Dupla levará ao cinema outra história baseada em fatos
O diretor Jonathan Levine e o roteirista Will Reiser vão se reunir na produção Jamaica.
Ambos já haviam trabalhado juntos na comédia dramática indie 50% (2011), baseado na experiência pessoal de Reiser com câncer espinhal. Em Jamaica, o roteirista repete a dose de autobiografia para contar a história de quando tinha 14 anos e viajou com sua avó ao país do título, onde testemunhou nela os primeiros sinais de Alzheimer.
Will Reiser e Seth Rogen no set de 50% (Foto: reprodução/Film School Rejects)
A produtora Mandate Pictures é responsável pelo projeto, assim como em 50%. Seth Rogen, que também esteve no filme e é amigo pessoal do roteirista, terá um papel coadjuvante.
Pelo seu trabalho anterior, Will Reiser ganhou o Independent Spirit Award na categoria de melhor primeiro roteiro, o National Board of Review Award de melhor roteiro original e ainda foi indicado ao Writers Guild of America Award na categoria de melhor roteiro original.
Data de estreia e detalhes de Jamaica ainda não foram divulgados.
A literatura não se transforma em audiovisual apenas em adaptações. Cheque este post e veja dicas de filmes que tem a escrita e a literatura como quase personagens, como elementos-chave para suas tramas. As Horas (The Hours,
2002)
Neste filme de Stephen Daldry, três mulheres que vivem em
diferentes lugares e épocas têm suas vidas conectadas pela literatura. Em 1923,
a escritora inglesa Virginia Woolf (Nicole Kidman) escreve o primeiro esboço de
seu aclamado romance Mrs. Dalloway,
que é tido como um dos inauguradores do fluxo de consciência em prosa. Em 1951,
Laura (Julianne Moore) é uma dona de casa que lê o romance de Virginia e se
sente motivada a fazer mudanças em sua vida. Em 2001, Clarissa (Meryl Streep)
literalmente vive o romance.
Contando com excelentes atuações de seu trio protagonista e
de coadjuvantes como Ed Harris, Toni Collette e Jeff Daniels, As Horas é um tocante, belíssimo e
ambicioso filme. Baseado no romance homônimo e ganhador do Pulitzer de Michael
Cunningham, não há obra cinematográfica como esta. Com uma narrativa habilidosa
e um ótimo roteiro de David Hare, o filme vai visitando sem medo o universo das
três protagonistas para contar suas histórias e amarrá-las em um surpreendente
final. A ótima trilha sonora assinada por Philip Glass costura tudo isso.
Mais Estranho que a
Ficção (Stranger Than Fiction, 2006)
Harold (Will Ferrell) é um melancólico fiscal do imposto de renda.
Só trabalha, não se diverte. Isso muda bruscamente quando ele ouve em sua cabeça a voz de Karen
Eifell (Emma Thompson) narrando tudo o que ele faz. Karen é uma famosa
romancista que está passando por um grave bloqueio do escritor enquanto trabalha em seu novo livro. Ela nem imagina que Harold, seu personagem principal, realmente
existe. Suas ideias, quando incluídas no romance, acontecem de fato. Só há um
problema: ela tem a tradição de matar seus protagonistas.
Dirigida por Marc Forster (A Última Ceia) e brilhantemente escrita por Zach Helm, esta
mistura de comédia, drama, fantasia e romance é um dos títulos mais peculiares
que o cinema independente dos Estados Unidos pariu nos últimos anos. Dustin
Hoffman e Maggie Gyllenhaal estão ótimos como um especialista em literatura consultado
por Harold e uma confeiteira descolada, respectivamente. A rapper Queen Latifah
também está no elenco.
A Lula e a Baleia
(The Squid and the Whale, 2005)
Aqui, Bernard (Jeff Daniels) e Joan (Laura Linney) são um
casal que vai se divorciar. Seus filhos Walt (Jesse Eisenberg) e Frank (Owen
Kline) têm séria dificuldade de lidar com isso. Entre os pais, que são
escritores, uma fagulha de competição ameaça se tornar uma fogueira. Os filhos,
assim como os próprios pais, caminham aos tropeços para uma vida diferente e
não esperada.
Este filme independente, escrito e dirigido com gusto por Noah Baumbach, é baseado em sua própria história de vida.
