quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Girls just wanna have fun

Jemima Kirke, Lena Dunham, Zosia Mamet e Allison Williams vivem as garotas que querem se conhecer a si mesmas (Foto: divulgação/HBO)

Se você está sem grana e vai passar as férias de braços cruzados enquanto insetos gigantes de verão invadem sua casa pela janela, faça isso assistindo a esse seriado da HBO chamado Girls.

Vou lhe dar cinco razões para assisti-lo.

Razão #1: Não é o melhor seriado do mundo atualmente ou o melhor seriado já feito, mas é genuíno em termos de identidade e sentimentos. Digno de atenção. Os personagens do seriado e seus dilemas são dolorosamente reais. Há bastante humor também. A primeira temporada termina de forma inesperada e as atuações são um de seus pontos altos.

Razão #2: Conheça Lena Dunham. Essa moça, formada em escrita criativa pela Oberlin College (em Ohio, Estados Unidos), é carne fresca no cinema (que, como você já deve ter notado, anda passando por uma crise de criatividade daquelas) e na TV das terras do Tio Sam. Em Girls, ela atua, escreve, dirige e produz. Antes, ela fez o elogiado filme Mobília Mínima, que lhe rendeu a oportunidade de fazer este seriado autobiográfico, que foi indicado a quatro Emmys e dois Globos de Ouro até agora. O New York Post chamou Dunham de “o novo Woody Allen”. Isso pode ser ofensivo para os grandes fãs dele (eu!), mas não é que a moça é realmente boa no que faz?

Razão #3: Trilha sonora. Parece ser fútil sugerir um seriado apenas pelas músicas que tocam nele, mas é difícil deixar isso de lado quando se tem Siouxsie and the Banshees, Fleet Foxes e The Echo-Friendly tocando ao fundo.

Razão #4: Não é por causa do título que homens devem se sentir repelidos pela série. Muito pelo contrário. Os homens têm espaço aqui como fortes coadjuvantes e não enfrentam situações muito distantes das vividas pelas quatro protagonistas. Eles basicamente são a outra metade dessas situações e passam longe de serem tratados como lixo machista.

Razão #5: A segunda temporada sai em janeiro de 2013 e promete. Como disse acima, a primeira temporada segue um rumo inesperado (assim como cada capítulo em particular) e fica no ar a sensação de que a segunda poderá ser bem mais quente em termos de conflitos e momentos marcantes. Aliás, a primeira tem apenas dez capítulos de aproximadamente 30 minutos. Você nem vai precisar ficar cozinhando no seu sofá durante as férias para arranjar um tempo e assistir Girls.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A questão é que...

"Suck the shit out of my ass, you fucker!"

(Foto: divulgação)

Recentemente, assisti a um dos melhores filmes que poderia ver neste ano. E possivelmente, uma das melhores comédias dramáticas que já vi. Falo de Ruth em Questão (Citizen Ruth, 1996) a estreia de Alexander Payne como diretor e roteirista (este cargo, ao lado de Jim Taylor). Curiosidade: é o único roteiro original filmado pelo diretor.

Neste longa um tanto desconhecido e negligenciado, a excelente Laura Dern interpreta Ruth Stoops, uma jovem indigente, usuária de drogas e não muito carismática (vide uma fala dela na linha-fina deste artigo) que se descobre grávida. Sem querer, ela para bem em cima de um dos maiores braços-de-ferro da humanidade: o debate sobre aborto. A moça é disputada tanto por um grupo conservador e religioso que quer lhe desencorajar em sua ideia de abortar, quanto por um grupo de ideias opostas. Cada um bem radical em sua ideologia.

Lendo comentários por aí a respeito deste filme, fiquei espantado com a quantidade de pessoas que o viram como um libelo especialmente sobre aborto. Quem conhece mais a fundo o trabalho de Alexander Payne talvez discorde assim como eu.

Ruth (Laura Dern, na foto) não é nenhuma "wonder girl", é apenas um ser humano (Foto: divulgação)

Apesar de hoje dirigir filmes mais melancólicos como Sideways (2004) e Os Descendentes (2011), os primeiros trabalhos de Payne são terrivelmente atrevidos e imprevisíveis, caso de Ruth em Questão e Eleição (1999). O diretor entra em questões mais sombrias e delicadas através de uma primeira proposta visível. Em Ruth, o grande lance não é dizer se o aborto é correto ou não. O que vejo neste filme é uma sátira – e das mais ásperas – sobre brigas que compramos para provarmos que temos razão, provocarmos barulho por situações ou pessoas que dificilmente mudam.

A eterna competição entre pessoas, como a faiscante de Reese Witherspoon e Matthew Broderick em Eleição, é quase a Disneylândia para Alexander Payne. Dono de um estilo delicioso, ele me faz rir a melhor risada possível. A descompromissada. Afinal de contas, a briga não vai acabar mesmo.


