domingo, 27 de janeiro de 2013

'X-Men: Days of Future Past' – o que sabemos até agora

Saiba o que esperar do novo filme dos mutantes, cuja estreia é em 2014

Recentemente, andam saindo muitas notícias sobre o filme que dará sequência a ­X-Men: Primeira Classe (2011). Continue lendo e conheça as novidades divulgadas até agora.

(Foto: capa do quadrinho alterada)

Trama: foi construída baseada no arco Dias de um Futuro Esquecido (1981; foto), de Chris Claremont e John Byrne – um dos maiores clássicos das histórias de super-heróis – , e na revista All-New X-Men (2012), de Brian Michael Bendis e Stuart Immonen. Ambos os quadrinhos trabalham com o conceito de viagem no tempo. A sinopse oficial do filme ainda não foi divulgada pela 20th Century Fox, mas há quem estipule que um dos objetivos desse novo filme é harmonizar as duas trilogias em termos de cronologia (já que X-Men: Primeira Classe inaugurou uma própria) e colocar lado a lado o Charles Xavier e o Magneto das duas gerações.

Para quem não conhece a história do quadrinho clássico, vale dizer: em um futuro alternativo, distópico e apocalíptico, os mutantes são perseguidos e presos em campos de concentração. Kitty Pride é um deles e estabelece um elo mental com a versão de si mesma no dia presente para alertar os X-Men sobre o evento que provocou a perseguição. Sentinelas, o Clube do Inferno e a Irmandade dos Mutantes também estão nessa mistura.

Direção: Bryan Singer assumiu o posto. Ele já havia dirigido, produzido e trabalhado na trama dos dois primeiros filmes, em 2000 e 2003. Chegou a pegar o posto de diretor de Primeira Classe, mas teve que largá-lo para se dedicar ao filme Jack – o Matador de Gigantes. No fim das contas, Singer produziu e desenvolveu a trama de Primeira Classe, que foi dirigido por Matthew Vaughn (Stardust, Kick-Ass). Singer chegou à cadeira de diretor em Days of Future Past quando Vaughn a deixou. Nessa ocasião, muitos especularam que seria para este último assumir o vindouro sétimo episódio de Star Wars, mas depois foi esclarecido que o diretor preferiu se focar na adaptação do quadrinho The Secret Service, para evitar um possível plágio. Em Days of Future Past, Vaughn tem seu nome nos créditos de roteiro e produção.

 Bryan Singer no set de X-Men (2000) (Foto: X-Men Films)

Roteiro: foi escrito por Simon Kinberg, que é produtor de Primeira Classe e co-roteirista de X-Men 3 (2006). Ele tem em seu currículo os roteiros de Sr. e Sra. Smith (2005) e Sherlock Holmes (2009). Ao lado de Kinberg, Vaughn também cuida do texto. Ainda não foi confirmado se a roteirista Jane Goldman, que frequentemente escreve com Vaughn, trabalhará nesse.

Produção: o casal Richard e Lauren Shuler Donner, que produziu os filmes anteriores, também está a bordo do projeto ao lado de Singer e Vaughn.

Elenco: até agora, vários atores de ambas as trilogias foram confirmados. São eles: James McAvoy (Charles Xavier), Michael Fassbender (Magneto), Jennifer Lawrence (Mística), Nicholas Hoult (Fera), Hugh Jackman (Wolverine), Ellen Page (Kitty Pride), Anna Paquin (Vampira), Shawn Ashmore (Homem de Gelo), Patrick Stewart (Charles Xavier) e Ian McKellen (Magneto). 

Outros nomes no projeto: John Myre (Chicago, Memórias de uma Gueixa) foi confirmado como produtor de design; Louise Mingenbach, diretora de figurino dos dois primeiros filmes, também foi confirmada (e Singer garantiu que não haverá nada de couro preto desta vez); e Newton Thomas Siegel (Drive, X-Men 2) é o diretor de fotografia.