Comédia e drama se misturam em diálogos e situações que variam entre o desconcertante e o doloroso. O mundo dos relacionamentos, da literatura e dos
filmes artísticos molduram A Lula e a
Baleia. A Nova York dos anos 1980 serve como pano de fundo para a família que
ameaça se dissolver. Anna Paquin e William Baldwin completam o eficiente elenco.
Jovens Adultos (Young
Adult, 2011)
É uma das raras oportunidades que Charlize Theron teve de
mostrar seu ótimo timing cômico. Aqui,
Jason Reitman e Diablo Cody repetem a parceria de Juno na direção e no roteiro, respectivamente. Theron interpreta
Mavis Gary, uma ghost writer do
gênero que dá título ao filme. Ela decide retornar à cidade em que vivia quando
jovem com o objetivo de reatar o namoro com Buddy (Patrick Wilson), seu
namorado dos tempos de colegial. Oscilando entre extremos de humor e sempre com
o etanol à mão, ela se depara com sua própria dificuldade de seguir em frente.
Enquanto causa o caos por onde passa em sua cidadezinha
natal, Mavis escreve o episódio derradeiro de sua série de livros. Com a voz rouca e grave de Charlize Theron narrando o que Mavis redige, percebe-se como sua
história reflete seu intenso sofrimento.
Tanto Mavis quanto a maior parte dos outros personagens
estão próximos de seus 40 anos de idade – eles foram adolescentes nos anos 1990. A trilha
sonora têm nomes do grunge como Veruca Salt, The Lemonheads e Dinosaur Jr. Um
dos vários momentos em que o filme esbanja brilhantismo é quanto toca “What’s Up?”, da extinta banda 4 Non Blondes, na fita cassete que a protagonista tem em seu carro.
Com um roteiro afiadíssimo e absolutamente imprevisível, Jovens Adultos, como disse Peter
Travers, crítico da Rolling Stone,
provoca risadas que deixam feridas. Junto de Mais Estranho que a Ficção, comentado acima, é um dos filmes mais
interessantes saídos do forno independente dos EUA de uns tempos para cá.
A jornalista e escritora Elizabeth Wurtzel esteve
severamente deprimida em sua juventude. Tendo ao fundo a vida acadêmica, o rock alternativo dos anos 80 e muitas drogas, Wurtzel contou
sua história na memória de 1994 que
tem o mesmo título do filme.
Christina Ricci, ótima, interpreta a escritora no filme
dirigido pelo norueguês Erik Skjoldbjærg. Trechos do livro são lidos em off
pela atriz, incrementando o que a tela mostra. Fica perceptível que a
escrita foi um fator-chave para a recuperação de Wurtzel, que chegou a ter a
ideia de suicídio martelando em sua cabeça. O filme consegue ser claustrofóbico
em alguns momentos. Não surpreende, mas é funcional e aponta as dificuldades de
se viver em uma sociedade tão problemática.
Michelle Williams, Jessica Lange e Lou Reed também estão no
elenco. Infelizmente, Geração Prozac
é um tanto quanto negligenciado. Foi exibido no Festival de Toronto de 2001 e no
país de origem do diretor, dois anos depois. Saiu direto em DVD nos Estados
Unidos. Segundo o IMDb, a
distribuidora Miramax teve receio de lançar o filme por conta da figura não
muito carismática de Elizabeth Wurtzel, entre outras razões. Carismática ou
não, ela merece ser lida. O filme, assistido.
Desejo e Reparação
(Atonement, 2007)
Inglaterra, 1935 – Briony tem 13 anos e é uma aspirante à
escritora cheia de imaginação. Talvez cheia até demais, pois confunde
realidade com fantasia (ou não?) ao acusar alguém inocente de cometer um grave crime.
Isso causa uma reação em cadeia de acontecimentos que pesarão em sua
consciência e afetará várias vidas para sempre. Baseado no excelente romance Reparação, de Ian McEwan, Desejo e Reparação é um filme de
romance, drama e guerra como não víamos no cinema há décadas. É incisivo, visualmente
espetacular e colossal. O diretor Joe Wright e o roteirista Christopher Hampton (Ligações Perigosas) acharam uma voz
única para contar essa história que tem vários personagens, acontece em
diferentes lugares, começa em 1935 e atravessa décadas.
