quarta-feira, 24 de setembro de 2014

'Sin City': longa baseado em quadrinho de Frank Miller estreia amanhã; leia crítica

Da esquerda para a direita: Rosario Dawson, Josh Brolin, Mickey Rourke, Jessica Alba, Joseph Gordon-Levitt, Bruce Willis e, embaixo, Eva Green (Imagem: Divulgação) 

Longos nove anos se passaram entre Sin City: A Dama Fatal (2014), que chega aos cinemas nesta quinta-feira (25), e seu precursor, A Cidade do Pecado. A sequência não traz consigo o que o primeiro filme tinha de melhor: um forte aspecto visceral.

A Dama Fatal tem mais apetite de quadrinho que A Cidade do Pecado – a fusão de linguagens é belissimamente concebida pelos ambiciosos diretores Robert Rodriguez e Frank Miller (que aqui também é roteirista).

Miller, Rodriguez e Rourke no set de filmagens: fundo verde que vira quadrinho (Imagem: Divulgação)

Visualmente, tem mais estilo e impacto, mas peca ao não se aprofundar nos demônios de seus personagens. Exceção é a stripper Nancy, vivida novamente por Jessica Alba, que apresenta graves sequelas psicológicas dos traumas vividos no primeiro filme. De modo geral, faltou um quê de maldito em A Dama Fatal.

O filme costura bem as narrativas com pontos de intersecção entre si, mas seu precursor fez isso com mais engenhosidade.

Eva Green faz papel de uma trambiqueira daquelas em novo Sin City (Imagem: Divulgação)

As atuações não deixam a desejar. Em especial a Ava Lord de Eva Green, personagem do título. Destemida, a atriz parece ter desenvolvido uma quedinha por personagens de gênero e atuações vigorosas (vide o novo 300 e a série de tevê Penny Dreadful). Outros destaques são Joseph Gordon-Levitt, protagonista de uma das narrativas, e Mickey Rourke, que repete com gusto o papel do hilário e violentíssimo Marv.

Ava Lord no quadrinho (Imagem: Reprodução)

Misturando preto e branco com poucos, mas bem selecionados elementos coloridos em cena, A Dama Fatal abre novamente as portas da cidade-cenário para mostrar como seus habitantes não se desvencilham do mundo do crime. No extenso elenco, atores do filme anterior, como Rosario Dawson e Bruce Willis, se juntam a novatos, como Christopher Lloyd e Juno Temple. Algumas substituições foram feitas, como Jeremy Piven no lugar de Michael Madsen e Josh Brolin no lugar Clive Owen. A cantora Lady Gaga aparece numa ponta.

Uma das capas originas de A Dama Fatal (Imagem: Reprodução)

O roteiro se baseia em histórias da série de quadrinhos neo-noir homônima de Frank Miller, lançadas na década de 1990 pela Dark Horse Comics. As histórias “The Long Bad Night” e “Nancy's Last Dance” foram escritas por Miller especialmente para o filme.

Estreia quinta-feira (25/9). Classificação indicativa: 18 anos. Duração 102 minutos. País de origem: Estados Unidos. Distribuição: Imagem Filmes.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Jon Favreau revisita raízes independentes em 'Chef'; veja crítica e trailer

(Divulgação/Imagem Filmes)

É através da divertida comédia Chef (2014) que Jon Favreau retorna ao cinema de baixo orçamento, local de sua gênese. Ele teve ótimo desempenho como diretor dos dois primeiros filmes do Homem de Ferro (2008 e 2010), esculpindo a versão cinematográfica do herói da Marvel Comics vivida por Robert Downey Jr. Já não se sentava numa cadeira de diretor desde Cowboys & Aliens (2011), mas agora Favreau volta com classe vivendo um personagem em crise. Sim, ele também atua – e bem –, além de ser diretor, roteirista e produtor em Chef. Carl (Favreau) trabalha no restaurante de Riva (Dustin Hoffman, ótimo), com quem mede força para ver quem manda na cozinha. A coisa complica quando um crítico sem papas na língua (Oliver Platt) detona Carl numa resenha: para ele, o chef não é tão talentoso quanto aparentava uma década atrás. Depois da humilhação na internet e offline, o protagonista parte em busca de sua autonomia e aceita a sugestão de sua ex-esposa (Sofia Vergara) de abrir um food truck. Sanduíches cubanos são a escolha do chef. A tentativa de melhorar a relação com seu filho (Emjay Anthony) e ser um pai mais atencioso também faz parte da empreitada. A partir daí, com o perdão do trocadilho, é céu de brigadeiro. Chef é boa opção para dar risadas despretensiosamente – e babar nos vários pratos apetitosos que aparecem. Com Scarlett Johansson, John Leguizamo e Bobby Cannavale. Downey Jr. também dá o ar da graça, para alegria da plateia. Estreia quinta-feira (14/8). Classificação indicativa: 12 anos. Duração: 114 minutos. País de origem: Estados Unidos. Distribuição: Imagem Filmes.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

'O Teorema Zero': drama futurista com Christoph Waltz estreia nesta quinta-feira; veja crítica

Ator ganhador de dois Oscar vive hacker angustiado em novo filme de Terry Gilliam


Christoph Waltz (à direita) e David Thewlis em cena (Foto: Divulgação/Imagem Filmes)

Em O Teorema Zero (The Zero Theorem, 2013), o cineasta inglês Terry Gilliam – mais conhecido por integrar a trupe de comédia Monty Python e ter dirigido Os 12 Macacos (1995) e Brazil (1985) – retoma o encontro de drama e ficção científica.

Numa Londres futurista, Christoph Waltz é Qoen Leth, um tipo neurótico e solitário afogando-se em dúvidas existenciais, à espera de um telefonema que lhe explicaria o motivo da vida. Hacker dos bons, ele é chamado para resolver o “teorema zero”, a serviço de uma corporação vigilante e obscura representada por Matt Damon. O cálculo matemático é complexo, mas pode terminar a dúvida do protagonista, que topa fazer o trabalho. O roteiro original é de Pat Rushin.

Embora esteja em boa atuação, Waltz é ofuscado pelos coadjuvantes, que possuem mais textura. Mélanie Thierry, David Thewlis e Lucas Hedges iluminam a tela quando aparecem. Tilda Swinton, Ben Whishaw e Gwendoline Christie também são marcantes em suas participações.

O bom figurino é colorido e espalhafatoso: parece sugerir que os personagens saíram de um videoclipe dos B-52’s, mas a certeza é que eles perambulam em cenários caprichados. O futuro excêntrico e ultra colorido – turbinado por uma publicidade invasiva – anda de mãos dadas com o passado decadente e abandonado.

A atriz francesa Mélanie Thierry: sua atuação é um dos pontos altos de O Teorema Zero (Foto: Divulgação/Imagem Filmes)

A excentricidade, a fisicalidade empregada a esta e o humor vindo de lugares inusitados são recorrentes nos filmes de Gilliam. Aqui, ele trabalha mais uma vez com a cinematógrafa italiana Nicola Pecorini, responsável por uma fotografia lindíssima e com identidade em relevo: quase mais um coadjuvante carismático em cena.

“Quando fiz Brazil em 1984, estava tentando pintar um retrato do mundo em que vivíamos então. O Teorema Zero é um vislumbre do mundo em que acho que vivemos agora”, explica o diretor em sua declaração. O comentário é pertinente, uma vez que personagens sacam seus celulares para fotografar o sofrimento e constrangimento alheio. Quem está em redes sociais hoje vê algo próximo disso todo dia. O hacker vivido por Waltz mostra que dúvidas existenciais não evaporam mesmo com as possibilidades oferecidas por uma rede de conhecidos em constante expansão.

