)

Há algum tempo, Jane Goldman, braço direito de Vaughn, desmentiu em seu Twitter que estava escrevendo um roteiro para Kick-Ass 2, mas disse que tinha na manga outro projeto para o "amável Matthew V". Algum tempo depois vieram os boatos: possivelmente, Jane se referia a Bloodshot (da Valiant Comics) na ocasião. Mas agora, com a confirmação do projeto aqui citado, fica difícil de dizer. Temos que esperar mais notícias sobre qualquer um deles.

Superior, a HQ de Millar e Yu, começou a ser publicada pela Icon Comics (apadrinhada da Marvel) em 2010. É sobre Simon, um garoto de treze anos que tem esclerose múltipla e é um grande fã de super-heróis. Um de seus prediletos é Superior, ícone esquecido de quadrinhos, filmes e merchandising. Quando um macaco alienígena desce à Terra a fim de realizar um desejo apenas para o protagonista, Simon é transformado no herói.

Numa entrevista a CBR, Millar disse sobre Superior: "O super-herói é uma referência aos grandes da era de ouro, um personagem romântico meio fora de época, em quem o mundo moderno não tem muito interesse. Ele está aí faz décadas, em quadrinhos, filmes, programas de TV e lancheiras, mas ninguém mais liga. Acabaram de tentar relançá-lo com um filmão, mas nem isso dá certo e ele é um personagem quase esquecido. É um ícone dos EUA, mas preso a uma ideia dos EUA que ficou para trás (...) Tem grandes cenas de ação, supervilões, aliens, robôs e tudo que você espera, mas, no fundo, é uma fábula moral."

Minhas perspectivas: tudo que Mark Millar escreve é fora do comum, cheio de espinhos e apaixonante, além da pegada cinematográfica. Possivelmente Jane estará envolvida no projeto, e possivelmente estará envolvida em Bloodshot caso este seja confirmado - os êxitos dela e de Vaughn trabalhando em conjunto já deixam claro que a melhor aposta é ter ambos atrás das câmeras quando se quer fazer um filme diferente, estiloso e estruturado. Será ótimo assistir a mais uma adaptação de uma história de Mark Millar feita por eles.

Já que pelo menos há a confirmação de um, que venham mais notícias!

Agora deixo o blog com todos esses bolos no forno porque tenho um sábado duro pela frente. Mas não vejo a hora de voltar aqui com mais novidades.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

'X-Men: First Class' - discussões - parte 2

Depois do (até que) curto tempo de espera, First Class finalmente estreou e os elogios do público e da crítica são de deixar qualquer fã orgulhoso!

Enquanto a mídia insiste em dizer que quem engravidou a atriz January Jones (Emma Frost) foi nosso belo diretor Matthew Vaughn (apesar de fontes seguras já terem negado tal feito), a roteirista (e uma de minhas paixões platônicas) Jane Goldman e o próprio Vaughn, andaram dando boas entrevistas para divulgação do filme.

(Foto: Getty Images)

A de Vaughn (foto acima) saiu pelo Screen Geek. É a segunda parte da entrevista, a primeira foi publicada há algum tempo. Como ambas estão em inglês, aí vão os links para a página oficial: primeira parte da entrevista (reprisando) e segunda parte. Sempre vale a pena ler as palavras de Vaughn. Ele realmente foge do padrão de Hollywood e não "tem dedos" para falar de qualquer coisa. É muito sincero e autêntico. Também é muito bom para falar sobre detalhes que muitas vezes são deixados na sombra da produção de um filme.

(Foto: Getty Images)

A de Jane Goldman (foto acima) saiu pelo Pipoca Moderna, que por sua vez, não revela a verdadeira fonte. E como está traduzida, aí vai:

Como aconteceu o seu envolvimento no X-Men: Primeira Classe?
Matthew vinha discutindo com a Fox a possibilidade de dirigi-lo e quando eles deram o aval, tinham um roteiro que ainda não havia sido aprovado, então não se importaram que Matthew explorasse outras ideias. Assim, ele me convidou para ajudá-lo.

Depois de quatro roteiros juntos, como é essa pareceria com Matthew na prática?
Ela se transformou em amizade. Nós gostamos de trabalhar juntos e nos sentimos muito à vontade. Nós abordamos as coisas de maneira diferente, mas no fim as nossas contribuições se encaixam perfeitamente. E, obviamente, fica cada vez mais fácil, o que é ótimo. O Matthew aborda tudo do ponto de vista de diretor, ele já tem uma visão do filme na cabeça, a minha abordagem é diferente. Em termos de estrutura, o Matthew tem uma visão mais forte. Em termos de ideias de cena e de ação, nós dois pensamos do mesmo jeito, mas desenvolvimento dos personagens e diálogo é o meu forte. Muitas ideias se cruzam e nunca acontece de o Matthew sugerir um diálogo e eu dizer “ah, não, isso é assunto meu”. Tudo acontece naturalmente sem muita análise.