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Cia. Vera Cruz voltará a produzir filmes

Além de oferecer o Centro de Formação Audiovisual, projeto da prefeitura visa devolver a São Bernardo do Campo status de polo cinematográfico

O complexo fica localizado na Av. Lucas Nogueira, Jardim do Mar, região central de São Bernardo. (Foto: Folha de S.Paulo)

 O estúdio Vera Cruz, atualmente usado para feiras e eventos, está passando por um projeto de revitalização. Fundada em 1949 por Franco Zampari e Francisco Matarazzo Sobrinho, a Cia. Cinematográfica Vera Cruz produziu e coproduziu mais de quarenta títulos nas décadas de 50 e 60. Dentre eles, Sinhá Moça, de Tom Payne e Oswaldo Sampaio, e O Cangaceiro, de Lima Barreto – primeiro sucesso internacional e um dos maiores clássicos do cinema brasileiro, ganhador do prêmio de melhor filme de aventura no Festival de Cannes de 1953. O estúdio faliu em 1954, quando Zampari passou suas ações e o patrimônio do estúdio ao Banco do Estado de São Paulo para pagar uma dívida de CR$ 164 milhões. Consequência da falta de um sistema de distribuição próprio da produtora, que só não foi liquidada pelo banco porque o cineasta Walter Hugo Khouri, junto de seu irmão, comprou aproximadamente 90% das ações. Apesar de não ter fechado, o Vera Cruz foi produzindo cada vez menos, conforme sua administração passava de mão em mão. Antes do atual revigoramento, a companhia já havia sido alvo de empreitadas semelhantes, mas fracassadas, como o Projeto Nova Vera Cruz, nos anos 90, parceria da Secretaria de Estado da Cultura, da Fundação Padre Anchieta e da Prefeitura de São Bernardo.

Em entrevista ao Garoto Desocupado, a prefeitura, através da Secretaria de Cultura contou sobre os planos do “Projeto de Recuperação dos Estúdios”. Confira:

O Vera Cruz vai virar centro de oficinas culturais?

Não será especificamente um centro de oficinas culturais, mas também proporcionará que aconteçam as oficinas dentro de um projeto pedagógico relacionado ao audiovisual, planejado e executado pelo Centro de Formação Audiovisual, um dos programas do Projeto de Recuperação dos Estúdios, que inicia suas atividades ainda este ano, de forma provisória, no Cenforpe.

Havia planos de revitalizar o centro para ele voltar a ser um estúdio antes de vir a ideia de transformá-lo em centro cultural?
O Vera Cruz foi objeto de muitas propostas no passado, mas nenhuma delas concretizada. Somente em 2009, com o início da atual administração municipal, o complexo ganhou um projeto completo de recuperação e revitalização dos estúdios, visando não somente o retorno das gravações de filmes, mas também a criação de uma cadeia de ações formativas, produtivas e de fomento à indústria audiovisual como um todo, transformando São Bernardo do Campo numa cidade referência no setor.

Quando o centro cultural será inaugurado?
Não há data prevista para a entrega total de todos os programas, mas o Centro de Formação Audiovisual, primeira etapa prevista, deverá ser entregue ainda este ano.

De quem foi a ideia?
O projeto de revitalização foi elaborado pela equipe de governo do município, no ano de 2009, em cumprimento ao plano de governo apresentado para a população.

Qual é o objetivo desse novo centro cultural? Está relacionado ao passado do Vera Cruz como polo de produção cinematográfica?
O Objetivo é transformar o espaço num centro de referência irradiador de cultura audiovisual, proporcionando os meios necessários para a estruturação de uma cadeia econômica ligada ao cinema e demais linguagens correlatas, e promover a inserção da cidade no mapa da produção nacional, estimulando e oportunizando aos munícipes a participação nesse processo criativo e mercadológico.

Quais serão os cursos oferecidos?
Inicialmente, o Centro de Formação Audiovisual oferecerá os cursos de Cine/TV e Cinema de Animação, com duração de três semestres, cujo período de inscrições para interessados será anunciado em breve.

O que as pessoas da cidade que são interessadas por cinema podem esperar desse projeto quando ele estiver concretizado?
Podem esperar por uma série de oportunidades na linguagem audiovisual, onde tanto a arte quanto a técnica envolvidas na produção de conteúdos serão contempladas, criando na cidade um grande movimento de formação e realização cinematográfica.

Confira um trecho de O Cangaceiro:


Confira um trecho de Sinhá Moça, ganhador de menções honrosas no Festival de Veneza de 1953 e no Festival de Berlim de 1954:


---

Agradecimentos: à minha professora de linguagem de impresso, Margarete Vieira Pedro, por ter me passado a pauta, e à Prefeitura de São Bernardo do Campo e às secretarias de Cultura e Comunicação, por terem topado em participar da entrevista publicada neste blog, ou seja, mídia espontânea, nada de renome. Obrigado de verdade!