quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Jon Favreau revisita raízes independentes em 'Chef'; veja crítica e trailer

(Divulgação/Imagem Filmes)

É através da divertida comédia Chef (2014) que Jon Favreau retorna ao cinema de baixo orçamento, local de sua gênese. Ele teve ótimo desempenho como diretor dos dois primeiros filmes do Homem de Ferro (2008 e 2010), esculpindo a versão cinematográfica do herói da Marvel Comics vivida por Robert Downey Jr. Já não se sentava numa cadeira de diretor desde Cowboys & Aliens (2011), mas agora Favreau volta com classe vivendo um personagem em crise. Sim, ele também atua – e bem –, além de ser diretor, roteirista e produtor em Chef. Carl (Favreau) trabalha no restaurante de Riva (Dustin Hoffman, ótimo), com quem mede força para ver quem manda na cozinha. A coisa complica quando um crítico sem papas na língua (Oliver Platt) detona Carl numa resenha: para ele, o chef não é tão talentoso quanto aparentava uma década atrás. Depois da humilhação na internet e offline, o protagonista parte em busca de sua autonomia e aceita a sugestão de sua ex-esposa (Sofia Vergara) de abrir um food truck. Sanduíches cubanos são a escolha do chef. A tentativa de melhorar a relação com seu filho (Emjay Anthony) e ser um pai mais atencioso também faz parte da empreitada. A partir daí, com o perdão do trocadilho, é céu de brigadeiro. Chef é boa opção para dar risadas despretensiosamente – e babar nos vários pratos apetitosos que aparecem. Com Scarlett Johansson, John Leguizamo e Bobby Cannavale. Downey Jr. também dá o ar da graça, para alegria da plateia. Estreia quinta-feira (14/8). Classificação indicativa: 12 anos. Duração: 114 minutos. País de origem: Estados Unidos. Distribuição: Imagem Filmes.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

'O Teorema Zero': drama futurista com Christoph Waltz estreia nesta quinta-feira; veja crítica

Ator ganhador de dois Oscar vive hacker angustiado em novo filme de Terry Gilliam


Christoph Waltz (à direita) e David Thewlis em cena (Foto: Divulgação/Imagem Filmes)

Em O Teorema Zero (The Zero Theorem, 2013), o cineasta inglês Terry Gilliam – mais conhecido por integrar a trupe de comédia Monty Python e ter dirigido Os 12 Macacos (1995) e Brazil (1985) – retoma o encontro de drama e ficção científica.

Numa Londres futurista, Christoph Waltz é Qoen Leth, um tipo neurótico e solitário afogando-se em dúvidas existenciais, à espera de um telefonema que lhe explicaria o motivo da vida. Hacker dos bons, ele é chamado para resolver o “teorema zero”, a serviço de uma corporação vigilante e obscura representada por Matt Damon. O cálculo matemático é complexo, mas pode terminar a dúvida do protagonista, que topa fazer o trabalho. O roteiro original é de Pat Rushin.

Embora esteja em boa atuação, Waltz é ofuscado pelos coadjuvantes, que possuem mais textura. Mélanie Thierry, David Thewlis e Lucas Hedges iluminam a tela quando aparecem. Tilda Swinton, Ben Whishaw e Gwendoline Christie também são marcantes em suas participações.

O bom figurino é colorido e espalhafatoso: parece sugerir que os personagens saíram de um videoclipe dos B-52’s, mas a certeza é que eles perambulam em cenários caprichados. O futuro excêntrico e ultra colorido – turbinado por uma publicidade invasiva – anda de mãos dadas com o passado decadente e abandonado.

A atriz francesa Mélanie Thierry: sua atuação é um dos pontos altos de O Teorema Zero (Foto: Divulgação/Imagem Filmes)

A excentricidade, a fisicalidade empregada a esta e o humor vindo de lugares inusitados são recorrentes nos filmes de Gilliam. Aqui, ele trabalha mais uma vez com a cinematógrafa italiana Nicola Pecorini, responsável por uma fotografia lindíssima e com identidade em relevo: quase mais um coadjuvante carismático em cena.

“Quando fiz Brazil em 1984, estava tentando pintar um retrato do mundo em que vivíamos então. O Teorema Zero é um vislumbre do mundo em que acho que vivemos agora”, explica o diretor em sua declaração. O comentário é pertinente, uma vez que personagens sacam seus celulares para fotografar o sofrimento e constrangimento alheio. Quem está em redes sociais hoje vê algo próximo disso todo dia. O hacker vivido por Waltz mostra que dúvidas existenciais não evaporam mesmo com as possibilidades oferecidas por uma rede de conhecidos em constante expansão.

Uma curiosidade interessante sobre Teorema Zero é o formato escolhido por Gilliam para filmá-lo: 35mm com as proporções de tela 1.85:1 e 16:9, o que permite qualquer tela 16:9 abranger tudo que é exibido, independente de ser cinema, tevê ou iPhone. Para Gilliam, o efeito acaba sendo vintage, por causa das bordas levemente arredondadas que ficaram nos cantos. (O diretor explica isso neste vídeo, a partir do oitavo minuto.)

O diretor Terry Gilliam nos bastidores (Foto: Divulgação)

“É o primeiro filme que se encaixa em todos os quadros, full frame e ‘semi-vinil’”, diz Gilliam.

O Teorema Zero foi exibido no Festival de Veneza do ano passado. Não levou para casa o Leão de Ouro, prêmio principal do evento, mas ganhou lá uma menção especial do Future Film Festival, por Gilliam ser o primeiro famoso a dar as caras neste segundo festival.

Boa opção para quem quer conferir ficção científica fora do circuito de blockbusters.


Estreia quinta-feira (10/7). Classificação indicativa: 14 anos. Duração: 106 minutos. Países de origem: Estados Unidos, Romênia, Reino Unido e França. Distribuição: Imagem Filmes.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Jake Gyllenhaal caça seu sósia em 'O Homem Duplicado'

Atuação de Gyllenhaal (foto) é um dos pontos altos do filme (Foto: Divulgação/Imagem Filmes)

Clima de obsessão à la Hitchcock e melancolia são os alicerces do ótimo O Homem Duplicado (Enemy, 2013), de Denis Villeneuve, que estreia nesta quinta-feira (19/6).

A produção canadense-espanhola é baseada no romance homônimo de José Saramago (1922-2010) e acompanha um jovem professor universitário que decide encontrar seu doppelgänger após descobri-lo. Ambos os papéis são de Jake Gyllenhaal, em excelente desempenho. As coadjuvantes Mélanie Laurent, Sarah Gadon e Isabella Rossellini também se destacam. O roteiro é de Javier Gullón.

Esquisito e envolvente, alguns dos vários acertos do filme são uma belíssima fotografia (que privilegia amarelo e tons pastéis), a trilha sonora de Daniel Bensi e Saunder Jurriaans (sozinha, ela pode causar arrepios) e a direção: Villeneuve consegue deixar o espectador com a mesma sensação de insegurança e ansiedade de seu protagonista. 


O Homem Duplicado foi exibido no Festival de Toronto do ano passado junto de Os Suspeitos (2013), outro thriller enxuto e impactante do diretor. Villeneuve já havia aberto para si um bom caminho com o drama Incêndios (2010), indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Estreia quinta-feira (19/5). Classificação indicativa: 14 anos. Duração: 90 minutos. Distribuição: Imagem Filmes.