Já que você é fã de revistas em quadrinhos, como foi poder criar em um universo tão abrangente como do X-Men?
Foi muito empolgante. Obviamente eu era fã dos quadrinhos dos X-Men, mas como já houve muitas interações, especialmente nos últimos anos, foi bom ter a oportunidade de retornar aos originais bem do começo. Felizmente, eu tinha todos os clássicos em casa, eles fazem parte da coleção do meu marido (o apresentador de TV Jonathan Ross)! Mas para lê-los, eu recebi instruções rigorosas sobre ter as mãos limpas… e tinha aqueles sacos prateados de armazenamento espalhados pela casa toda! Mas foi fascinante poder voltar no tempo e restabelecer essa conexão. Algo que o Matthew e eu sentimos, como fãs de quadrinhos, é que quando novos escritores e artistas assumem uma série já estabelecida, eles devem respeitar o que já foi feito, ao mesmo tempo em que precisam explorar e imprimir suas visões. Em termos de fidelidade aos cânones dos X-Men, sempre houve discrepância nos quadrinhos, então foi bom ter certo grau de liberdade, ao mesmo tempo respeitando a história.

A época em que o filme se passa ajuda a sugerir Malcolm X e Martin Luther King na dinâmica entre Magneto e o Professor X?
Sem dúvida. Não sei se foi graças a isso que o produtor Bryan Singer teve a ideia de fazer um filme de época, mas sem dúvida faz parte do relacionamento deles. Ele também aborda um estágio na vida das pessoas em que as suas ideias estão se formando – as experiências que as levam a determinado caminho – , ideias que as guiarão nas suas ideologias. As coisas que acontecem com você determinarão o seu caminho e a maneira que você virá a interagir com outras pessoas. Na verdade, o conceito de que as coisas não são branco e preto e o momento em que elas se cruzam é fascinante, é disso que eu gostei.

Como funciona a interação entre os dois personagens e os lados adversários?
Sebastian Shaw é o vilão, mas em termos do grupo X-Men, no início não há um lado certo ao qual você se aliar. Depois isso se transforma e você vê a direção que cada um toma. É bom não ser uma pura questão de bem ou mal. De certa maneira, o suposto lado mal é bem razoável. Isso é interessante porque a vida é assim, não é? Acho que Kevin Bacon representa o puro mal, mas o interessante é que se percebe no Magneto resquícios dos ideais que o Sebastian defende, que na verdade ele respeita. E também há coisas que o Charles defende que ele respeita. É interessante ver a decisão que os personagens tomarão na hora H.

Como você fez de Charles Xavier – esse ícone da pureza – uma pessoa com imperfeições?
Com a ajuda de James McAvoy, achar as imperfeições, esse sim foi o nosso grande desafio, achar falhas no Xavier e dar mais facetas e humanidade à sua personalidade. Acho que acertamos em cheio no complexo de Deus dele. Esse desejo dele de consertar todo mundo, se você aplicar na vida real, não é fácil passar a vida pensando desse jeito. Esse desejo total de mudar as pessoas e moldá-las conforme a sua ideia do que é bom ou ruim gera conflito. Ele parece muito com Yoda – as emoções não o atingem. Foi interessante tentar descobrir as facetas da personalidade dele, e o James contribuiu muito quando se juntou ao projeto. Nós fizemos muitas alterações a partir de conversas que tivemos com ele, nós exploramos mais áreas. Ele tem uma ótima interpretação do personagem, ele é genial.

Como você aborda os personagens mutantes periféricos? É uma questão de escolher os que se encaixam melhor na história ou você usa os seus favoritos?
É um pouco dos dois, para ser honesta. Acho que alguns são obviamente interessantes. Alguns são intrínsecos à história e tem alguns, certamente um caso específico, que ele tem um superpoder tão legal que nós tínhamos de usá-lo! A Fox nos deixou à vontade para escolhermos quem quiséssemos. As possibilidades eram encantadoras. É claro que os personagens também tinham de ser desenvolvidos. Não é apenas o caso de usá-los a esmo, espero que tenhamos criado uma dinâmica interessante em termos das decisões que eles tomam. Ter alguns personagens que sobre os quais não sabemos muito também é bom porque a gente pode se identificar com eles. Eles entram na história pela primeira vez e estão testemunhando esses dois personagens principais formarem as suas ideologias. São as decisões que os personagens que nós não conhecemos tomam e que representam a visão nova.

Você já pensou que rumo a história tomaria de agora em diante?
Para ser sincera, nós não pensamos no próximo. Certamente não é um assunto sobre o qual tenhamos conversado. Este filme não foi feito com o seguinte em mente. Isso seria perigoso. É melhor nos concentrarmos no filme atual.

[ATUALIZAÇÃO - 09/06/2011, às 18h35]

No dia de estreia de First Class, o Bleeding Cool publicou um texto sobre a polêmica questão dos créditos de roteiro deste filme. Aqui há interessantes comentários dos quatro envolvidos: Jane Goldman, Matthew Vaughn, Ashley Edward Miller e Zack Stentz. Eles também comentam o fato de que Jamie Moss é responsável por um dos rascunhos e não foi reconhecido pelo WGA. Ao ler o artigo, dá para entender que cada um merece o crédito que teve, seja na parte de roteiro, seja na parte de concepção na história (Bryan Singer teve uma ideia e usou elementos de um roteiro de Sheldon Turner).

Levando em conta o comentário de Goldman (não o tanto quanto ríspido de Vaughn), dá para concluir que, ela e o diretor mudaram bastante o roteiro quando tomaram conta da última revisão, fazendo a versão final do texto a partir de elementos do rascunho de Miller e Stentz. A postura desses dois últimos foi defensiva, é claro. Disseram que trabalharam semanas com Goldman e Vaughn na última versão do roteiro.

Resumindo, todo mundo que merecia crédito foi creditado, tirando Jamie Moss. Falando dele, seria interessante saber do roteiro que ele fez, para ver o que foi aproveitado do tal rascunho.