terça-feira, 7 de outubro de 2014

Sobre o trânsito são-bernardense

O ônibus chega com atraso de 30 minutos e, no centro da cidade, o motorista decide fazer uma pausa para bater papo com a conhecida que ele encontrou na rua. O cobrador, sem fones, ouve música no celular com o volume estourando. Os passageiros que se danem.

Chegando ao bairro do ponto final, de ruas estreitas e repletas de carros estacionados em ambos os sentidos, ônibus, caminhões de coleta de lixo, transeuntes e quadrúpedes em geral praticamente colidem suas fuças ao tentar passar pela mesma área. Mais de dois corpos conseguem, afinal, ocupar o mesmo espaço.

Dedução: há muitos anos o trânsito são-bernardense tem expertise em desafiar a paciência de munícipes e visitantes, mas agora ele mostra ter cada vez mais vocação para desafiar as leis da física.

E assim nossas ruas vão ficando cada vez mais pitorescas.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

'Sin City': longa baseado em quadrinho de Frank Miller estreia amanhã; leia crítica

Da esquerda para a direita: Rosario Dawson, Josh Brolin, Mickey Rourke, Jessica Alba, Joseph Gordon-Levitt, Bruce Willis e, embaixo, Eva Green (Imagem: Divulgação) 

Longos nove anos se passaram entre Sin City: A Dama Fatal (2014), que chega aos cinemas nesta quinta-feira (25), e seu precursor, A Cidade do Pecado. A sequência não traz consigo o que o primeiro filme tinha de melhor: um forte aspecto visceral.

A Dama Fatal tem mais apetite de quadrinho que A Cidade do Pecado – a fusão de linguagens é belissimamente concebida pelos ambiciosos diretores Robert Rodriguez e Frank Miller (que aqui também é roteirista).

Miller, Rodriguez e Rourke no set de filmagens: fundo verde que vira quadrinho (Imagem: Divulgação)

Visualmente, tem mais estilo e impacto, mas peca ao não se aprofundar nos demônios de seus personagens. Exceção é a stripper Nancy, vivida novamente por Jessica Alba, que apresenta graves sequelas psicológicas dos traumas vividos no primeiro filme. De modo geral, faltou um quê de maldito em A Dama Fatal.

O filme costura bem as narrativas com pontos de intersecção entre si, mas seu precursor fez isso com mais engenhosidade.

Eva Green faz papel de uma trambiqueira daquelas em novo Sin City (Imagem: Divulgação)

As atuações não deixam a desejar. Em especial a Ava Lord de Eva Green, personagem do título. Destemida, a atriz parece ter desenvolvido uma quedinha por personagens de gênero e atuações vigorosas (vide o novo 300 e a série de tevê Penny Dreadful). Outros destaques são Joseph Gordon-Levitt, protagonista de uma das narrativas, e Mickey Rourke, que repete com gusto o papel do hilário e violentíssimo Marv.

Ava Lord no quadrinho (Imagem: Reprodução)

Misturando preto e branco com poucos, mas bem selecionados elementos coloridos em cena, A Dama Fatal abre novamente as portas da cidade-cenário para mostrar como seus habitantes não se desvencilham do mundo do crime. No extenso elenco, atores do filme anterior, como Rosario Dawson e Bruce Willis, se juntam a novatos, como Christopher Lloyd e Juno Temple. Algumas substituições foram feitas, como Jeremy Piven no lugar de Michael Madsen e Josh Brolin no lugar Clive Owen. A cantora Lady Gaga aparece numa ponta.

Uma das capas originas de A Dama Fatal (Imagem: Reprodução)

O roteiro se baseia em histórias da série de quadrinhos neo-noir homônima de Frank Miller, lançadas na década de 1990 pela Dark Horse Comics. As histórias “The Long Bad Night” e “Nancy's Last Dance” foram escritas por Miller especialmente para o filme.

Estreia quinta-feira (25/9). Classificação indicativa: 18 anos. Duração 102 minutos. País de origem: Estados Unidos. Distribuição: Imagem Filmes.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Jon Favreau revisita raízes independentes em 'Chef'; veja crítica e trailer

(Divulgação/Imagem Filmes)

É através da divertida comédia Chef (2014) que Jon Favreau retorna ao cinema de baixo orçamento, local de sua gênese. Ele teve ótimo desempenho como diretor dos dois primeiros filmes do Homem de Ferro (2008 e 2010), esculpindo a versão cinematográfica do herói da Marvel Comics vivida por Robert Downey Jr. Já não se sentava numa cadeira de diretor desde Cowboys & Aliens (2011), mas agora Favreau volta com classe vivendo um personagem em crise. Sim, ele também atua – e bem –, além de ser diretor, roteirista e produtor em Chef. Carl (Favreau) trabalha no restaurante de Riva (Dustin Hoffman, ótimo), com quem mede força para ver quem manda na cozinha. A coisa complica quando um crítico sem papas na língua (Oliver Platt) detona Carl numa resenha: para ele, o chef não é tão talentoso quanto aparentava uma década atrás. Depois da humilhação na internet e offline, o protagonista parte em busca de sua autonomia e aceita a sugestão de sua ex-esposa (Sofia Vergara) de abrir um food truck. Sanduíches cubanos são a escolha do chef. A tentativa de melhorar a relação com seu filho (Emjay Anthony) e ser um pai mais atencioso também faz parte da empreitada. A partir daí, com o perdão do trocadilho, é céu de brigadeiro. Chef é boa opção para dar risadas despretensiosamente – e babar nos vários pratos apetitosos que aparecem. Com Scarlett Johansson, John Leguizamo e Bobby Cannavale. Downey Jr. também dá o ar da graça, para alegria da plateia. Estreia quinta-feira (14/8). Classificação indicativa: 12 anos. Duração: 114 minutos. País de origem: Estados Unidos. Distribuição: Imagem Filmes.