Briony, quando criança, é interpretada por Saoirse Ronan;
quando jovem, por Romola Garai; e quando idosa, por Vanessa Redgrave. As três
atrizes estão ótimas no papel e o mesmo sobre Keira Knightley e James McAvoy, que
também estão no extenso elenco ao lado de Juno Temple, Benedict Cumberbatch e
outros. A trilha sonora assinada por Dario Marianelli tem uma excentricidade: o
som de teclas de máquina de escrever.
E não termina por aqui. Outras dicas são Orgulho e Preconceito (2005), também de Wright, baseado no romance homônimo de Jane Austen, onde o casal protagonista é tão apaixonado por literatura quanto um pelo outro. Amor e Inocência (2007) mostra os bastidores da escrita deste romance. Dirigido por Julian Jarrold, o filme tem o roteiro baseado em cartas de Austen, que é muito bem interpretada por Anne Hathaway. James McAvoy, Maggie Smith e Julie Walters também estão no elenco. Já O Leitor (2008) é uma nova parceria do diretor e do roteirista de As Horas, citado acima. Kate Winslet é uma mulher cujo amante lê para ela quando se encontram. Crimes nazistas, segredos sombrios e muitas reviravoltas temperam o filme baseado no livro homônimo de Bernhard Schlink.
Alguma recomendação de filme nesses moldes? Basta deixar um comentário.
Saiba o que esperar do novo filme dos mutantes, cuja estreia é em 2014
Recentemente, andam saindo muitas notícias sobre o filme que
dará sequência a X-Men: Primeira Classe
(2011). Continue lendo e conheça as novidades divulgadas até agora.
(Foto: capa do quadrinho alterada)
Trama: foi
construída baseada no arco Dias
de um Futuro Esquecido (1981; foto), de Chris Claremont e John Byrne – um dos
maiores clássicos das histórias de super-heróis – , e na revista All-New X-Men (2012), de Brian Michael Bendis e Stuart Immonen.
Ambos os quadrinhos trabalham com o conceito de viagem no tempo. A sinopse
oficial do filme ainda não foi divulgada pela 20th Century Fox, mas há quem
estipule que um dos objetivos desse novo filme é harmonizar as duas trilogias
em termos de cronologia (já que X-Men: Primeira
Classe inaugurou uma própria) e colocar lado a lado o Charles Xavier e
o Magneto das duas gerações.
Para quem não conhece a história do quadrinho clássico, vale
dizer: em um futuro alternativo, distópico e apocalíptico, os mutantes são
perseguidos e presos em campos de concentração. Kitty Pride é um deles e estabelece um elo mental com a versão de si mesma no dia presente para alertar os X-Men sobre o evento que
provocou a perseguição. Sentinelas, o Clube do Inferno e a Irmandade dos
Mutantes também estão nessa mistura.
Direção: Bryan
Singer assumiu o posto. Ele já havia dirigido, produzido e trabalhado na trama
dos dois primeiros filmes, em 2000 e 2003. Chegou a pegar o
posto de diretor de Primeira Classe,
mas teve que largá-lo para se dedicar ao filme Jack – o Matador de Gigantes. No fim das contas, Singer produziu e
desenvolveu a trama de Primeira Classe,
que foi dirigido por Matthew Vaughn (Stardust,
Kick-Ass). Singer chegou à cadeira de
diretor em Days of Future Past quando
Vaughn a deixou. Nessa ocasião, muitos especularam que seria para este último assumir o vindouro sétimo episódio de Star
Wars, mas depois foi esclarecido que o diretor preferiu se focar na adaptação
do quadrinho The Secret Service, para
evitar um possível plágio. Em Days of
Future Past, Vaughn tem seu nome nos créditos de roteiro e produção.
Bryan Singer no set de X-Men (2000) (Foto: X-Men Films)
Roteiro: foi
escrito por Simon Kinberg, que é produtor de Primeira Classe e co-roteirista de X-Men 3 (2006). Ele tem em seu currículo os roteiros de Sr. e Sra. Smith (2005) e Sherlock Holmes (2009). Ao lado de
Kinberg, Vaughn também cuida do texto. Ainda não foi confirmado se a roteirista Jane Goldman, que
frequentemente escreve com Vaughn, trabalhará nesse.