Uma curiosidade interessante sobre Teorema Zero é o formato escolhido por Gilliam para filmá-lo: 35mm com as proporções de tela 1.85:1 e 16:9, o que permite qualquer tela 16:9 abranger tudo que é exibido, independente de ser cinema, tevê ou iPhone. Para Gilliam, o efeito acaba sendo vintage, por causa das bordas levemente arredondadas que ficaram nos cantos. (O diretor explica isso neste vídeo, a partir do oitavo minuto.)

O diretor Terry Gilliam nos bastidores (Foto: Divulgação)

“É o primeiro filme que se encaixa em todos os quadros, full frame e ‘semi-vinil’”, diz Gilliam.

O Teorema Zero foi exibido no Festival de Veneza do ano passado. Não levou para casa o Leão de Ouro, prêmio principal do evento, mas ganhou lá uma menção especial do Future Film Festival, por Gilliam ser o primeiro famoso a dar as caras neste segundo festival.

Boa opção para quem quer conferir ficção científica fora do circuito de blockbusters.


Estreia quinta-feira (10/7). Classificação indicativa: 14 anos. Duração: 106 minutos. Países de origem: Estados Unidos, Romênia, Reino Unido e França. Distribuição: Imagem Filmes.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Jake Gyllenhaal caça seu sósia em 'O Homem Duplicado'

Atuação de Gyllenhaal (foto) é um dos pontos altos do filme (Foto: Divulgação/Imagem Filmes)

Clima de obsessão à la Hitchcock e melancolia são os alicerces do ótimo O Homem Duplicado (Enemy, 2013), de Denis Villeneuve, que estreia nesta quinta-feira (19/6).

A produção canadense-espanhola é baseada no romance homônimo de José Saramago (1922-2010) e acompanha um jovem professor universitário que decide encontrar seu doppelgänger após descobri-lo. Ambos os papéis são de Jake Gyllenhaal, em excelente desempenho. As coadjuvantes Mélanie Laurent, Sarah Gadon e Isabella Rossellini também se destacam. O roteiro é de Javier Gullón.

Esquisito e envolvente, alguns dos vários acertos do filme são uma belíssima fotografia (que privilegia amarelo e tons pastéis), a trilha sonora de Daniel Bensi e Saunder Jurriaans (sozinha, ela pode causar arrepios) e a direção: Villeneuve consegue deixar o espectador com a mesma sensação de insegurança e ansiedade de seu protagonista. 


O Homem Duplicado foi exibido no Festival de Toronto do ano passado junto de Os Suspeitos (2013), outro thriller enxuto e impactante do diretor. Villeneuve já havia aberto para si um bom caminho com o drama Incêndios (2010), indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Estreia quinta-feira (19/5). Classificação indicativa: 14 anos. Duração: 90 minutos. Distribuição: Imagem Filmes.

sábado, 14 de junho de 2014

Rádio Eldorado tinha proposta revolucionária com programação musical refinada

Emissora deu credibilidade ao meio de comunicação nas classes altas, seu público principal

A proposta revolucionária da rádio Eldorado de transmitir uma refinada programação musical fez dela um marco na história do radialismo brasileiro. Inaugurada em 1958, na cidade de São Paulo (SP), ela colocava no ar música moderna brasileira e de países como Estados Unidos, Inglaterra, Itália e França. A música clássica também estava em sua programação. Pertencente ao Grupo Estado, o jornalismo da rádio era oriundo do Estado de S. Paulo, que à época, era o principal jornal brasileiro. Outros diferenciais da rádio estavam em sua grade permanente de programação, sua seleta equipe de locutores, que deviam transmitir serenidade e ter vozes agradáveis, e seu material publicitário sem jingles ou recursos sonoros semelhantes. O público da Eldorado era principalmente as classes A e B.

Segundo Antônio de Andrade, pesquisador da Cátedra de Comunicação Unesco/Metodista, a Eldorado deu credibilidade ao rádio como meio de comunicação na classe A, que desconsiderava sua importância por ser um veículo de massa. “E abriu espaço para um modelo mais sofisticado e de padrão similar ao que melhor se fazia no mundo. A Eldorado representava toda pujança, modernidade e garra da grande metrópole paulista”, diz.

 Inauguração do auditório da Eldorado, em 1958 (Foto: arquivo/AE)

Andrade conhece a rádio desde as primeiras transmissões dela. “Segui sendo fiel ouvinte até o momento em que a Eldorado entrou em decadência. Aprendi a curtir boa música ouvindo seus programas. Só ia dormir quando a emissora encerrava as transmissões pontualmente à meia-noite.”

A memória da rádio foi pouco preservada. Hoje, seu acervo não é tão extenso quanto poderia ser e o resgate de sua história se baseia em lembranças nostálgicas como as de Andrade.

“A gente diz que a Eldorado só tem lembranças, não tem memória”, comenta o radialista Edgard Gonçalves. Aos 72 anos, o “Sr. Edgard”, como é conhecido, é uma das últimas testemunhas da história da Eldorado. “Hoje, praticamente, a gente não tem coisas do início da rádio. O que nós temos são vinhetas, alguns programas, coisas assim, que ficavam comigo e eu guardei. Mas reportagem e essas coisas, a rádio não tem nada.”

Aos 17 anos de idade, ele foi contratado para trabalhar como office boy na Eldorado. Na primeira vez em que esteve nela, a rádio se localizava na Rua Major Quedinho, no bairro República, em sua primeira instalação. O Sr. Edgard se lembra que ela estava sendo montada e as linhas telefônicas instaladas. Ele nem sabia que se tratava de uma rádio. Apenas um mês depois descobriu isso através de um colega. A estreia da emissora aconteceu no ano seguinte.

Dentre suas lembranças daquele tempo, está a da Pró-Música, uma programação designada a bares, restaurantes, consultórios médicos, etc. “O receptor era fabricado aqui na rádio mesmo e ela os alugava para clientes, que pagavam uma mensalidade e tinham só música o dia todo. Música ambiente, orquestral, solo...”

Uma vez por mês, ele fazia cobrança das mensalidades pessoalmente nos estabelecimentos.

Da Eldorado, o sujeito só sai quando morre

Ser radialista da Eldorado significava estar no ápice da carreira. O Sr. Edgard conta que, José Scatena (1918-2011), à época um dos diretores da gravadora RGE Discos, dizia que a Eldorado era igual ao time Santos Futebol Clube nas décadas de 60 e 70. “Todo jogador queria ir pro Santos. E todo radialista queria vir para a Eldorado. O Scatena dizia: ‘Da Eldorado, o sujeito só sai quando morre’”.

Outras rádios não contratavam funcionários da Eldorado pois sabiam que não cobririam os salários (os melhores do mercado) que a emissora pagava a eles.

Em 64, na ocasião do golpe militar, que iniciou uma ditadura que assombraria o Brasil pelos 21 anos seguintes, o Grupo Estado declarou apoio à ação. O Sr. Edgard lembra que os funcionários da rádio conversavam sobre o assunto e não aprovavam a adesão da empresa.