Rumores: o quadrinista escocês Mark Millar (Kick-Ass, Ultimate X-Men) foi contratado pela Fox como consultor criativo. Embora a informação a seguir não tenha sido divulgada oficialmente, diz-se que o objetivo do estúdio com Millar é fazer algo semelhante ao que a Marvel Studios fez com os Vingadores: criar um universo próprio, estruturado em vários filmes. Neste caso, unir a realidade dos X-Men a do Quarteto Fantástico (cujo reboot está engatilhado no estúdio). Ainda sobre Days of Future Past, alguns nomes como January Jones (Emma Frost), Rose Byrne (Moira MacTaggert) e Jason Flemyng (Azazel) foram envolvidos em rumores sobre atores a serem confirmados. Mas por ora, “apenas” os citados acima estão oficialmente no elenco.

Fique atento: ao Twitter de Bryan Singer e ao blog X-Men Films. Singer anda divulgando muitas novidades via tweets e o blog cobre todas as notícias relacionadas aos filmes dos mutantes, das mais frias até as mais quentes.

Estreia: marcada para 18 de julho de 2014. Agora é esperar para ver e acompanhar as notícias que vão saindo.

Opinião pessoal – o que eu espero: algo próximo de O Poderoso Chefão – Parte 2 (1974). Uma narrativa engenhosa e bem amarrada contando histórias que acontecem em tempos diferentes e se influenciam muito. Talvez seja o melhor filme dos X-Men, por ser tão ambicioso em adaptar logo Dias de um Futuro Esquecido (!!!) e reunir no mesmo filme elementos que formam a identidade de ambas as trilogias. Cheguei a ficar receoso quando Matthew Vaughn deixou o posto de diretor (ele é ótimo, um de meus prediletos), mas quando Bryan Singer foi confirmado em seu lugar e Vaughn como produtor e roteirista, botei confiança no projeto. Singer é um exímio contador de histórias. Acho válido dizer também que Simon Kinberg (a metade boa da dupla de roteiristas de X-Men 3) é bom no que faz e que muito provavelmente seu roteiro será alterado diversas vezes por Bryan Singer e Matthew Vaughn. Geralmente, escrevem-se primeiras versões de roteiros apenas para estúdios terem uma noção do que o filme se trata. Além disso, Singer e Vaughn são exigentes e creio que o texto passará várias alterações até chegar em uma versão que agrade a todos. Botarei mais fé ainda se a roteirista Jane Goldman ter seu espaço aqui. Ela, junto de Vaughn, tem apenas êxitos no currículo e ambos fazem filmes excepcionais quando reunidos. Também espero ver Caleb Landry Jones, January Jones e Famke Janssen repetindo seus papéis, que são os de Banshee, Emma Frost e Jean Grey, respectivamente. Resumindo, acho que Days of Future Past promete muito e não vai me decepcionar.

Foto da capa do roteiro tem uma citação do livro A Origem das Espécies, de Charles Darwin. Aí vai a tradução: "Enquanto novas espécies se formam através da evolução natural, outras se tornam cada vez mais raras e raras e finalmente se extinguem. As formas que permanecem mais próximas da competição com aquelas que estão passando por modificações e aperfeiçoamentos são as que, naturalmente, sofrerão mais." (Foto: Twitter)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Girls just wanna have fun

Jemima Kirke, Lena Dunham, Zosia Mamet e Allison Williams vivem as garotas que querem se conhecer a si mesmas (Foto: divulgação/HBO)

Se você está sem grana e vai passar as férias de braços cruzados enquanto insetos gigantes de verão invadem sua casa pela janela, faça isso assistindo a esse seriado da HBO chamado Girls.

Vou lhe dar cinco razões para assisti-lo.

Razão #1: Não é o melhor seriado do mundo atualmente ou o melhor seriado já feito, mas é genuíno em termos de identidade e sentimentos. Digno de atenção. Os personagens do seriado e seus dilemas são dolorosamente reais. Há bastante humor também. A primeira temporada termina de forma inesperada e as atuações são um de seus pontos altos.