Produção: o casal
Richard e Lauren Shuler Donner, que produziu os filmes anteriores, também
está a bordo do projeto ao lado de Singer e Vaughn.
Elenco: até
agora, vários atores de ambas as trilogias foram confirmados. São eles: James
McAvoy (Charles Xavier), Michael Fassbender (Magneto), Jennifer Lawrence
(Mística), Nicholas Hoult (Fera), Hugh Jackman (Wolverine), Ellen Page (Kitty
Pride), Anna Paquin (Vampira), Shawn Ashmore (Homem de Gelo), Patrick Stewart
(Charles Xavier) e Ian McKellen (Magneto).
Outros nomes no
projeto: John Myre (Chicago, Memórias de uma Gueixa) foi confirmado como produtor de design; Louise Mingenbach, diretora de figurino dos dois primeiros filmes, também foi confirmada (e Singer garantiu que não haverá nada de couro preto desta vez); e Newton Thomas Siegel (Drive, X-Men 2) é o diretor de fotografia.
Rumores: o
quadrinista escocês Mark Millar (Kick-Ass,
Ultimate X-Men)foi contratado pela
Fox como consultor criativo. Embora a informação a seguir não tenha sido
divulgada oficialmente, diz-se que o objetivo do estúdio com Millar é fazer
algo semelhante ao que a Marvel Studios fez com os Vingadores: criar um
universo próprio, estruturado em vários filmes. Neste caso, unir a realidade dos X-Men a do
Quarteto Fantástico (cujo reboot está engatilhado no estúdio). Ainda sobre Days of Future Past, alguns nomes como
January Jones (Emma Frost), Rose Byrne (Moira MacTaggert) e Jason Flemyng
(Azazel) foram envolvidos em rumores sobre atores a serem confirmados. Mas por
ora, “apenas” os citados acima estão oficialmente no elenco.
Fique atento: ao Twitter de Bryan Singer e ao blog X-Men Films. Singer anda divulgando muitas novidades via tweets e o blog
cobre todas as notícias relacionadas aos filmes dos mutantes, das mais frias
até as mais quentes.
Estreia: marcada para 18 de julho de 2014. Agora é esperar para ver e acompanhar as notícias que vão saindo.
Opinião pessoal – o que eu espero:
algo próximo de O Poderoso Chefão –
Parte 2 (1974). Uma narrativa engenhosa e bem amarrada contando histórias que
acontecem em tempos diferentes e se influenciam muito. Talvez seja o melhor
filme dos X-Men, por ser tão ambicioso em adaptar logo Dias de um Futuro Esquecido
(!!!) e reunir no mesmo filme elementos que
formam a identidade de ambas as trilogias. Cheguei a ficar receoso
quando Matthew
Vaughn deixou o posto de diretor (ele é ótimo, um de meus prediletos),
mas quando Bryan Singer foi confirmado em seu lugar e Vaughn como
produtor e roteirista, botei confiança no projeto. Singer é um exímio
contador de histórias. Acho válido dizer também que Simon
Kinberg (a metade boa da dupla de roteiristas de X-Men 3) é bom
no que faz e que muito provavelmente seu roteiro será alterado diversas
vezes por Bryan Singer e Matthew Vaughn. Geralmente, escrevem-se
primeiras versões de roteiros apenas para estúdios terem uma noção do
que o filme se trata. Além disso, Singer e Vaughn são exigentes e creio
que o texto passará várias alterações até chegar em uma versão que
agrade a todos. Botarei mais fé ainda se a roteirista Jane Goldman ter
seu espaço aqui. Ela, junto de Vaughn, tem apenas êxitos no currículo e
ambos fazem filmes excepcionais quando reunidos. Também espero ver Caleb
Landry Jones, January Jones e Famke Janssen repetindo seus papéis, que
são os de Banshee, Emma Frost e Jean Grey, respectivamente. Resumindo,
acho que Days of Future Past promete muito e não vai me decepcionar.
Foto da capa do roteiro tem uma citação do livro A Origem das Espécies, de Charles Darwin. Aí vai a tradução: "Enquanto novas espécies se formam através da evolução
natural, outras se tornam cada vez mais raras e raras e finalmente se extinguem.
As formas que permanecem mais próximas da competição com aquelas que estão passando por modificações e aperfeiçoamentos são as que, naturalmente, sofrerão
mais." (Foto: Twitter)