“Tinha uma menina, que trabalhava comigo na discoteca, que se envolveu com um grupo [de esquerda]. Tanto é que ela teve que ir embora para a França”, diz. “Quando teve o golpe, ela simplesmente sumiu, desapareceu. Mas nunca comentou nada. Gozado, né? Na discoteca, se falava só sobre música. Dificilmente alguém falava de política.”

Nos tempos de Major Quedinho, os funcionários trabalhavam com receio de ataques ao prédio, pois era comum haver alertas de bomba. O alarme tocava, o imóvel era evacuado e apenas o locutor e o operador que estavam no ar permaneciam, enquanto a polícia fazia o trabalho dela. Em uma ocasião, houve uma explosão que causou danos ao prédio e a morte de um porteiro. O Sr. Edgard considera a possibilidade de ter sido ação de guerrilheiros.

O radialista Edgard Gonçalves na discoteca da Eldorado, em 1967 (Foto: arquivo/AE)

“Nós tínhamos um [colega] que saía correndo da rádio para trabalhar com esse pessoal [da militância esquerdista]”, conta. “Mas, na rádio mesmo, o sujeito não comentava nada. Isso sempre teve no meio do jornalismo.”

A Polícia Federal exigia da rádio, com uma semana de antecedência, o envio de uma lista com toda a programação a ser transmitida. Apenas depois de passar por esse crivo, era possível coloca-la no ar.

Diversos artistas de bossa nova, que ocupavam boa parte da seleção musical, iam ao ar. No entanto, se a música tivesse algum conteúdo contrário ao regime, era cortada da lista. Entre 66 e 67, agentes da PF chegaram a confiscar alguns discos de artistas que se opunham ao regime. (O Sr. Edgard não se recorda da data específica do acontecido ou de quem eram os discos pois estava ausente, de férias.)

Trata-se de um dos raros momentos tensos de contato com a censura que a rádio teve, pois ela não era tão podada quanto o jornal impresso.

À época, já havia censura no Estadão, a referência para a produção jornalística da Eldorado. A dinâmica fazia com que as informações a caminho também já tivessem sido avaliadas antes de difundidas. O Grupo Estado havia retirado seu apoio à ditadura.

O Sr. Edgard não chegou a se envolver com nenhum dos lados do conflito: “Meu negócio era música. Meu negócio era fazer meus programas musicais”.

O clássico Boca da Noite, produzido por ele, encontrou seu espaço na massiva audiência da Eldorado. Tinha “música lenta, tranquila” em sua programação, ia ao ar na hora do rush e frequentemente recebia cartas e pedidos de música. Um Piano ao Cair da Tarde, outro clássico, também teve sua assinatura.

“Eu peguei um tempo bom da rádio, em que ela não se preocupava com audiência. Você tocava aquilo que você achava que tinha qualidade”, diz o radialista. Nomes nacionais de presença na programação eram João Gilberto, Flora Purim, Alaíde Costa, Nara Leão, Chico Buarque, Wanda Sá e Bossa Três, entre outros.

“As gravadoras mandavam suplementos que elas lançavam, vinha o divulgador trazer o disco aqui e eles nunca falavam nada.”

Exatamente o contrário do que faziam em outras rádios. Em vez de sugerir faixas que estavam sendo trabalhadas, deixavam a Eldorado ouvir e escolher a música que iria ao ar.

“A gente nunca tocava aquela faixa que eles estavam trabalhando porque era sempre a pior. Normalmente, eles forçavam o lado A [do disco] e a gente tocava o lado B, porque o lado A era sempre o mais popular.”

Em 72, a Eldorado fazia outro marco. Mas desta vez, na indústria fonográfica brasileira. Foi inaugurado o Estúdio Eldorado, utilizando o lendário auditório da rádio. Seus equipamentos de gravação tinham 16 canais, ao contrário dos frequentes oito canais na concorrência. Caetano Veloso, Tim Maia e Roberto Carlos são alguns que utilizaram o espaço para fazer gravações.

“A rádio não se preocupava com faturamento, porque se faltasse, o Estadão bancava. O momento em que a rádio passou a se preocupar com isso foi quando começou a depender de seu faturamento”, conta o Sr. Edgard.

Trata-se da fase em que João Lara Mesquita assumiu a direção, em 82. As mudanças mais bruscas começaram quatro anos mais tarde, como a expansão do jornalismo e a programação 24h por dia.

Declínio e digitalizações

“O padrão da Eldorado resistiu por quase duas décadas”, explica o pesquisador Antônio de Andrade. “A concorrência das FMs e ajustes feitos no Estadão e no Jornal da Tarde [também do Grupo Estado] respingaram na rádio, que pouco a pouco, foi perdendo sua identidade com o público da classe A na AM. A exigência de uma sonoridade melhor acabou comprometendo o padrão que a emissora adotava desde 58. O surgimento da emissora CBN [da Organizações Globo] foi o ponto final.”

Segundo Andrade, fica no radialismo brasileiro uma lacuna outrora ocupada pela Eldorado. “Sou da opinião de que, se uma emissora retomasse o padrão Eldorado, teria excelente receptividade em nossa atualidade.”

Desde 2007, o Sr. Edgard está digitalizando os arquivos remanescentes, a pedido dos diretores. Até hoje, 1.500 gravações foram informatizadas. De três a quatro mil ainda passarão pelo processo.

A memória digitalizada garantirá que não haja apenas lembranças da sonora revolução da rádio.


Sr. Edgard na discoteca da Eldorado em maio deste ano (Foto: Cecília Demarque)

Algumas músicas que não podiam tocar na rádio por causa da censura:






Reportagem realizada como parte do projeto integrado do 5º semestre de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo. A proposta era produzir um texto sobre um veículo de comunicação fazendo ponte com a ditadura civil-militar, cujo golpe que a iniciou completou 50 anos em 2014.

sábado, 3 de maio de 2014

Morto bom é morto-vivo

(Divulgação/BBC)

Em The Fades, seriado inglês da BBC Three exibido entre 2011 e 2012, um adolescente que respira quadrinhos e cinema se encontra no meio de uma batalha do bem contra o mal – e, para seu desespero, é peça-chave na resolução do conflito. Você já viu nas histórias do Homem-Aranha, da Marvel Comics, um adolescente banal se tornar extraordinário ao descobrir que tem superpoderes. E já viu em diversos outros filmes e seriados a batalha maniqueísta ser abordada, por mais clichê que ela tenha se tornado.

No entanto, o quê de diferente em Fades, além de ter o selo BBC de qualidade, é ser criação de Jack Thorne. Em fevereiro deste ano, o roteirista de 35 anos foi anunciado como responsável pela adaptação de Sandman, cultuadíssimo quadrinho de fantasia escrito por Neil Gaiman, publicado pela Vertigo, marca da DC Comics. O rentável título é alvo de várias tentativas de adaptação desde os anos 1990 – mas o escritor, sempre zeloso, manteve-se próximo da obra desde que a assumiu, impedindo más adaptações de acontecerem. Gaiman também está envolvido no filme de Sandman que a Warner Bros. desenvolve atualmente, de modo que fica clara sua aprovação de Thorne. O roteirista também está envolvido na adaptação de O Oceano no Fim do Caminho, romance de Gaiman publicado ano passado.

O inglês Jack Thorne. Um de seus trabalhos mais recentes é o filme Uma Longa Queda, baseado no romance homônimo de Nick Hornby (Foto: reprodução/internet)

A dica é resgatar Fades para se ter uma noção da competência de Thorne e do que ele pode fazer com ambas as adaptações. Experiente na tevê (Skins e Shameless estão em seu currículo), no teatro, no cinema e no rádio, o sujeito tem boa mão para contar histórias.