Razão #2: Conheça Lena Dunham. Essa moça, formada em escrita criativa pela Oberlin College (em Ohio, Estados Unidos), é carne fresca no cinema (que, como você já deve ter notado, anda passando por uma crise de criatividade daquelas) e na TV das terras do Tio Sam. Em Girls, ela atua, escreve, dirige e produz. Antes, ela fez o elogiado filme Mobília Mínima, que lhe rendeu a oportunidade de fazer este seriado autobiográfico, que foi indicado a quatro Emmys e dois Globos de Ouro até agora. O New York Post chamou Dunham de “o novo Woody Allen”. Isso pode ser ofensivo para os grandes fãs dele (eu!), mas não é que a moça é realmente boa no que faz?

Razão #3: Trilha sonora. Parece ser fútil sugerir um seriado apenas pelas músicas que tocam nele, mas é difícil deixar isso de lado quando se tem Siouxsie and the Banshees, Fleet Foxes e The Echo-Friendly tocando ao fundo.

Razão #4: Não é por causa do título que homens devem se sentir repelidos pela série. Muito pelo contrário. Os homens têm espaço aqui como fortes coadjuvantes e não enfrentam situações muito distantes das vividas pelas quatro protagonistas. Eles basicamente são a outra metade dessas situações e passam longe de serem tratados como lixo machista.

Razão #5: A segunda temporada sai em janeiro de 2013 e promete. Como disse acima, a primeira temporada segue um rumo inesperado (assim como cada capítulo em particular) e fica no ar a sensação de que a segunda poderá ser bem mais quente em termos de conflitos e momentos marcantes. Aliás, a primeira tem apenas dez capítulos de aproximadamente 30 minutos. Você nem vai precisar ficar cozinhando no seu sofá durante as férias para arranjar um tempo e assistir Girls.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A questão é que...

"Suck the shit out of my ass, you fucker!"

(Foto: divulgação)

Recentemente, assisti a um dos melhores filmes que poderia ver neste ano. E possivelmente, uma das melhores comédias dramáticas que já vi. Falo de Ruth em Questão (Citizen Ruth, 1996) a estreia de Alexander Payne como diretor e roteirista (este cargo, ao lado de Jim Taylor). Curiosidade: é o único roteiro original filmado pelo diretor.

Neste longa um tanto desconhecido e negligenciado, a excelente Laura Dern interpreta Ruth Stoops, uma jovem indigente, usuária de drogas e não muito carismática (vide uma fala dela na linha-fina deste artigo) que se descobre grávida. Sem querer, ela para bem em cima de um dos maiores braços-de-ferro da humanidade: o debate sobre aborto. A moça é disputada tanto por um grupo conservador e religioso que quer lhe desencorajar em sua ideia de abortar, quanto por um grupo de ideias opostas. Cada um bem radical em sua ideologia.

Lendo comentários por aí a respeito deste filme, fiquei espantado com a quantidade de pessoas que o viram como um libelo especialmente sobre aborto. Quem conhece mais a fundo o trabalho de Alexander Payne talvez discorde assim como eu.

Ruth (Laura Dern, na foto) não é nenhuma "wonder girl", é apenas um ser humano (Foto: divulgação)

Apesar de hoje dirigir filmes mais melancólicos como Sideways (2004) e Os Descendentes (2011), os primeiros trabalhos de Payne são terrivelmente atrevidos e imprevisíveis, caso de Ruth em Questão e Eleição (1999). O diretor entra em questões mais sombrias e delicadas através de uma primeira proposta visível. Em Ruth, o grande lance não é dizer se o aborto é correto ou não. O que vejo neste filme é uma sátira – e das mais ásperas – sobre brigas que compramos para provarmos que temos razão, provocarmos barulho por situações ou pessoas que dificilmente mudam.

A eterna competição entre pessoas, como a faiscante de Reese Witherspoon e Matthew Broderick em Eleição, é quase a Disneylândia para Alexander Payne. Dono de um estilo delicioso, ele me faz rir a melhor risada possível. A descompromissada. Afinal de contas, a briga não vai acabar mesmo.