Paul (interpretado por Ian De Caestecker) é o tal adolescente do primeiro parágrafo. Ele se urina toda noite com seus pesadelos sobre o apocalipse e, ao contrário da maior parte da população, é capaz de ver espíritos de gente morta: os monstruosos "fades" do título ("desvanecedores", em português). Estes são, basicamente, restos de vida humana que se recusam ir ao além e agora querem causar o caos na Terra. Quando eles começam a tomar forma humana novamente e colocam em prática o plano de dominação, Paul cai na jogada ao lado dos "angelics", grupo de pessoas que também podem ver os fades e partem para o contra-ataque. No elenco, ainda estão os competentes Natalie Dormer e Joe Dempsie, que hoje ganham espaço em Game of Thrones, da HBO. De Caestecker está em Marvel’s Agents of S.H.I.E.L.D., da ABC.


(Divulgação/BBC)

O velho braço de ferro entre o bem e o mal ganha aqui um novo fôlego: Thorne escolhe o caminho da perspicácia para fugir do óbvio e tem sucesso nisso. Com diálogos espertos, clima de quadrinho e efeitos de qualidade (práticos e especiais), a trama toma rumos inesperados e se conclui em uma temporada de seis episódios enxutos.

Apesar de elogios da crítica e de ter ganho o Bafta 2012 na categoria de melhor série dramática, Fades tropeçou para achar sua audiência e acabou sendo cortada da BBC Three. Na ocasião, a emissora contia gastos, buscava se focar em outros gêneros para redefinir sua programação e formar um público. O que torna engraçado o fato de que, assim como seus mortos-vivos, a série fique zanzando perdida por aí agora, sem rumo. Permanece sua qualidade.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Novo trailer de 'X-Men: Dias de um Futuro Esquecido' é divulgado; veja

O trailer final de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (X-Men: Days of Future Past) acaba de sair do forno. Dos três já lançados até agora (veja o primeiro aqui e o segundo aqui), é o primeiro que aborda objetivamente a trama do filme e se foca tanto em personagens quanto cenas de ação com efeitos visuais. "Kashmir", do Led Zeppelin, serve de trilha sonora.


No futuro, os mutantes são perseguidos pelos robôs gigantes Sentinelas e presos em campos de concentração. Wolverine (Hugh Jackman) é enviado a 1973 (onze anos após os acontecimentos de X-Men: Primeira Classe) pelos X-Men remanescentes para tentar impedir o acontecimento que causa o futuro apocalíptico e distópico – e para isso ele deve unir os X-Men no passado. Personagens de ambas as trilogias se reúnem no mesmo filme pela primeira vez. A trama se baseia no arco clássico Dias de um Futuro Esquecido, de Chris Claremont e John Byrne, lançado nos quadrinhos Uncanny X-Men em 1981.

Além de Jackman, estão no grande elenco James McAvoy (jovem Charles Xavier), Michael Fassbender (jovem Magneto), Jennifer Lawrence (jovem Mística), Nicholas Hoult (jovem Fera), Halle Berry (Tempestade), Ellen Page (Kitty Pride), Anna Paquin (Vampira), Patrick Stewart (Charles Xavier idoso), Ian McKellen (Magneto idoso), Peter Dinklage (Bolivar Trask), Omar Sy (Bishop) e Evan Peters (Mercúrio), entre outros.

Bryan Singer, que dirigiu os dois primeiros filmes dos mutantes e foi produtor em Primeira Classe, retorna à cadeira de diretor. O roteiro foi escrito por Simon Kinberg, a partir de uma trama assinada por ele e pela dupla Jane Goldman e Matthew Vaughn (de Primeira Classe e Kick-Ass). A estreia está agendada para 22 de maio deste ano.

Na cerimônia do MTV Movie Awards no último domingo (13), foi exibida uma "sneak peek" do filme. Clique aqui para vê-la.

(Divulgação)

quarta-feira, 2 de abril de 2014

'Lucy', filme de Luc Besson com Scarlett Johansson, tem primeiro trailer divulgado

(Divulgação)

Acaba de estrear o primeiro trailer de Lucy, novo filme do cineasta francês Luc Besson (O Profissional, O Quinto Elemento). Scarlett Johansson interpreta a personagem-título.

Na trama de ação e ficção científica, Lucy é uma "mula" que ganha superpoderes após a droga que transporta em seu estômago vazar. Morgan FreemanAnaleigh Tipton e Min-sik Choi também estão no elenco. A distribuição fica por conta da Universal Pictures, enquanto a produção é assinada pela EuropaCorp e pela TF1 Films Production.


O filme estreia nos Estados Unidos dia 8 de agosto. No Brasil, em 18 de setembro.

Site oficial: lucymovie.com

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Melhores filmes que vi em 2013

Cinéfilo que é cinéfilo e tem mania de organização gosta de fazer listas também

Decidi dar continuidade a minha ideia de elencar os melhores filmes que vejo no decorrer de cada ano. A primeira lista foi lançada em dezembro passado (você pode baixá-la aqui) e a de 2013 acaba de sair do forno.

Os filmes estão listados de acordo com a ordem cronológica em que eu os assisti. Eles são de diferentes épocas e gêneros, o que mostra bastante do meu gosto cinematográfico pessoal. Além de suas qualidades num todo, os títulos que entraram na lista têm pelo menos um aspecto que me pareceu ser excepcional. E assim como na de 2012, há filmes que vão fazer algumas pessoas pensar “Nossa, você nunca tinha visto esse aqui antes?!”. Às vezes isso faz eu me sentir um cinéfilo incompetente, mas minha resposta é a mesma: antes tarde do que nunca!

Pronto? Aí vai:

Chuck & Buck (2000; de Miguel Arteta)
Martha Marcy May Marlene (2011; de Sean Durkin)
Negócio Arriscado (Risky Business, 1983; de Paul Brickman)
Sentimento de Culpa (Please Give, 2010; de Nicole Holofcener)
Indiana Jones e a Última Cruzada (Indiana Jones and the Last Crusade, 1989; de Steven Spielberg)
Fuga no Século 23 (Logan’s Run, 1976; de Michael Anderson)
Laços de Ternura (Terms of Endearment, 1983; de James L. Brooks)
A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no kamikakushi, 2001; de Hayao Miyazaki)
Amor (Amour, 2012; de Michael Haneke)
Mobília Mínima (Tiny Furniture, 2010; de Lena Dunham)
A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty, 2012; de Kathryn Bigelow)
O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook, 2012; de David O. Russell)
Comic-Con Episode IV: A Fan’s Hope (2011; de Morgan Spurlock)
007: Operação Skyfall (Skyfall, 2012; de Sam Mendes)
Argo (2012; de Ben Affleck)
O Mestre (The Master, 2012; de Paul Thomas Anderson)
O Impossível (Lo imposible, 2012; de J.A. Bayona)
O Piano (The Piano, 1993; de Jane Campion)
As Sessões (The Sessions, 2012; de Ben Lewin)
Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos (1999; de Marcelo Masagão)
Procurando Encrenca (Flirting with Disaster, 1996; de David O. Russell)
Disque M para Matar (Dial M for Murder, 1954; de Alfred Hitchcock)
Janela Indiscreta (Rear Window, 1954; de Alfred Hitchcock)
Amor pra Cachorro (Year of the Dog, 2007; de Mike White)
A Morte do Demônio (Evil Dead, 2013; de Fede Alvarez)
Distrito 9 (District 9, 2009; de Neill Blomkamp)
Primavera para Hitler (The Producers, 1967; de Mel Brooks)
O Jovem Frankenstein (The Young Frankenstein, 1974; de Mel Brooks)
Além da Escuridão – Star Trek (Star Trek Into Darkness, 2013; de J.J. Abrams)
Meu Irmão Quer se Matar (Wilbur Wants to Kill Himself, 2002; de Lone Scherfig)
Sherrybaby (2006; de Laurie Collyer)
Akira (1988; de Katsuhiro Ohtomo) (Atualização: dia 07/01/2014, às 15h38)
Três é Demais (Rushmore, 1998; de Wes Anderson)
Vivendo no Abandono (Living in Oblivion, 1995; de Tom DiCillo)
O Grande Lebowski (The Big Lebowski, 1998; de Joel & Ethan Cohen)
Byzantium (2012; de Neil Jordan)
Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo’s Nest, 1975; de Miloš Forman)
Gravidade (Gravity, 2013; de Alfonso Cuarón)
Segredos de Sangue (Stoker, 2013; de Chan-wook Park)
Laura: a Voz de uma Estrela (Little Voice, 1998; de Mark Herman)
Walking and Talking (1996; de Nicole Holofcener)
Frances Ha (2012; de Noah Baumbach)
Antes da Meia-Noite (Before Midnight, 2013; de Richard Linklater)
Os Suspeitos (Prisoners, 2013; de Dennis Villeneuve)
Em Transe (Trance, 2013; de Danny Boyle)
Monty Python em Buscar do Cálice Sagrado (Monty Python and the Holy Grail, 1975; de Terry Gilliam e Terry Jones)
Jogos Vorazes: Em Chamas (The Hunger Games: Catching Fire, 2013; de Francis Lawrence) (Atualização: dia 28/12/2014, às 20h59)
O Lugar Onde Tudo Termina (The Place Beyond the Pines, 2012; de Derek Ciafrance)
Minha Vida de Cachorro (Mitt liv som hund, 1985; de Lasse Hallström)
Silkwood – O Retrato de uma Coragem (Silkwood, 1983; de Mike Nichols)
Italiano para Principiantes (Italiensk for begyndere, 2000; de Lone Scherfig)
Jane Eyre (2011; de Cary Fukunaga) (Atualização: dia 02/01/2014, às 0h23)

Menções honrosas:

Frances Ha. Sem dúvida, o filme que mais me agradou em 2013. Posso me acabar em elogios aqui, mas me parece que nenhum vai fazer jus ao que quero dizer sobre ele. É por essas e outras razões que Noah Baumbach continua sendo um dos meus diretores prediletos. Ele já havia me fisgado quando vi A Lula e a Baleia (2005) pela primeira vez e depois em Margot e o Casamento (2007). Vi outros filmes dele, mas só Frances Ha aqueceu mi corazón como esses outros dois fizeram. Espero que Greta Gerwig, protagonista e corroteirista ao lado de Baumbach, continue seu ótimo trabalho tanto na frente das câmeras quanto atrás delas. E que não se torne uma segunda Zooey Deschanel: sem versatilidade, presa a papéis sempre semelhantes, atuações idem e um gasto título de “musa indie”.

Mickey Sumner e Greta Gerwig em cena de Frances Ha (Imagem: divulgação)

Sentimento de Culpa e Walking and Talking, sem dúvida, são dignos de uma textura própria nesta lista. Ambos têm aquela simplicidade e honestidade de filmes independentes, mas o diferencial deles é o nome da Nicole Holofcener, uma das figuras mais relevantes do cinema indie dos Estados Unidos, nos créditos de roteiro e direção. Com muito bom humor e sensibilidade, Holofcener aborda temas como envelhecimento, relacionamentos e opiniões sobre a vida. E sempre com Catherine Keener no elenco também, é claro.

A ótima atuação de Catherine Keener é um dos pontos altos de Sentimento de Culpa. Na foto, ela e Oliver Platt (Imagem: divulgação)

O Piano merece ser citado. Poucos filmes que vi são tão impactantes e poéticos como esse. Jane Campion acerta em cada aspecto da obra, até hoje encarada como a mais importante de sua filmografia. O roteiro aparenta ter sido escrito meticulosamente, enquanto a ótima Holly Hunter entra com delicadeza e precisão na personagem principal. Michael Nyman compôs para ela uma das mais belas trilhas que já ouvi. O crítico Roger Ebert acertou também ao escrever em sua resenha que O Piano “[é] um daqueles raros filmes que não se embasam apenas na trama ou em alguns personagens, mas em todo um universo de sentimentos”.

Holly Hunter e Anna Paquin em O Piano. No Oscar de 1994, as duas ganharam o prêmio de melhor atriz e melhor atriz coadjuvante, respectivamente. Paquin tinha apenas 11 anos e se tornou a segunda ganhadora mais jovem do Oscar. Jane Campion levou a estatueta de melhor roteiro original (Imagem: divulgação)

Além da Escuridão – Star Trek, de J.J. Abrams, também merece ganhar um parágrafo só para si. Além de ser um ótimo filme de ficção científica e um ótimo filme em geral, ele dispõe de uma qualidade que infelizmente pouco vemos no cinema. No caso, a de excepcional capricho na escrita de filmes de aventura e fantasia. Bons exemplos disso são Stardust – O Mistério da Estrela (2007), de Matthew Vaughn, e a série Indiana Jones (1981-2008), de Steven Spielberg (embora o quarto filme não seja lá essas coisas). Os dois Star Trek atuais têm vocação de sobra para entrar nesse rol e no de blockbusters que fogem do comum e se estabelecem como notáveis realizações cinematográficas. Sem dúvida, Abrams está fazendo jus às suas brincadeiras de infância com câmeras Super 8.

Além de ser o rei do Tumblr, o inglês bonitão Benedict Cumberbatch mostra que é ótimo ator e vive um dos vilões mais marcantes do cinema recente no novo Star Trek (Imagem: divulgação)

E é isso. Já sobre 2014...

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido segue firme e forte no topo da minha watchlist. E os seus filmes? Comente aí e me dê sugestões de títulos, eu sempre aceito.

Até o próximo post e feliz ano novo!

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Resenha: 'Minha Vida Dava um Filme', de Shari Springer Berman e Robert Pulcini

Produção peca na falta de engenhosidade e não faz jus ao talento dos protagonistas

(Imagem: Divulgação)

A extensa cartela de comédias hollywoodianas que chega aos cinemas anualmente nem sempre entrega bons títulos. Algumas surpresas acabam surgindo, agradam o público e ainda conseguem alguns elogios da crítica, como Se Beber, Não Case (2009). Mas esse definitivamente não é o caso do supérfluo Minha Vida Dava um Filme, que estreia hoje, 08/11.

Na obra, Kristen Wiig vive Imogene, uma dramaturga fracassada. Ela é demitida da revista em que trabalha, abandonada pelo namorado, ignorada pelas amigas da high society de Nova York e, após uma falsa tentativa de suicídio, é obrigada a ficar sob os cuidados de sua excêntrica mãe (Annette Bening). Ao voltar para a casa da família, Imogene reencontra seu também excêntrico irmão (Christopher Fitzgerald), conhece um rapaz que aluga o antigo quarto dela (Darren Criss), e o novo namorado de sua mãe (Matt Dillon). Fragilizada pela série de perdas e frustrada por ter de reatar laços familiares – tem bastante roupa suja a ser lavada –, a protagonista ainda inventa de localizar seu pai biológico após descobrir que ele está vivo.

A dinâmica entre os cinco personagens e seus conteúdos é tão mal explorada quanto o talento do trio formado por Wiig, Dillon e, principalmente, Bening. Bem menos engraçado do que poderia ser, cada passo que o filme dá adiante se sustenta em um clichê ou uma situação sem graça. Desinteressante e preguiçoso, peca em não ser engenhoso, do jeito que boas comédias geralmente são. É até possível sentir alguma vergonha alheia dos atores, dada a grande quantidade de momentos patéticos que eles têm. A mesma coisa sobre a dupla de diretores: Shari Springer Berman e Robert Pulcini, do cultuado Anti-Herói Americano (2003), entregam um trabalho sem sabor. Difícil de entender como a promissora dupla – indicada ao Oscar e ganhadora de prêmios em Cannes e Sundance – aceitou participar de um projeto que já mostra deslizes no roteiro (assinado por Michelle Morgan), um dos primeiros estágios de feitura de qualquer filme.


Kristen Wiig e Annette Bening em cena (Imagem: Divulgação)

Os poucos momentos em que Minha Vida Dava um Filme agrada são quando toca músicas da banda new wave Blondie no início e no fim, e no cameo de Whit Stillman, grande nome do cinema independente dos Estados Unidos. Fora isso, a obra não vale o ingresso e o tempo investido. É capaz de passar despercebida nos cinemas brasileiros, assim como aconteceu em seu país de origem. Para quem quiser ver Kristen Wiig demonstrando seu talento, a dica é ver Missão Madrinha de Casamento (2011), escrito e protagonizado por ela, ou seus sketches dos tempos de Saturday Night Live. Annette Bening mostra a que veio em Minhas Mães e Meu Pai (2010) e Matt Dillon em Crash – No Limite (2004). Os dois primeiros títulos são comédias bem mais interessantes. Passe longe do objeto desta resenha.

Título: Minha Vida Dava um Filme (Girl Most Likely); País de origem: Estados Unidos; Ano: 2013; Direção: Shari Springer Berman e Robert Pulcini; Roteiro: Michelle Morgan; Elenco: Kristen Wiig, Annette Bening, Matt Dillon, Christopher Fitzgerald, Darren Criss, June Diane Raphael, Bob Balaban, Brian Petsos, Mickey Sumner; Produção: Maven Pictures, Anonymous Content, Ambush Entertainment, Foggy Bottom Pictures, 10th Hole Productions; Distribuição: Paris Filmes; Duração: 103min.; Classificação indicativa: 12 anos; Estreia: nesta sexta-feira, 08/11.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Confira o trailer de 'X-Men: Days of Future Past'

(Imagem: Reprodução)

O primeiro trailer do vindouro X-Men: Days of Future Past está no ar. Veja:


Trata-se do mesmo vídeo exibido na Comic-Con de San Diego e no Fantasia Film Festival, em julho e agosto deste ano, respectivamente.

X-Men: Days of Future Past é baseado no arco Dias de um Futuro Esquecido, de Chris Claremont e John Byrne, lançado em 1980 pela Marvel Comics. Embora a 20th Century Fox ainda não tenha lançado uma sinopse oficial do filme, dá para ter uma noção dela através da trama do quadrinho: em um futuro distópico e pós-apocalíptico, mutantes são perseguidos pelos robôs gigantes Sentinelas, e presos em campos de concentração. Os X-Men enviam a mente de Kitty Pride ao passado para pedir que a equipe impeça um trágico acontecimento que resultará no futuro citado. Com a premissa de viagem no tempo, personagens de ambas as trilogias vão interagir no filme. No trailer, podemos ver que Kitty Pride é substituída por Wolverine na tarefa.

Jennifer Lawrence em cena como Mística, mutante cujo dom é se transformar em qualquer pessoa ou objeto



Bryan Singer, diretor dos dois primeiros filmes da franquia e produtor de X-Men: Primeira Classe (2011), comanda o novo filme dos mutantes. Ele assina a trama ao lado de Matthew Vaughn e Jane Goldman. O roteiro é de Simon Kinberg. No extenso elenco, estão James McAvoy (Charles Xavier, versão jovem), Michael Fassbender (Magneto, versão jovem), Jennifer Lawrence (Mística), Hugh Jackman (Wolverine), Halle Berry (Tempestade), Patrick Stewart (Charles Xavier, versão idosa), Ian McKellen (Magneto, versão idosa), Anna Paquin (Vampira), Ellen Page (Kitty Pride), Shawn Ashmore (Homem de Gelo), Peter Dinklage (Bolivar Trask), Nicholas Hoult (Fera), Omar Sy (Bishop), Adan Canto (Mancha Solar), Fan Bingbing (Blink), Evan Peters (Mercúrio), Booboo Stewart (Apache), Lucas Till (Destrutor), Daniel Cudmore (Colossus) e Josh Helman (William Stryker).

A estreia está agendada para 23 de maio de 2014, em 2D e 3D.

domingo, 28 de julho de 2013

Primeiras impressões sobre 'Wolverine: Imortal'


Meu veredito até agora sobre Wolverine: Imortal (ainda estou digerindo): é bom, mas tinha tudo para ser muito bom. 

A escolha de James Mangold como diretor foi bem interessante e bem sucedida. Mangold é versátil. Já dirigiu filmes de drama bem incisivos como Garota, Interrompida (1999) e Johnny & June (2005), assim como uma comédia romântica, um suspense, um western, e até uma comédia de ação – todos elogiados. Em Wolverine: Imortal, ele é eficiente. Soube dirigir ótimas e inusitadas cenas de ação sem esquecer o drama da história e dos personagens. Mas parece que faltou a ele a devida autonomia para realizar um filme mais sombrio, mais próximo da raiz do Wolverine dos quadrinhos sem desrespeitar a abordagem deste nos cinemas.

Fica evidente a influência dos executivos da Fox no conteúdo do filme, repetindo o erro de X-Men Origens: Wolverine (2009). Nesse caso, um elogiado roteiro escrito por David Benioff (Game of Thrones) foi revisado por outro roteirista até virar o que virou: uma simples máquina caça-níquel sem foco narrativo e sem importância injetada nas propostas, levada às telas por um diretor dos bons (Gavin Hood), mas sem autonomia, vigiado por produtores e executivos que se esqueceram do impacto que Batman – O Cavaleiro das Trevas havia feito no ano anterior. A Fox ainda insiste em podar os diretores de seus blockbusters. Exceções são casos como X-Men: Primeira Classe e Planeta dos Macacos: A Origem (ambos de 2011). O estúdio mostra que ainda está atrás da Warner Bros. e da Paramount dentro desse tema.

Hugh Jackman e James Mangold no set de filmagens

Em Wolverine: Imortal, o roteiro escrito primeiramente por Christopher McQuarrie (ganhador do Oscar por Os Suspeitos) e depois por Scott Frank (indicado ao Oscar por Irresistível Paixão), foi revisado por Mark Bomback, sujeito que coleciona críticas mornas, mas que sabe escrever um roteiro de filme de ação para se ver no domingo. O problema está aí. Wolverine merece mais que isso.

Os traços de McQuarrie estão evidentes no filme, e ficarão mais claros se você pesquisar os comentários feitos Hugh Jackman e Mangold sobre o texto do roteirista que nem chegou a ser creditado. O resultado é um bom roteiro que repara os erros do último, mas que infelizmente peca em, por exemplo: 1) dar mais importância às motivações dos coadjuvantes do que às do protagonista; 2) incluir piadas em momentos nada estratégicos; 3) não desenvolver com competência uma vilã bem interessante (Viper, interpretada pela eficiente Svetlana Khodchenkova); 4) ser preguiçoso, às vezes, para armar bons meios de fazer a história ir para frente. Considerando o quadrinho no qual o filme se baseia (Eu, Wolverine, de Christopher Claremont e Frank Miller, duas lendas), fica visível que a flecha iria bem no alvo caso existisse uma preocupação maior em ser fiel ao ótimo material de origem.

Mas calma: Wolverine: Imortal é bom de verdade. Vale a pena ver sim. Vale o ingresso do 3D, vale o tempo investido, vale tudo. Os atores são eficazes, efeitos e trilha sonora idem, e os sentimentos e motivações dos personagens são genuínos. O entretenimento é garantido. A obra é carismática e até mesmo diferente do que andamos vendo dos outros super-heróis nas telas ultimamente. Em suma, tem uma identidade própria e consistente, e serve bem como ponte para X-Men: Days of Future Past, que veremos ano que vem (fique para ver a excelente cena no meio dos créditos). Mas há algo de evidente: a Fox não vai fazer o mesmo golaço que fez com Primeira Classe se não passar a seus diretores, integralmente, a batuta de seus filmes. Passou da hora de aprender com outros estúdios.

(Pretendo rever o filme na próxima sexta-feira.)

Sinopse: Baseado no célebre comic book, esta aventura épica leva Wolverine (Hugh Jackman) - o personagem mais icônico do Universo Marvel - ao Japão. Fora de seu ambiente, neste mundo desconhecido, ele deverá enfrentar oponentes inesperados em batalhas de vida ou morte, que o marcarão para sempre. Vulnerável, pela primeira vez ele supera seus limites físicos e emocionais, e enfrenta não apenas samurais, mas seus demônios internos, lutando contra sua própria imortalidade. (Fox Film do Brasil)

*Fotos: Divulgação

domingo, 21 de julho de 2013

X-Men: Days of Future Past – o que sabemos até agora (parte 2)

(Divulgação) 

Novidades e mais novidades sobre X-Men: Days of Future Past continuam pipocando. O diretor Bryan Singer continua publicando frequentemente em seu Twitter fotos dos bastidores. Vez por outra, algum paparazzi consegue clicar os atores e a equipe filmando em locais abertos. Em uma dessas ocasiões, conseguimos ver Singer dirigindo a cena de luta entre Fera (Nicholas Hoult) e Magneto (Michael Fassbender) em uma fonte. Ontem, o painel que o filme ganhou na Comic-Con em San Diego foi esclarecedor apenas em alguns aspectos, o que mostra como ele está sendo realizado com bastante sigilo. O público vibrou e aplaudiu de pé a grande reunião do diretor com um dos roteiristas (Simon Kinberg), os produtores e a maior parte do elenco.

Mas vamos continuar com as novidades sobre o filme seguindo as deixas do post anterior, de seis meses atrás. De lá para cá, muita, muita coisa nova surgiu.

Trama, direção, roteiro e produção    
  
Já sabíamos que a história do filme tem origem no famoso arco Dias de um Futuro Esquecido (1981), escrito pelo lendário roteirista Chris Laremont e desenhado por John Byrne, o também lendário desenhista da Marvel Comics.

No quadrinho, os mutantes vivem em um futuro distópico e apocalíptico que pertence a uma realidade alternativa. Eles são perseguidos pelos robôs Sentinelas e presos em campos de concentração. A mente de Kitty Pride (ou Lince Negra) é mandada ao passado a fim de alertar os X-Men sobre o futuro que os aguarda. A partir daí, o grupo de heróis vai atrás de impedir o acontecimento que desencadeia no tal futuro sombrio.

Foi esclarecido que Wolverine (Hugh Jackman) será o personagem que terá sua mente mandada ao passado, em vez de Kitty Pride. A trama se passará em 1973 (onze anos após os acontecimentos de Primeira Classe), com a Guerra do Vietnam como contexto histórico e político escolhido. Sabe-se também que Richard Nixon, presidente dos EUA naquele tempo, será um personagem, embora o ator que o viverá seja desconhecido. Os atores da primeira trilogia estarão no futuro enquanto os da nova habitarão o passado, apontam as especulações. O diretor enfatizou que o aspecto de ficção científica está sendo explorado com mais vigor que nos filmes anteriores. Ele inclusive conversou com James Cameron sobre viagens no tempo e teorias sobre o tema.

Jennifer Lawrence (acima) disse na Comic-Con que, mesmo ainda emocionalmente ligada a Xavier, Mística segue em sua escolha de lutar ao lado de Magneto (Foto: Twitter)

Singer, por sua vez, assumiu a direção de Days of Future Past quando Matthew Vaughn teve de deixá-la para se dedicar a The Secret Service, previsto para ser lançado ano que vem. Ele ficou como produtor e roteirista. Jane Goldman também é roteirista aqui, repetindo a parceria com Vaughn de X-Men: Primeira Classe (2011) e Kick-Ass (2010). Simon Kinberg também tem seu nome no texto. Ele foi produtor em Primeira Classe e é a metade competente da dupla de roteiristas de X-Men 3 (2006).

O que não sabíamos antes é que, segundo o portal IMDb, Bryan Singer elaborou a trama do filme, além de ser diretor e produtor. Já sabíamos também que o casal Lauren Shuler e Richard Donner está produzindo com Singer, Vaughn e Kinberg. Agora, Todd Hallowell, Stan “the man” Lee, Kathleen McGill, Josh McLaglen e Hutch Parker também são produtores.


Equipe com maquete de um cenário do filme (Foto: Twitter)

John Ottman, frequente colaborador de Singer, foi contratado para compor a trilha sonora e cuidar da edição. Ottman cuidou dos dois cargos em X-Men 2 (2003). Os efeitos especiais ficam por conta da Moving Picture Company e da Digital Domain. Ambos os estúdios trabalharam juntos em Primeira Classe. (Clique nos links para conhecer mais trabalhos deles.)

Elenco


Em sentido horário: Charles Xavier (Patric Stewart), Magneto (Ian McKellen), Colossus (Daniel Cudmore) e Bishop (Omar Sy) (Foto: X-Men Films)

Nomes foram adicionados e rumores foram esclarecidos. Seis meses atrás, já sabíamos que James McAvoy (Charles Xavier), Michael Fassbender (Magneto), Jennifer Lawrence (Mística), Nicholas Hoult (Fera), Hugh Jackman (Wolverine), Ellen Page (Kitty Pride), Anna Paquin (Vampira), Shawn Ashmore (Homem de Gelo), Patrick Stewart (Charles Xavier) e Ian McKellen (Magneto) estavam no elenco. Agora, o grupo está ainda maior. Halle Berry, Lucas Till e Daniel Cudmore retornam como Tempestade, Destrutor e Colossus, respectivamente. Fan Bingbing será Blink, a mutante rosa que tem o dom de conjurar portais para viajar no tempo. Após rumores, foi confirmado que Peter Dinklage (Game of Thrones) será Bolivar Trask, cabeça por trás do programa Sentinela e antagonista do filme. Também foi esclarecido que o francês Omar Sy (Os Intocáveis) é Bishop. Josh Helman teve seu misterioso papel desvendado também: ele será William Stryker quando jovem (o personagem foi interpretado por Brian Cox em X-Men 2, por Danny Huston em X-Men Origens: Wolverine e uma versão sênior dele foi brevemente vivida por Don Creech em Primeira Classe). Ainda seguem os rumores de que Booboo Stewart e Adan Canto são Apache e Mancha Solar, respectivamente.

Peter Dinklage e Bryan Singer lendo juntos um trecho do roteiro (Foto: Twitter)

A adição de Evan Peters (American Horror Story) ao elenco como Mercúrio, o filho de Magneto, foi motivo de alguma controvérsia. Antes de Bryan Singer ter anunciado a chegada de Peters, o diretor e roteirista Joss Whedon havia dito que o personagem e sua irmã Feiticeira Escarlate estariam em Avengers: Age of Ultron, a sequência de Os Vingadores (2012) agendada para 2015. Mesmo após o anúncio de Singer, Whedon manteu sua palavra. Agora, Mercúrio estará em ambos os filmes. Ele pertence tanto ao universo dos X-Men quanto ao dos Vingadores, em um “limbo de direitos”. Os estúdios por trás de cada franquia têm o poder de usá-lo, mas sem um fazer alusão ao universo de outro. A dúvida fica no ar: como a será a abordagem de Mercúrio em ambos os filmes? Pelo menos em Age of Ultron, especula-se que Aaron Taylor-Johnson viverá o papel, e que em Days of Future Past, o filho de Magneto viverá nos anos 70. O engraçado é que Peters e Taylor-Johnson atuaram juntos em Kick-Ass, dirigido por Matthew Vaughn.

Foi confirmada a ausência de Caleb Landry Jones, o Banshee. Aparentemente, January Jones (Emma Frost) e Rose Byrne (Moira MacTaggert) não retornam também. Os três estiveram em Primeira Classe, apenas.

James McAvoy (Xavier) em seu figurino anos 70 – o ator adorou (Foto: Twitter)

Comic-Con

Nos dias 18 (quinta-feira) e 20 (sábado) deste mês de julho, X-Men: Days of Future Past teve destaque na Comic-Con, em San Diego.

Cabeça de uma Sentinela no estande da Trask Industries (Foto: X-Men Films)

Dia 18: a cabeça de uma Sentinela foi exposta ao público em um estande da Trask Industries, como se a empresa fosse real, com direito a funcionários uniformizados e tudo. Cartazes como os das fotos ressaltaram, indiretamente, a superioridade da raça humana diante dos mutantes (“Junte-se a nós para celebrar os 50 anos do progresso humano”). Aí vai o sombrio site viral da fábrica de Sentinelas: www.trask-industries.com


Dia 20: O painel do filme durou aproximadamente 40 minutos e teve até a exibição de breves cenas do filme. Diretor, roteirista e produtores participaram do painel junto do enorme elenco. Todos foram aplaudidos de pé pelos fãs, emocionados.

O painel de Days of Future Past começa assim que o de Wolverine – Imortal se encerra. No início do vídeo, vemos James Mangold, diretor de Wolverine, deixando o palco

Mas, na prática, foi mais tiategem do que novidades. O que teve de mais quente foi a exibição das cenas. O vídeo não está disponível na internet, mas segundo o jornalista Matt Goldberg, do portal Collider, consistia nisso aqui (traduzido):

Há muitos mutantes, mas o principal é que podemos ver Xavier, Magneto, Tempestade e Wolverine no futuro. Xavier diz que eles precisam mandar a mente de Logan para seu corpo mais jovem [no passado] e convencer os jovens Xavier e Magneto de impedir o futuro desastroso. No futuro, nós vemos membros do elenco da primeira trilogia em roupas escuras e futuristas, mas não cafonas. São austeras, assim como a paisagem, que não está destruída e pós-apocalíptica como no quadrinho.

Quando Wolverine volta no tempo, nós vemos os personagens de Primeira Classe, e o jovem Xavier aparenta estar absolutamente abatido e cansado. Então nós vemos uma grande montagem de todos os personagens. Os momentos memoráveis incluem Fera tentando afogar o jovem Magneto, e este usando seus poderes para arrastar uma Mística em perigo para perto de si. O trailer termina com o jovem Xavier gritando “Eu não quero seu futuro!”. Então nós vemos o Xavier idoso e jovem se encarando. O idoso diz a sua versão jovem “Por favor. Nós precisamos ter esperança de novo”.


Equipe reunida na Comic-Con de ontem, da esquerda para a direita: Hutch Parker, Patrick Stewart, Halle Berry, Lauren Shuler Donner, Simon Kinberg, Omar Sy, James McAvoy, Ellen Page, Shawn Ashmore, Bryan Singer, Anna Paquin, Ian McKellen, Jennifer Lawrence, Peter Dinklage, Michael Fassbender, Evan Peters e Nicholas Hoult (Foto: Twitter)

Adendos

O que vale ser dito também, é que, recentemente, a Fox anunciou um filme da X-Force. Assim, vai ser engrossado o caldo de filmes produzidos a partir do universo dos X-Men. A X-Force estreou nos quadrinhos no início da década de 1990 e muitos X-Men passaram por ela. Jeff Wadlow, diretor e roteirista de Kick-Ass 2 (a ser lançado ainda neste ano), foi contratado para escrever o roteiro. Ele é um dos prediletos a assumir o cargo de diretor também, o que nos leva a crer que a sequência de Kick-Ass deve ser no mínimo boa para render este trabalho a Wadlow. Lauren Shuler Donner, produtora em todos os filmes dos mutantes, trabalhará neste filme. Resta saber como será pavimentado o caminho para a empreitada. Será que haverá uma deixa em Days of Future Past para a aventura cinematográfica da X-Force?

Dica: fique até o fim dos créditos do segundo filme do Wolverine (Foto: Divulgação)

O que se sabe até agora, é que Wolverine – Imortal, que estreia nesta sexta-feira (26/07), tem uma cena pós-créditos que serve de deixa para Days of Future Past. Por ora, deve servir como aperitivo. Diga-se de passagem, também, que o segundo filme solo do Wolverine vem sido elogiado.

Mark Millar, roteirista de quadrinhos por trás de títulos como Kick-Ass, Superior e Wanted, foi contratado pela Fox há algum tempo para servir de consultor criativo. É ele quem está trabalhando junto do estúdio na expansão do universo X nos cinemas. Muito provavelmente, tem dedo dele na escolha de Matthew Vaughn como produtor no reboot que o Quarteto Fantástico vai ganhar nos cinemas e na escolha de Wadlow para escrever o roteiro para X-Force.

Bryan Singer do lado de fora do Cérebro, máquina que amplia os poderes de Xavier e o permite localizar mutantes pelo planeta inteiro (Foto: Twitter)

Conclusão até agora: se a Marvel Studios deu uma festa no cinema com seus Vingadores, chegou a hora da Fox se estabilizar também, tirando a poeira dos inúmeros personagens sobre os quais ela tem direitos de adaptação. Que venham mais X-filmes!

As filmagens de X-Men: Days of Future Past se encerrarão em setembro. A estreia foi adiantada para 23 de maio de 2014, e o filme estará disponível em 3D e 2D.

*Imagens sem crédito: reprodução Twitter e X-Men Films, respectivamente

[ATUALIZAÇÃO - 22/07, às 21h40]

Os primeiros pôsteres oficiais foram divulgados!